Terça-feira.

Minha pequena

Quase não cabia em seu velho vestido.
Mais uma vez, o casaco de couro resolveria as coisas.

Não avisou.
Pegou as chaves e saiu.

Ainda era cedo.
Rodou pelas ruas, olhou portas de bar.
Estacionou.

Foi direto para o balcão.
Ficou ali, observando pessoas, ouvindo conversas.
Não era daquelas que, de tempos em tempos, olhava para o celular, fingia que mandava mensagens.
Bebida devagar para passar o tempo.

Quase ninguém percebia sua figura pálida, distante.
Pequena e frágil – quem diria.
Tinha olhos tão negros que não era possível ver as pupilas.
Um ou outro, com sorte, desviava o olhar.

Ali, todos falavam alto.

Ela gostava assim.
Mais fácil.

Enquanto buscava, bebia.
Pediu mais um. E mais um.

De repente, um frio na espinha.
Finalmente.
Dentes muito brancos.
Roupas discretas.
Bebia cerveja.

– Esse não sabe que não volta mais para casa.

Escrito por anapessoa

4 comentários para “Capítulo 7”

  1. Satie disse:

    All the tired horses in the sun
    How am I supposed to get any riding done?

  2. anapessoa disse:

    Dear Mr.D., come to my house and I’ll help you.
    I’m not sleepy and there is no place I’m going to.

  3. Satie disse:

    In the jingle jungle morning I’ll come followin’ you.

  4. anapessoa disse:

    (…)

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