13 abr

They are... now!

Olhou para a velha banheira: há anos fora transformada em piso de chuveiro.
Não havia tampa para o ralo.
Improvisou.
Encheu com água gelada.
Colocou os pés para ir se acostumando.
Depois as pernas, mãos, pulso.
Molhou a nuca.
Prendeu os cabelos.
Tomou coragem.
Entrou.
Passou alguns minutos em silêncio, vendo a pele arrepiada, sentindo a temperatura.
Apertou os lábios.
Tirou o plástico da bucha natural que comprara ontem, depois que tudo desmoronara, e, sem sabão, massageou joelhos, ventre, ombros.

(frio)

Saiu da banheira.
Secou-se rapidamente.
Nem passou pelo closet.
Sem aliança, sem sapatos, sem nada.
Chave do carro.
Desceu o elevador.
7,6,5,4,3…
Abriu a porta do carro, deu partida.
Esperou que o porteiro aparecesse para abrir o portão.

Os pés descalços sentiam os pedais e acelerou.
Multas, rodízio.

Tinha uma reunião em 20 minutos.
Sem roupa, uma dúvida: onde prenderia o crachá?

(São Paulo)

Escrito por anapessoa

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