28 abr

Hoje tive um pesadelo tão engraçado, mas tão engraçado que acordei às gargalhadas.
Eu não posso contar porque eu iria perder um tempão para chegar ao fim da história.

look book

Mas tem a ver com mundo digital – o assunto de ontem.
Então vamos à dimensão paralela.

A idéia de ser digital, para mim, tem tudo a ver com Caio Fernando de Abreu. Escrevo umas frases dele que sei de cabeça.

” Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada ‘impulso vital’. Pois esse impulso ás vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como ‘estou contente outra vez’ “

O Caio deve ter sido aquele cara que levava desaforo para casa.
E transformava em literatura.
Porque só tem uma época na vida em que acreditamos que falar por último ou ser naif/irônico é muito importante. A época em que não somos humildes.

Pois o mundo digital é Caio. Ele transforma a paulada de hoje no conforto de amanhã.

Estou chegando em casa agora – sai para uma reunião as 19h e acabei perdendo o francês e ouvindo o que aquele homem tinha a dizer. Ele não me contou muita coisa nova. Mas jogou uns números doidos no ar.
Vocês viram que a Fiat está fazendo um carro todo baseado em palpites e idéias dos internautas? 30 mil enviaram suas elucubrações para a montadora.
E o Brasil que tem 40 milhões de habitantes nas redes sociais? E, segundo avisa Rodrigo Guzman, é também o país campeão de pedidos de “censura” no Google. Dizem que tem a ver com direito de propriedade…
Ah! Na América Latina estão os habitantes que passam mais tempo em frente do computador.

Adoro, adoro estatísticas socio-culturais. Acho que tem a ver com ter nascido numa família de engenheiros, estatísticos, matemáticos… E uma advogada fora da curva – minha mãe. Aí nasci híbrida. Risos.

E o que eu acho da tradição? TV, jornal, papel? Eu não troco meu Baudelaire de verdade por um kindle de plástico.
Mas ainda vou ter um kindle.
E você?

Termino esse post híbrido como eu com duas sacadas do Caio que são daquelas de fechar o boteco e de pedir mais uma em outro lugar, um lugar desconhecido.

“Tenho tentado aprender a ser humilde. A engolir os nãos que a vida me enfia pela goela a baixo. A lamber o chão dos palácios. A me sentir desprezado-como-um-cão, e tudo bem, acordar, escovar os dentes, tomar um café e continuar.”

“Está ficando tarde, e eu tenho medo de ter desaprendido o jeito. É muito difícil ficar adulto.”

Escrito por anapessoa
27 abr

A Geek (traduzida no Terra) hoje vem com uma pesquisa ótima: “Americanos ficam 60% do tempo na web móvel em redes sociais.” O que dizem:

O surpreendente é que apenas 14% do tempo é utilizado na visualização de portais, categoria tida como a segunda mais popular, segundo o Mashable. “Isso demonstra como as redes sociais acabam impactando o tráfego na internet móvel”, disse o vice-presidente de marketing da Groud Truth, que realizou a pesquisa. De acordo com os dados levantados pela Groud Truth, em algumas semanas o uso de mídias sociais a partir de dispositivos móveis chega a superar os acessos a partir de computadores pessoais em sites direcionados ao uso móvel em comparação a redes sociais criadas para o uso em computadores, como o Facebook ou MySpace, destaca o site PR-USA.

Para o site TechShout, essa pode ser a estatística que faltava para fazer com que as grandes redes sociais, como o Facebook ou o MySpace, e também empresas de publicidade passem a se interessar pelos usuários que navegam a partir de dispositivos móveis. (TERRA)


Vivendo num pais onde a população não tem dinheiro para comprar um computador (com CPU), tenho certeza que a onda já chegou por aqui. Pois  acompanhem os números:

- em 2001, 15% dos brasileiros tinham celular;

- em 2008, mais da metade dos brasileiros com de dez anos de idade ou mais, ou seja, cerca de 86 milhões de pessoas, tinham telefone celular para uso pessoal

Ser moderno X ter discurso modernoOs dados são da ‘minha’ consultadíssima Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad – IBGE), divulgada em dezembro do ano passado.

