Passado em preto e branco

Apartamento de bom tamanho.
100 m², 2 quartos arejados, amplas janelas.
Alguns cantos empoeirados, histórias inacabadas, romances mal explicados.
Vendo banheira antiga com pés de ferro fundido, piso de ladrilho hidráulico, pastilhas em cores vivas.
Vendo tudo o que foi.
Casa de sonho.
Alvenaria. Suor.
Causos ocultos.
Gatos que não existem mais.
Tudo a preço de ocasião.
Bairro agradável que já foi mais tranquilo.
Mundo que dá volta.
Redemoinho na sala.
Vendo tudo desde que o bebedouro dos pássaros permaneça cheio e limpo na janela do escritório.

Escrito por anapessoa

9 comentários para “Vendo casa”

  1. T. A. S. Neves disse:

    Ana,

    bom dia.

    Tenho lido seu site com alguma assiduidade e, intimamente, louvado seu estilo, a só um tempo delicado e divertido.
    Cheguei a ele pelo pedrosette (e a este por meio do Olavo) e por causa da epígrafe que você escolheu.
    Você já publicou em livro essa sua prosa poética? Se é que tecnicamente posso chamar assim o que você escreve.
    Permita-me outra curiosidade: esse seu Alvarenga é do Sul/Sudoeste de Minas Gerais? Pergunto porque sou de lá ou, a esta altura, talvez seja melhor dizer que nasci lá.
    ´
    Parabéns.

  2. anapessoa disse:

    Meu Alvarenga é de Barão de Cocais ou João Monlevade…
    Dos 9 irmãos – todos Barros de Oliviera – só meu pai ganhou o Alvarenga.
    E eu não dei continuidade. Quis uma coisa mais seca.
    Pessoa – da Paraíba mesmo.
    Risos.

    Obrigada. E não, não publiquei nada. Nem tentei…
    O bom do mundo eletrônico é isso.
    A gente não precisa de editor.
    Só de coragem.
    E cara de pau.

  3. T. A. S. Neves disse:

    Ana,

    Já estive em Barão de Cocais de passagem, quando fui conhecer o Caraça.

    Sobre a publicação, discordo de você e espero que algum editor coloque seus escritos para circular em papel.

    Bom final de semana!

  4. anapessoa disse:

    Eu sou de Belo Horizonte…
    Merci!

  5. T. A. S. Neves disse:

    Já morei na sua cidade.
    Foi, sem desdouro nenhum à nossa capital, minha fuga para o deserto.

  6. anapessoa disse:

    Eu te entendo, eu respeito.
    Vivo em São Paulo desde 1997 – quando posso.
    Meus poetas?
    Ah…
    Tantos.
    Drummond, Rimbauld, Baudelaire.
    Leminski, Vinícius.
    Bandeira.
    Nada de muito novo. Risos.

  7. T. A. S. Neves disse:

    Mineira, você já leu Dantas Motta?

  8. anapessoa disse:

    O poeta de Aiuruoca… Minha família também é de advogados bissextos.

  9. T. A. S. Neves disse:

    Isso mesmo, de Aiuruoca. Perguntei, porque você colocou Carlos Drummond antes de todos os outros e ele dizia que Dantas Motta era o maior.

    Vi que você escreveu mais e até citou Baudelaire. Vou ler assim que puder.

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