Posts com a Tag ‘academia’

Academia

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Ontem voltei a malhar.
Peguei leve: duas aulinhas de mocinha.
Alongamento com as vovós e localizada com aquelas que um dia juram que vão ter bumbum empinado.
Fui na hora do almoço.
Fui de bike.
Já saí pronta, de malha, para não perder muito tempo.
Olhei para o meu corpo no espelho.
Há dois meses, parei de correr e de fazer toda e qualquer atividade física.

O corpo é algo espetacular.
Olhei para minhas colegas – malhadoras de plantão.
E eu lá: a anti-academia em Pessoa Ana.
Eu com minha malha de dez anos atrás.
Body de yoga de algodão com elastano. Pochete de neoprene velha.
Elas todas uniformizadas – o que é legal. Olhei os tênis da moda: coloridos.
Os tons de turquesa.
Os tecidos tecnológicos que vestem bem e secam rápido.

E eu.
Meu pernão de Romário campeão de 1994.
Meu tríceps saltadão de ashtanga.
Minha saboneteira que carrega um sabonete Granado de um lado e flûte à champagne no outro.
Minha barriga – que é uma barriga. Nem inha nem ão. Ela não faz feio.
Pensei nas estrias: minhas listras que amo e que adquiri num estirão de crescimento, muito antes de ser mãe.
Lembrei da colega maldosa em Cuba me perguntando o que eram estas cicatrizes e eu, com um bikini minúsculo, explicando que são fruto da destruição de fibras elásticas e colágenas na pele.
Fruto do crescimento. É o corpo dizendo que quem manda é ele.
E eu tinha um corpo sarado quando a maldosa tentou achar um defeito na piscina olímpica do Fidel.
Eu me diverti – este tipo de jogo feminino nunca me pega na curva.

As minhas estrias são alinhadas e grandes, 4 ao todo – duas de cada lado.
As do meu irmão são iguais.
Olhei minhas ancas largas, ossudas, e minha bunda inexistente.
Tem gente que tem barriga chapada, eu tenho bumbum reto.

E minha força de Bruce Lee.
As colegas levantando 2,5kg, pegando anilha de 5kg para colocar na barra.
E eu testando 2,5; 5, 7, 10kg.
Eu sou forte para caramba.
Sempre fui.

Não vou me esquecer daquele reveillon na pós-adolescência em que o cara pegou 3 vezes no meu braço para conferir o músculo.
Na época eu fazia karatê.
Olhei para ele e fiz: “-Bu!”.
Ele se apaixonou e começou o ano novo segurando nos meus dois braços.
Não largou do meu tríceps nem um segundo.

Olhei para o espelho e gostei do que vi.
Este corpo tem história.
Não é feio.
Não é capa de revista de malhação.
Mas ele é meu e está lá, inteiro, apesar do meu descuido.

Vi meus braços fortes.
Olhei minha canela mais fina do que o normal – mas as coxas grandes.
Dei um sorriso para mim mesma.
Eu sorrio com todos os dentes.
Em volta da minha boca, nas laterais, surgem umas dobras bonitas.

Pensei comigo: como é bom ter 40 anos.

Compulsividade

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

jason

Compulsão é uma pressão interna pela qual o sujeito é compelido a realizar certos atos ou a ter determinada conduta.
Compulsividade…

Compulsividade é uma palavra que ouvi ontem ao descer 36 andares de elevador.
Descer 10, 12 andares é uma coisa. Descer 36… Dá para ouvir estas e outras barbaridades.
Em segundos que não passavam, a moça falou quatro vezes de uma outra pessoa.
Disse que o que a atrapalhava era a “compulsividade”.
O interlocutor: “É a compulsividade que mata“.
Mata o português do coração, isso sim.

MERETRÍSSIMA é o novo tratamento dado a moças de vida fácil?

Hoje, subindo 36 andares, um entra e chama o outro de “excelentíssimo” – tratamento usado para altas autoridades.
Não chega a ser errado, mas como tem advogado de chama juiz de merEtíssimo
Vai saber o que o excelentíssimo do elevador quis dizer!

