21 mai


Ontem resolvi questões irrevogáveis.
Hoje volto a escrever com liberdade. Como é bom!

Eu estou apaixonada pelo paradoxo “vida real-vida digital”.
E tenho muita certeza de que não existe isso.
A vida como ela é, é em todas as plataformas.
O que mexe com as pessoas é que as palavras – antes perdidas em cartas, em bilhetes, em livros – as palavras voltam a mostrar a força que têm. E qualquer anônimo (como eu) ganha publicidade – isso sim é uma novidade e tanto.

Hoje celebro feliz uma volta com tempo para minhas revistas.
E deixo a caretice e a hipocrisia de poucos para trás.
E a sacola de gente nova que trouxe comigo?
Nessa minha pequena volta ao mundo em 60 dias como foi bacana rever gente querida e conhecer gente animada.

E o Fernando, o Pessoa, sabia de tudo.
Alma grande é a chave.
Aceitar as pessoas como são.
Ter firmeza de caráter.
E fazer tudo valer a pena.

Sabe como vai ser meu dia?
Passar na oficina: ontem dei um esbarrão no carro enquanto passava um SMS. Perigo!
Andar com Alice na Vila.
Fazer reunião na revista.
Almoçar com as amigas.
Ter tempo e ver o mundo.

Um doce e um beijo.
Fui!

Escrito por anapessoa

bem que me disse: MENTIRA TEM PERNA MUUUUUITO CURTA
E ela está certíssima!

Escrito por anapessoa

Voltando para casa minutos atrás, ele me aparece do além.
Entra no meu carro, abre a janela e coloca o Cristo reformado na paisagem da pequena metrópole.
Coloca fundo musical na minha escuridão.

Toda vez que ouço essa música, a sensação é de que Cazuza continua aí.
Porque tudo o que ele descreve é hoje e não, ontem.

“São 7 horas da manhã
Vejo Cristo da janela
O sol já apagou sua luz
E o povo lá embaixo espera
Nas filas dos pontos de ônibus
Procurando aonde ir
(…)
Neste filme como extras
Todos querem se dar bem
Num trem para as estrelas
(…)
Eu vou dar o meu desprezo
Pra você que me ensinou
Que a tristeza é uma maneira
Da gente se salvar depois”

Fico pensando nesses artistas mortos.
Tanta clarividência…
Por isso ficam de longe rindo na nossa miséria.

O tal trem para as estrelas…
Tão óbvio e ainda tem gente fazendo fila na estação.

Hoje no francês, uma história que se repete.
Uma colega trabalha para um banco estrangeiro.
Problemas com a cultura.
Trabalho em excesso.
Ela vai puxar o carro e se mandar para Bordeaux. 6 meses de dolce far niente.
Todo mundo tem um caso parecido para contar.
Ninguém venha dizer aqui que estou usando de metáforas.
Não estou. Essa não é a minha história travestida de vida dos outros.

Na verdade o que me toca é essa sensação universal de estar fora da ordem.
Da nova ordem.
A questão do tempo.
Do pouco tempo.
Do trato.
Do prazer.
Do não ver a tal luz no fim do túnel.
E de sempre sentir que se está perdendo algo.
A grama do vizinho.
Juventude que se esvai.
Espaço que fica apertado.
A bilheteria que não tem mais passagens para Marte.

Na segunda-feira, um senhor me fez três perguntas.
Eu totalmente exposta, como carne seca no varal.

– O que é ser bonito?
– Do que você gosta?
– Você quer saber?

Isso virou uma mandala mística que abriu caixas, esconderijos, tirou pó, franziu testa.
Aquelas perguntas martelando na minha cabeça e abrindo mais e mais perguntas.
Eu querendo entender tudo.
Ou seria esconder?
Foi muito diferente.
Em outro momento, talvez eu não estivesse pronta.

Escrito por anapessoa
18 mai

acordar
quebrada
tosse
amuada
correr
muscular
trabalho
tosse
roteiro
dor
dummont
passarinho

Cá entre nós
E os bons e velhos tempos
onde era tudo
sessão da tarde?

“My salad days, when I was green in judgment.” – (Act I, Scene V).
William Shakespeare

Escrito por anapessoa
18 mai

E derrubada.
Dizem que foi a vacina da influenza.
Amanheci de cara inchada, com dor de garganta, tossindo.

Momento ótimo para ficar em casa…
But…

T’is neither here nor there” – (Act IV, Scene III).

I will wear my heart upon my sleeve for daws to peck at” – (Act I, Scene I).

E tenho lido.

Escrito por anapessoa

Num dia de sol, azul
Num dia cinza, foco
Ter coragem com medo
Ter fé
Fazer o que é certo até por que tudo errado?
Automático

oOoOoOoOo

Quando eu estou lááááá embaixo, tenho vontade de rir.
Já contei do homem morto e eu rindo sem parar?
Pois veja você
Dilma agora é Mandela.
Menina de 16 não pode sem blusa
Ai, Nosa Senhora da Pachorra anti-Ministério Público
Lena Horne era branca
Ava, negra
Na Espanha, juiz vira réu
Franco tem quem o defenda
E tem gente que ainda gosta de Cuba

Onde eu fui parar?

