10 abr

Presa dentro de uma caixa de papelão, ela ouvia a chuva.
Os pés descalços e sujos.

Um raio surdo.
A eletricidade foi cortada.

Barulhos de carros, gente que passa com pressa.
Vez ou outra alguém esbarrava na caixa.
Um chute.

Sentiu falta do celular.
Sua muleta de mão.

Por que não havia música?
Um pano de fundo para o sem nexo.

Fez contas. Quantas horas faltariam para sair da caixa.
Olhou para os pés.

Escrito por anapessoa

10 comentários para “Capítulo 2”

  1. gonçalves disse:

    Gostando!

  2. TASNeves disse:

    Ana,

    bom dia.

    Insisto em que você deveria publicar seus textos. Por acaso existe algum romance ou novela em curso?

  3. anapessoa disse:

    Não e não.
    Mercado editorial deve ser algo muito chato.
    E de chata, já chega a vida física, com contas, cachorro, gato, empregada, metrô, estacionamento, folha de ponto.
    Esse “romance” não tem começo, meio, fim, capítulo e nenhuma obrigação com nada.
    Se não tiver capítulo 3, tudo certo.

  4. TASNeves disse:

    Ana,

    tudo bem, eu só estava na base do “scipta manent” e querendo o bem da humanidade versada na última flor do Lácio.

    E mais: não sou editor, fique tranqüila.

  5. anapessoa disse:

    Poxa, e eu contando com a possibilidade de você ser aparentado do Charles Cosac ou do Michael Naify… Já levantando minha bola para melhorar o passe…

    😉

    Em tempo: esse blog é pura “verba volant”…

  6. Kárhozat disse:

    gostaria de ver os textos num pequeno caderno, com algumas páginas soltas. daqueles de serem encontrados numa gaveta antiga anos à frente.

  7. anapessoa disse:

    😉

  8. TASNeves disse:

    garanto que ao menos o caderno desejado pelo Kárhozat há de existir. Quem sabe, não estamos diante da Emily Dickinson do terceiro milênio.

  9. anapessoa disse:

    Menos, menos.
    A coisa aqui está mais para Bukowski…

  10. TASNeves disse:

    Prolífica, então.

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