Direto da Delegacia

Começo o dia sendo acordada pelas notícias.
Velório do dramaturgo, artista, chargista e grande frasista.
Tinha lá algumas namoradas, Cora Ronái incluída, mas manteve-se casado por 64 anos.
O tumor do ex-presidente desapareceu e ele diz que sentiu-se como recebendo a bomba de Hiroshima.
Encontraram ossos de hominídio que tinha pés de macaco.
O técnico da seleção quase perde a direção.
Estudantes de direito da UFPR fazem cartilha explicando como “pegar” uma mulher usando as leis.
Tudo tão ambíguo e sugestivo.
Mas não, nem pense nisso.
Humor hoje em dia é para a polícia ou magistrado decidirem o que fazer.

Não pode fazer piada com tumor. Espezinhar o doente?
Não pode ser incorreto.
Nem falar das escapulidas bizarras do ex-jogador de futebol.
Os pobres meninos, bem bobos, fazem graça com a interpretação das leis e as feministas, a imprensa e até o Oscar Maroni saem com paus, pedras e verve.

Onde anda a graça?
Não está com a macaca – disso eu sei.
Pois tem pés de pato, sapato de palhaço.
Onde anda o savoir fair?
Onde anda o riso?

Hoje tudo é ferro e fogo.
Tudo é preto no branco.
Pedra.
Não tem no meio do caminho.

Meninos do Paraná, eu, que fui aprovada nesta mesma faculdade para estudar Direito mas fiz tudo errado, morri de rir da cartilha e teria adorado estar entre vocês.
Presidente, que comparação disparatada.
Nem exumando o corpo do Tim, a coisa muda de figura.
Vamos tentar com a sexta-feira…

Escrito por anapessoa

4 comentários para “Tanto riso, ó…”

  1. Gonçalves disse:

    Ana, hoje, o humor está bem escondido. É preciso procurá-lo…rs

    Do Estadão:

    “A falta de definição sobre regras nacionais na telefonia gerou pelo menos um caso inusitado, no Estado de Mato Grosso do Sul: desde 2009, uma lei estadual exige desconto de 50% nas tarifas de telefone celular “aos cidadãos portadores de distúrbios na fluência e temporalização da fala”. Ou seja: os gagos pagam metade da conta do celular por levar mais tempo para falar o mesmo que outras pessoas.”

  2. anapessoa disse:

    Inacreditável – ganhei minha sexta-feira que começou tão cinza.
    Obrigada, Gonçalves!

  3. T. A. Santiago Neves disse:

    Ana,

    você usa “que sentiu-se”, e não “que se sentiu”, deliberadamente para evitar o “se se…”?

  4. anapessoa disse:

    Em geral, sim.
    Mas ando muito relapsa – escrevendo cada bobagem.
    E, quando vejo algo terrível, edito…

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