Rápida

Acordou e não reconheceu a casa.
As roupas, a luz, as enormes janelas.
Procurou a bolsa.
Nada.
Abriu a porta.
O sol forte não aquecia a tarde.
Vitrines com cartazes coloridos anunciavam promoções.
Olhou para os pés.
Sapatos enormes.
Sentiu falta do telefone.
As mãos, ásperas buscaram nos bolsos.
Havia apenas um maço de cigarros mentolados.
Sentiu o hálito amargo.
Não reconheceu as ruas.
A cabeça repassando mil histórias sem começo ou fim.
Passos muito rápidos como se soubesse onde parar em meio a um romance kafkaniano tropical.
Procurava algo que lhe desse um chão, que fizesse a memória despertar.
Nada.
O que buscava mesmo?
Começou a correr.

Ruas, carros.
Nada.

Escrito por anapessoa

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