A coincidência é que hoje, ouvindo rádio no carro, ouvi o especialista em novas mídias contar que uma TV a cabo (Alô AC, é da sua empresa mesmo que estamos falando) quer investir 15 milhões de dólares para oferecer acesso, mas a nossa legislação não permite. A empresa não está fazendo nada por bondade, mas porque sabe que existe mercado.
Pois temos celular, mas o acesso à rede ainda é caro e com cobertura ruim.
O comentarista alfinetou o presidente, que defende a democratização digital para aumentar o acesso ao conhecimento… Mas nao muda as leis e finge que nao pode fazer nada. A discussão é grande e poderíamos passar horas aqui…

Para resumir, eu acho que a rede é algo que já existe. E tem uma força capaz de derrubar gigantes.
Já discuti aqui a história do Kindle e o direto à propriedade – que é um gigante travestido de Robin Hood.
Sobre esse tema do post, penso que é preciso quebrar preconceitos e entrar logo nessa onda.

Como a história prova, quem ficar de fora, vai pagar caro por isso. E quem entrar por entrar, vai se queimar. Mas para dar essa virada, é preciso coragem – pois como tudo na vida, a diferença entre o discurso e a ação muda a história.

Escrito por anapessoa
26 abr

Responda rápido e sem pensar: o que você faz com 11 anos de história?
Eu ando batucando este samba na minha cabeça. E não encontro enredo nem melodia.
Dizem por aí, que uma coisa atrai a outra.
Pois meu plano A ruiu por completo. Não tem choro nem vela.

Tudo ao mesmo tempo e agora, dona Ana.
Desta vez, mais do que sempre.
E você vai ter que decidir.
Casar ou comprar uma bicicleta são questões muito mais fáceis de resolver.

Hoje, com calma, comecei a mudar algumas coisas na vida. Coloquei prioridades.
Comer – direito e na hora certa – uma vez.
Fazer ginástica para o estresse sair junto com o suor.
Parece bobagem, mas não é. Está difícil para caramba de fazer.

Ainda não parei para respirar e sei que isso atrapalha. Mas é só o que consigo controlar agora.
Comer uma vez por dia na hora certa.
Fazer ginástica 2 horas por semana.

Como é difícil nascer e renascer a cada dia.

Escrito por anapessoa
25 abr

Vesti uma camisa listada… Quem mandou mudar para Belo Horizonte?

Mudou-se para Belo Horizonte, trabalhou na Rádio Mineira e entrou em contato com compositores amigos da noite, como Rômulo Paes, recaindo sempre na boêmia. De volta ao Rio, jurou estar curado. Faleceu em sua casa no bairro de Vila Isabel no ano de 1937, aos 26 anos, em consequência da doença que o perseguia desde sempre.

Que lindo não chegar aos trinta e não ter que pensar no que não fez.

Você suspeita que eu não seja um bom sujeito.
Para tudo conte comigo.

Quem conhece essa mulher
é que sabe o que ela é

Segurança era a única coisa que ele não desejava
“Now we rise, and we are every were”

pelos caminhos que ando
um dia vai ser
só não sei quando

Ce qui suit dévoile des moments clés de l’intrigue.
On comprendra, après mes explications, que je l’aie dit sans aucune intention de blasphème et seulement avec l’affection un peu ironique qu’un artiste a le droit d’éprouver à l’égard des personnages de sa création.

Porque se chamava homem
Também se chamavam sonhos
E sonhos não envelhecem

Maybe I have been here before
I know this room, I’ve walked this floor

Os “primeiros erros” inauguram uma fatalidade que, de elo em elo, semeará a desgraça numa família, inevitáveis seqüelas da irresponsabilidade e da desobediência.

Para mim, e isso pode ser muito pessoal, escrever é enfiar um dedo na garganta.

Escrito por anapessoa

Do lado direito, Ana Pessoa a caminho do aeroporto

A vida na telinha é muito mais bacana.

Esse blog, por exemplo, é muito provavelmente uma cópia baratinha de uma série sem muita audiência de uma TV da América Latina. As histórias tentam sempre acabar “para cima”. Mas não escondem aquele exagero latino – com drama, cor e nonsense.

Eu, por exemplo, estou pagando a língua e o cartão de crédito por ter ousado pensar em voltar na Executiva nessa última viagem.
Pensei, reservei e iria perguntar no balcão. Viajei, ainda não paguei e o caso virou tema de auditoria. Ai, como é duro nascer na Classe B e ter cara de Classe C. Nem pensou, já está errado com direito a reprimenda.

