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Minhas unhas vermelhas

domingo, 2 de agosto de 2015

Antes eu queria a festa, o momento.
Hoje eu quero o microscópico.
Em dois meses, eu voltei a ser a Ana com 20.
Mas com uma vida de 40.
Não foi a farra que veio, foi a carga pesada arrastada com com correntes que se foi.

De repente me vi montando um altar de flores.
De bons pensamentos.
Eu me lavei com sais, lavanda, acreditei na pedra energizada.

Eu tinha todas as certezas.
Minha bota do exército.
Minha roupa preta e um cabelão de medusa.
Um parceiro da vida inteira.
Um futuro.

Hoje eu tenho uma idéia.
Eu passo um batom, encho o peito de ar e vou.
Não levo nem a bolsa.
Eu simplesmente vou.

Eu ando muito leve, quase sendo levada com o vento.
E descobri que o caminho ainda nem começou direito.
Peguei um atalho enorme.
E cheguei em lugar nenhum.

Mas eu sou daquelas que caminha sem parar.
E, demorou, mas eu não tenho onde chegar.
E tudo bem.
Eu vou.

As coisas (realmente) simples

sexta-feira, 22 de março de 2013

Assim, sem mais

Os tais mais de 30.
Com vinte, eu queria e fazia tudo – mas não tinha a mínima idéia de onde isso iria parar.
Com trinta, festa!
Eu não tinha mais 20.
E continuava com a metralhadora a postos.
Agora, com muuuuuito mais de 30, aponto certeira.
Sei o que não.
Mesmo quando não sei, digo.

As coisas verdadeiramente simples.
No lugar de um posto, de uma cadeira, uma jornada.
Tenho adorado meu trabalho.
Novo, radical, desafiador, maluco.
Meu número.
Vida de caixeiro viajante.
Minha sina.
Tem, claro, um certo glamour, uma certa malícia.
Mas não tem ponto, meninada chata, masturbação de firma – quem comeu quem ou quem se deu bem (desta vez).
O pau, quando quebra, tem cara de Cassino em Mônaco.
O último que sair, gaste umas fichas com scotch para ouvir quem perdeu.

Hoje rua Augusta, segunda no Carlyle com Woody.
Cabelos antes negros e curtos, novamente louros, rebeldes e mais longos.
Cor de cenoura enferrujada.

Abri minha conta nos EUA.
Comprei o que não deveria na Saks.
Vi Liza Minelli ainda em grande forma.

E foi apenas mais uma semana de trabalho.
Quando penso em Dubai, dá vontade de gargalhar.

 

гла́сность

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Houve um tempo em que para ser minha a revolução só se misturassem vodka no meio.
Hoje um simples ir a academia já é para convocar o Fidel e o Raul.
Publicar na Granta.
Radical?
É conseguir encaixar 200 assuntos numa agenda curta.
Correr para pagar.
Pagar para ver.
E tirar álcool.
Cortar açúcares.
Ficar cansada com essa coisa de casa nova.
De lua cheia.
De seca.
Ah…
Ando encantada com essa перестройка particular.
O meu velho espírito rebelde, que grita, que raspa a cabeça.
A serviço apenas de um dia mais leve.
De dois minutos para um café.
De aceitar que nem tudo é para funcionar.
Que o agora – assim mesmo – é tudo o que nos basta.
E resta.

Seriam os 40 chegando?
(Temo pelo blog e por nós:
Não fica bem ter diário inventado aberto na rede.)