Mais um capítulo de MALHAÇÃO

Se a conversa de elevador vale um post, a conversa de vestiário de academia, no mínimo, uma pequena história.
Hoje, arrebentada com meus dois quilos recuperados a contragosto, peguei pesado na malhação.
Puro efeito moral.
Com as costas doloridas, ousei.
Estreei a sauna a vapor do vestiário.
Eu nunca havia entrado lá – pois é território de loucas e desocupadas.
Hoje estava vazia e gastei dez minutos de silêncio ali.
Saí feliz, revigorada, tomei um banho e fui para a trincheira do apocalipse.
Na área dos lockers, a conversa é de hospício.
Duas agradáveis senhoras de mais de 100 kg trocavam inconfidências sobre a vida amorosa.
A mais pesada contava que, agora, estava casada com um senhor 40 anos mais velho.
Ele era ótimo, perfeito, ideal, dava dinheiro e não pedia os recibos.
(!)
Antes a moça contava que viveu com outro homem por sete anos, mas o coitado não tinha dinheiro e o casamento desandou.
A amiga, compreensiva, participa ativamente: ganhou 12 quilos no último casamento.
Mas agora tudo era diferente: primeiro ela, depois o resto.
E iam desfiando a vida de gastança afinal, marido é para pagar

Traveca do Ronaldo

Eu não sei, mas tenho um desvio de gênero.
Como pode haver gente assim no mundo?
Eu não posso fazer parte dessa patota.
Ser mulher – para uma expressiva quantidade de anelídeos da classe dos hirudíneos marinhos, terrestres e da água doce – é ser sanguessuga?

hohoho

Em se falando em compulsão…
Hoje fui a um queimão de Natal. E comprei umas bolinhas decorativas.
Detalhe: nem árvore tenho.
Nunca decorei a casa, não sou católica e nem curto a comemoração.
A família, que quebrou o pau o ano inteiro por conta de grana dos velhinhos, fica linda reunida diante de uma mesa cheia de comes e bebes.
Todo mundo faz cara de paisagem.
Depois o ano começa…

Cabelo, cabeleira, cabeluda…

quarta-feira, 17 de junho de 2009

photo-1601

Cabelo, cabeleira
Cabeluda, descabela
Cabelo, cabeleira
Cabeluda, descabelada
Quem disse que cabelo não sente
Quem disse que cabelo
Não gosta de pente
Cabelo quando cresce é tempo
Cabelo embaraçado é vento
Cabelo vem lá de dentro
Cabelo é como pensamento
Quem pensa que cabelo é mato
Quem pensa que cabelo é pasto
Cabelo com orgulho é crina
Cilindros de espessura fina
Cabelo quer ficar prá cima

Laque, fixador, gomalinatwitter
Cabelo, cabeleira
Cabeluda, descabelada
Cabelo, cabeleira
Cabeluda, descabelada
Quem quer a força de Sansão
Quem quer a juba de leão
Cabelo pode ser cortado
Cabelo pode ser comprido
Cabelo pode ser trançado
Cabelo pode ser tingido
Aparado ou escovado
Descolorido, descabelado
Cabelo pode ser bonito
Cruzado, seco ou molhado

Simplesmente amo essa música da Gal.
E a cabeleira nova tem me dado um trabalho do cão…
Não me arrependo, mas também não me acostumei com tanto cabelo repicado, com tanto chifrinho, com tanta ponta…

Hoje acordei arrebentada.
Na hora de levantar, já fiquei meio tonta.
Pensei: é pressão baixa. Como e já melhoro.
Comi minha manga e meu morango picados com iogurte desnatado castanha de caju + linhaça e fui para a academia.
Já cheguei em câmera lenta.
Fiz pilates devagar quase parando.

Fui correr e foram os 6km mais longos da história.
No monitor na minha frente, como eu estava fora de mim, fiquei assistindo Ana Maria Braga e seu arraial no Projac.
Ela entrevistou a Cássia Kiss, que falava sem parar e sem pudor de seu novo amor.
Disse que largou o terceiro marido para se juntar com um cara que conheceu no aeroporto.
Achei tudo tão despudorado. Contar que largou o marido imediatamente. Dizer que esse, sim, é o cara da vida dela. Que o amor está por todos os lados.
Não sei.
Acho que essa coisa escancarada é obscena.
Sou mineira.
Amor é quase um poema.
E poema não é filme de sessão da tarde.
É para ser lido em lugar próprio, privado.
Fiquei horrorizada.

No banho, eu queria desesperadamente ter um banquinho e fica sentada debaixo do chuveiro com água gelada.
Para secar cabelo foi uma luta…
Odeio ficar sem energia…
Enquanto lutava comigo mesma, a mulherada no vestiário não parava de falar. A moto que o marido comprou.
O feriado com a família.
Uma tem distúrbio do sono. Na boa: lava 3 kg de roupa que dorme neném.
Risos machistas.

No mais, estou com amigo em casa.
Me conta que Gianechinni soltou a franga. E está circulando com um bonitão pelo Rio.
Tão engraçado: estamos no século 21 e os gays ainda não saem do armário.

E eu com vergonha da coroa que anuncia que descobriu o verdadeiro amor.