Hoje, pleno sábado de sol, tive que deixar dois leitores/colaboradores de fora da “minha” revista – seria minha se não tivesse uma “arte” tão complicada e com tantas vontades que não têm nada a ver com um produto feito para ser bonito e vender. Vira egotrip e falta de traquejo social. Explico a puxada de tapete: o tema que era “casamento americano” descambou para uma velhusquice de “renda”. E aí a crônica com história e a bolsa descolada ficaram “too much” para essa edição. Sarah e Leo, estou devendo várias para vocês. E estou com vergonha. Mas foi-se o tempo que editor era chefe…

Na real, a gente faz cara de paisagem e finge que “la vita è molto bella”.
Aqui, por exemplo, só o lado rosa. As fotos, escolhidas, as histórias, editadas.
Não preciso repetir que ainda não dormi o que o corpo pede. Que ando adiando decisões de vida por puro medo e uma grande dose de preguiça.
fim de carreira, aqui vou euQue gastei 250 paus para fazer pé e mão e dar uma hidratada no cabelo.
Mas a foto ao lado é a própria ressurreição de Nelson Rodrigues, meu líder espiritual.
Onde se vê viagens para lugares inusitados e vida “loca”, leia-se falta de rumo e um exibicionismo visceral.
Onde o cabelo desalinha e a noite promete, leia-se “Facebook e hoje, assim como ontem, fiquei com sono”.
Neste sábado promissor, não fui dançar música cubana, não aproveitei o visual “saidinha do salão” para agitar por aí (com a barriga para dentro).
Esquentei a sopa de mandioquinha congelada (8 minutos e um twist de sal marinho), tomei o vinho que abri ontem – portanto estava com a temperatura abaixo do ideal e mostra que poderia ter deixado para lá.
Porque ter mais de 30 e 5 é um porre muitas vezes.
Sem o pique de quem tem a vida toda para errar.
Sem a garra para brigar até o último minuto.
Sem coragem para começar tudo de novo.
E meio de saco cheio para quem tem vinte e acha que sabe tudo ou que tem tempo para dúvida.

Andam dizendo que estou meio sem humor. Justo eu!
Nelson, meu pai, ajude-me.

Peguei meu conselheiro – tomo 4 da coleção da Cia. das Letras – e eis que ele me escreve:

“Somos burros, burríssimos.

… se o diáfano espectro de Maria Stuart virou crioulo, há de ter sussurrado: – Vá jogar assim no raio que o parta!
Mas eu dizia que toda a cidade parou. As nossas madames Bovary, as nossas Anas Karêninas suspenderam seus amores e seus pecados, das três às seis. Os bandidos do Leblon não assaltaram senhoras nem crianças.
(…)
Ontem ninguém era credor nem devedor.
Éramos apenas brasileiros, da cabeça aos sapatos. No centro da cidade, durante o jogo e depois do jogo, toda a cidade se inundou de papel picado. Chovia tudo das sacadas. Quando Garrincha fez o segundo gol, até papel higiênico foi atirado das janelas altas. Mas a nação inteira crispou-se de sonho.
Doce escrete do Brasil! Nós o malhamos, aqui, como se ele fosse um judas de sábado de Aleluia. O Maracanã, o Morumbi, o Pacaembu e o Mineirão vaiaram seus craques. E, assim humilhada e assim ofendida, partiu um dia a seleção nacional. Partiu para a gigantesca jornada do Tri. E aconteceu o milagre: a distância aproximou o escrete do povo. Sim, o exílio deu-nos a verdadeira imagem do time brasileiro.”

De duas, uma: ou vou jogar futebol, ou atiro papel higiênico da janela.

Canto I Do Inferno

Escrito por anapessoa

Virei a minha ampulheta hoje. Essa história de dar a volta ao mundo mexe com a gente.
São tantas informações e um sentimento de ser pequeno que é preciso descarregar a bateria toda para voltar.
E, como de costume, a volta foi violenta. Trabalho no feriado, fechamento de mais uma revista, redação cansada e um ou outro nervosinho – para deixar o time eclético.
Hoje dormi sete horas. Penso que não faço isso há mais de dez dias.
Não estou descansada. Mas satisfeita com o resultado. O olho ainda arde, mas lutei contra minha rotina.

...

Eu fico bem chateada quando não tenho tempo de escrever.

É que as idéias vem e vão embora. É preciso agarrá-las enquanto é possível.
Não me pergunte muito sobre a Austrália. Na “cidade mais distante do mundo”, você não vai ao restaurante, vai ao posto de gasolina trocar óleo pois tudo é frito, gordo, insosso. Vale pela cerveja – tomada na hora imprópria e bem gelada.
Para chegar a Sidney, cinco horas de avião. O Brasil fica pequenino.
O que me deixou louca foi a Nova Zelândia. Só pisei no aeroporto mas, do alto, vi verde claro, verde escuro, verde musgo.

A tal da energia faz o mundo girar.
Trouxe um queijo de lá. Mineiro é assim.

Nesses dias de cão, fico pensando nos egos.