Escrito por anapessoa

Quando o sapato aperta, os amigos estão aí.
E quando não aperta, também.
E tudo é publicado via internet.

Hoje li um post sensacional. Leia no original e divirta-se!
http://gawker.com/5538497/how-to-blog-about-your-messy-divorce?skyline=true&s=i

Uma mulher de bilionário publica em detalhes todos os bastidores do divórcio. O marido é dono da montadora de automóveis elétricos Tesla.
5 filhos, uma amante mais nova, ela + um blog.
Ela conta tudo numa boa, do encontro com a outra na casa do ex até o que ela está pedindo na partilha de bens.

E a Gawker levanta as lições da história: desnudar-se não é auto-destrutivo se for feito de maneira racional, transparente, sendo possível inclusive ganhar simpatia. Ah! Fale mal de você mesmo antes que seus inimigos o façam.
O jeito anti-americano de ser (segundo eles, o jeito francês).

Divertido.

oOoOoOoOo

Efeito colateral: troquei meu querido Blackberry por um odiado iPhone.
Depois de dois meses, consegui passar a minha ex-linha corporativa para meu nome e tive que comprar um aparelho às pressas para devolver o antigo.
E adivinhem: blackberries estão em falta!
Tive que me contentar com um iPhone.
Resultado?
Meus emails não chegam à caixa postal, metade da minha lista de contatos desapareceu…

Escrito por anapessoa
12 mai

Hoje recebi de presente uma agulhada profunda na tiróide.
Para mim, nada, mas nada mesmo é por acaso.
Eu, você e todos nós estamos aqui por alguma razão. Seja ela bem pequena. Porque essa mania de achar que viemos para brilhar é coisa de baiano (risos).

Talvez minha missão seja tomar agulhada na tiróide.

Melhor que a do menino que é o unico sobrevivente do vôo que matou 103 na Líbia.
Eu não consigo imaginar como ele vai fazer limonada dessa tragédia.
Mas ele tem algo a fazer. Ou já fez.

oOoOoOoOoOo

Mudando do suco para o vinho, depois de muita correria, tempos de “tempo”.
Eu não sei mais o que é isso.
E em vários posts, questiono.
Na segunda-feira, tive um dia atípico.
E isso foi muito forte.
Fico aqui pensando que essas coisas pequenas que insistimos em deixar de lado são o tempero que dá graça.

Agora que aprendi a comer comida saudável de novo, tenho um novo desafio.
Agrandar esses pequenos detalhes que tornam cada dia especial.

Escrito por anapessoa

Careta engraçada by Beta Germano

Essa danada dessa internet. Um amigo conta que vai ser pai, convida para o chá de bebê e indica via email um blog de uma empresa que faz fraldas ecofriendly.
Eu faço o pedido por email, faço um doc eletrônico e voilá! Presente a caminho.
Outro amigo manda email contando que descobriu um amigo que esteve morando anos no Japão e está em Sampa, CEO de uma empresa.
Eu ligo para o amigo que deu a notícia para saber tudo – ora, a internet vai até certo ponto.
Você se lembra de como era o mundo antes do email? Eu não…

OoOoOoOoOo

Eu fico pensando se um vidro quebrado em meio a uma tempestade (que não é em copo d`água) não provoca mais confusão…

Enfim, muitas vezes é preciso de todo um cenário.

OoOoOoOoOo

Tenho conversado com vários amigos – todos com mais de 40 – sobre os filhos teens ou conhecidos de vinte e poucos.
A tal da geração Y é motivo de muitas histórias.
E todos que são pais têm uma opinião: educação.
Que a geração semi-nova se ache a última balinha do pacote, que não tenha paciência, que não ouça bem (quase nenhum passa no teste de audimetria para conselhos e ordens)…
Arrogância, fraqueza de caráter e outras acusações feias não podem ser  características geracionais. Abomino pesquisas que apontem para uma generalização tão tosca.
Isso parece desculpa de época de ditadura. É assim porque é assim.
Mas que tem gente que se aproveita da brincadeira…
Isso tem.

Escrito por anapessoa
9 mai


Chuva no Rio.
Eu passo em frente ao Othon Olinda.
Othon Lancaster.
O tempo cinza e eu lembro das compras modernas que fizemos com meu pai.
Rock in Rio II.
Richards.
Roupas coloridas para ele se misturar às tribos.
E ele ficou parecendo um gringo – daqueles com blusa florida.
E vinha gente falar em inglês com ele.
E ele usava todo o vasto vocabulário – yes, no, ok.

“Enfrentou” um dia inteiro.

No dia seguinte, não quis ir. Preferiu perambular pelo Rio.

Eu fui sozinha – com um taxista horrorizado por estar com uma menina “jogada na multidão”.
Foi me buscar na volta e não quis receber a corrida.
Pensou no tipo de gente que me criava.

Meu pai ficava muito bem com roupas coloridas.

Escrito por anapessoa