16 mai

Fazia compras sempre que o estresse apertava.
E seguia um ritual: abandonava o que comprava pela cidade.
Jóias deixadas num guichê de metrô.
Sapatos na banca de jornal.
Flores na porta de entrada da padaria.
Camisas no museu de arte contemporânea.
Livros na Igreja Evangélica.

Em casa, o armário estava vazio.
Tinha 2 mudas de roupa.
Não havia margem para acidentes.

Não comia muito – gostava da sensação de quase delirar sem combustível no corpo.
A casa não tinha cores.
Plantas.
Móveis.
Havia um tapete na sala.
Ali fazia as refeições.
Deitava para ler.

Eletrodomésticos, utensílios?
Um fogão de duas bocas, um aquecedor, um chuveiro elétrico.
Não havia geladeira, TV, telefone.
Um celular era sua conexão com o além.

Escrito por anapessoa

2 comentários para “Capítulo 17 – Caixa Preta”

  1. Satie disse:

    muita ascese para pouca culpa?…

  2. anapessoa disse:

    Se for busca da verdade…

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