25 abr

Generalista seria mesmo alguém que não sabe nada?
Carregava seu tablet para todos os lados – a nova muleta.
Jornais, mensagens, filmes, músicas – uma forma “portátil” de alimentar seu autismo social.

Como passar o tempo sendo ninguém?
Pensava que era uma forma de libertação.
Mas, ao fugir do labirinto, via-se só.
Refugiava-se naquela tela de computador.
E recusava-se a ficar em casa.

Ia a parques, ao café, muitas vezes caminhava sem rumo.
Andava a pé na cidade dos carros.
O estado das calçadas estava cada vez pior.
Era interessante ir ao banco quando não havia clientes.
Supermercados vazios.
Fazer exame de sangue às 16h e ser adulada por um sem número de funcionários ociosos.

Ser rico é outra coisa.
Ser rico é furar filas.
Não encontrar vazios em horários alternativos.

Naquela manhã percebeu um movimento estranho em seu mundo virtual.
Fanstasmas do passado pesquisando sua vida.
Sentiu um certo incômodo.
Talvez esta fosse sua única conexão com o mundo dos vivos.
Descobrir que ainda despertava curiosidade e inveja.
Não gostou.

Resolveu passar o dia em casa sem consultar os oráculos da internet.

casa

 

Escrito por anapessoa

4 comentários para “Capítulo 11 – Vista meu terno”

  1. Satie disse:

    Maldito terno que desconheço!
    Mas tem razão, tem razão: curiosidade, sim, desperta mesmo. Inveja, não sei!

    O autismo social dá calafrios.

  2. anapessoa disse:

    ysl

  3. TASNeves disse:

    Ana,

    “autismo social” é de sua lavra? Brilhante, preciso.

    A propósito, A. P. está mais para Cecília ou Hilda?

  4. anapessoa disse:

    Hilda era muito louca. Eu não conseguiria morar num sítio com aquele tanto de cachorro. Tô mais para molambo do asfalto mesmo.
    Sobre o autismo, é.

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