11 abr

“The foot feels the foot when it feels the ground.”

 

Ela repetia a frase que encontrou quando buscava qualquer coisa no Google.
Atribuíam ao Buda, mas era do inglês adepto da yoga e do zen, Ernest Wood.

A cabeça andava perdida como balão de gás em mão de criança.
As moedas deixadas com displicência num copo de requeijão na janela da área de serviço começaram a minguar.
Moedas para comprar pão.

Todos os dias a mesma história.
Acordar bem cedo.
Descobrir entediada o que acontecera no mundo entre meia noite e cinco da manhã.
Café – que odiava – sem açúcar – para ficar intragável.
Esperar ansiosa pelo pão que mandava buscar.
Casca branca e quente.

Depois, realidade.
Encher as horas com tarefas inúteis.
Rodar de carro.
Correr no parque para suar e tentar tirar o chumbo que pressionava a cabeça.
Inútil.

Às oito, de banho tomado, começar a velha história.
Fingir que lutava.

Contatos.
Revisar o passado.
Mexer e mudar coisa ou outra naquele texto virtual que promete trazer dinheiro, apagar toda e qualquer ociosidade desde que o destinatário pague em dia.
Efeitos colaterais: estresse, angústia, desespero por férias.

Vez ou outra um almoço “de negócios”.
Trabalho.
Fazer parte deste mundo.

O pé sente o pé quando sente o chão.
Olhou para baixo e não viu nada.

Escrito por anapessoa

4 comentários para “Capítulo 3”

  1. Gonçalves disse:

    “O pé sente o pé quando sente o chão”.
    Que imagem bem sacada! 😉

  2. anapessoa disse:

    Tão grande que acham que foi Buda que disse. Engraçado, não?

  3. Gonçalves disse:

    O ignorante sente a ingorância quando sente vergonha…rs
    Obrigado pelo “toque”!
    Mas o emprego da frase naquele contexto continua sendo formidável.

  4. anapessoa disse:

    Vocês andam vendo coisas onde não escrevi. risos
    relax!

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