Quando a gente perde o senso, o que acontece? Querer mais sem estar pronto para compartilhar. Poder é um negócio complicado. A briga é grande, mas poucos são os escolhidos.

Nesse blog que hoje nasceu enferrujado, lugar comum, penso, penso mas não coloco as idéias no lugar fora de casa.
Ultimamente ando rebelde.
Abandonei as vitaminas.
Segunda volto a minha ginástica. Ando procurando sem pressa uma yoga para voltar.
Fico pensando como Alice: “será que perdi o caminho?”

Em Pinnacles desert

Escrito por anapessoa
Tags: Escapada
22 abr

SAILING TO BYZANTIUM

I
THAT is no country for old men.  The young
In one another's arms, birds in the trees
-- Those dying generations -- at their song,
The salmon-falls, the mackerel-crowded seas,
Fish, flesh, or fowl, commend all summer long
Whatever is begotten, born, and dies.
Caught in that sensual music all neglect
Monuments of unageing intellect.

II
An aged man is but a paltry thing,
A tattered coat upon a stick, unless
Soul clap its hands and sing, and louder sing
For every tatter in its mortal dress,
Nor is there singing school but studying
Monuments of its own magnificence;
And therefore I have sailed the seas and come
To the holy city of Byzantium.

III
O sages standing in God's holy fire
As in the gold mosaic of a wall,
Come from the holy fire, perne in a gyre,
And be the singing-masters of my soul.
Consume my heart away; sick with desire
And fastened to a dying animal
It knows not what it is; and gather me
Into the artifice of eternity.

IV
Once out Of nature I shall never take
My bodily form from any natural thing,
But such a form as Grecian goldsmiths make
Of hammered gold and gold enamelling
To keep a drowsy Emperor awake;
Or set upon a golden bough to sing
To lords and ladies of Byzantium
Of what is past, or passing, or to come.

trabalho em qualquer lugar do Globo

Escrito por anapessoa
17 abr

Cheguei em Perth as duas da manha. Fui dormir as 6.
As dez, estava de pe, trabalhando.
Agora sao quase sete da noite. Não almocei, vi algo da cidade e estou a caminho do deserto Pinnacles.
Infelizmente não pude parar para falar com a turma do Rio e dar uma volta antes do trabalho. Uma conhecida que mudou-se de Londres e mora em Perth – tem dois filhos, casou com um australiano.
Ela tambem não vou poder encontrar.
Estou escrevendo via celular.
Letrinhas do tamanho de pulgas.
Minha avo tem um ditado que e otimo.
“Muitos proveitos não cabem num saco so”.
Pois eh assim: viajar e não conhecer os lugares.
Conhecer hoteis.
Nesse dia tao corrido, conheci o “dono” do carnaval do Rio. Boa gente. Alma aberta.
Conheci o piloto bonitao que tem casa na Austria, mas vive ho Hawai.
Falei com o frances no melhor frances que pude.
Falei com o colega ingles que me apresentaram em Abu Dhabi.
Estou com dez pessoas num onibus.
Tirando os brasileiros, temos uma australiana e uma hungara no grupo.

Uma hora para chegar.
Sao nessas pausas obrigatorias que eu tenho ganas de escrever.
Por isso sou compulsiva por blackberries. Porque de um jeito ou de outro escrevo.
E me tranquiliza.
Mas eu jah estive melhor nesse oficio.
Tudo tem altos e baixos.
Agora entendo o que eh viajar sem sair do lugar.
E a reciproca tambem.

Escrito por anapessoa
17 abr

Em Perth, mais descabelada que nunca. Pensando muito. Escrevendo pouco.

Escrito por anapessoa
Tags: Escapada
14 abr

Anotei algumas coisas para escrever a manhã a caminho de Singapura.

Perguntas: quem engana mais – a imprensa ou a propaganda? Fazer passeio de Helicóptero na chuva é cool?

Gente que adora julgar os outros é insegura? Ou puxa o tapete?

Salzburg é a terra do Playmobill? Onde anda Mozart?

Você gosta de chocolate? Ou prefere marzipã?

Existe lugar ideal? Ou são as pessoas que estragam tudo?

Para registrar, nem a ONU reune tanta gente de tantos lugares: Irã, França, Turquia, Croácia, Alemanhã, Irlanda, Brasil, India, Nigéria, África do Sul, Holanda, Inglaterra… E tem mais – eu que estou esquecendo.

Abaixo, um dia de Penélope acabada.

fui buscar minha aeronave

Fui buscar minha aeronave perdida

Escrito por anapessoa