Ando ruim da cabeça…

Manual de sobrevivência na academia

segunda-feira, 25 de maio de 2009

peixeAcademia é aquela coisa: cumpra sua obrigação e se mande. Para quem tem menos de 20 anos… É para fazer tudo – inclusive malhar.

Para aqueles que, como eu, têm uns quilinhos a mais e aquele pneu do Tim Maia, depois de cumprida sua obrigação, você estará – com toda certeza – suado, pingando, com os cabelos dessarrumados e a roupa pronta para ir para a máquina de lavar (ou para o lixo).

Se você é homem, em meia hora já estará de banho tomado e no carro.

Se vc é mulher… Leia o meu manual – totalmente baseado em tentativa e erro. É um estudo antropológico de comportamento no vestiário da academia. Risos.

1) ARMÁRIO – Escolha um locker/armário em lugar com saída estratégica. Nada de ficar no fundão, ou no locker de frente para o espelho. Escolha um com fácil acesso para a saída, de preferência o da ponta.

Se vc não quer ficar presa entre a moça de 130 kg e a chata que acabou de chegar da natação (aquela que molhou o chão todo além de ter deixado um chumaço de cabelos pelo caminho), siga meu conselho. A fuga do espelho, é porque ele atrai as narcisistas. E você vai ficar no meio delas, sem conseguir se mexer… Elas precisam de mais espaço para fazer sua performance de pavão misterioso.

2) LINGERIE – Querida, abuse das monocromáticas. Preto com preto ou preto com preto. Preto também é muito bom. Porque as fofas olham tudo. Se vc quiser colocar aquela La Perla especial, ou um fio dental, prepare-se para ser medida dos pés à cabeça, e para ser criticada pelas costas, claro. Mesmo que vc tenha o corpinho da Gisele. E nem a Gisele tem corpinho de Gisele.

Até para pisar na grama, ela é útil.

Até para pisar na grama, ela é útil.

3) HAVAIANAS no pé, sempre – até para tomar banho.

Nem pense em colocar os pés naquele chão cheio de cabelos e água da piscina. Semana passada uma aluna mirim da Fórmula contava que estava com micose na unha, mas que estava usando um remédio “super legal” que a mãe mandou. Eu quase tive um troço! Passei álcool no pé e tudo. Imagina o caldo de micose que virou a piscina… Ainda bem que meu negócio é esteira, pilates, abdominal.

4) CHUVEIRO. Ao escolher o chuveiro, vale a tática do locker. Escolha o que tem só um vizinho – assim você evita ficar ao lado ou – pior – no meio de duas gralhas que batem papo enquanto tomam banho. E também leva menos água alheia… Porque tem gente que nasceu para pato.

5) CHUVEIRINHO – o salva-vidas. Ele serve para você dar uma geral no ambiente antes de entrar. Porque as fofas lavam o cabelo e deixam meia-peruca para trás. Nem tente entrar sem dar uma chuveiradinha aqui ou acolá.

6) TAMPÃO DE OUVIDO – Gente eu não sou obrigada a saber que a “Aninha está namorando um fulano que saía com outra fulana que tem um motorista manco…” O tampão de ouvido é a coisa mais prática do mundo. O dia que inventarem um iPod à prova d´água vai ser melhor ainda.

7) SECADOR – objeto útil para secar o pé e se livrar da cabelada pelo chão. Use-o sem moderação. Mas um só. Porque tem gente que precisa de dois, um para cada neurônio. Se alguma companheira jogar um jato quente em você, revide. A liberdade de uma  termina onde começa o jato quente na sua cara.

8) TOALHA – a toalha é fornecida gratuitamente para que você enxugue o corpo e não para jogá-la no chão cabeludo, certo?  E se alguém jogar a toalha perto de você, jogue-a dentro de um locker. A fofa vai demorar uma hora para achar a toalha e pegar de volta a carteirinha dela.

9) EQUIPAMENTOS – a centrífuga serve para vc fazer barulho e sair com a roupa ainda bem molhada. A balança serve para todo mundo espiar e espalhar o seu peso para todos os funcionários da academia.

E força na panturrilha!

jane

Wrong Place

quarta-feira, 8 de abril de 2009

dog

Ouvido hoje na academia.
As personagens: duas peruas que chegam às 6h30 am para malhar.
Tomam banho às 10h na academia, secam cabelo e colocam outra malha para continuar a fazer ginástica.
Local: chuveiro
As fofas, aos berros, afinal, a academia é praticamente a casa delas.
– O fulano é péssimo.
(O fulano é o novo namorado de uma amiga)
– Fala para ela que esse não serve! Ele se separou, tem dois filhos e voltou a morar com os pais. Nem trabalha!

Eu, correndo para vir para o trabalho, pensando na vida, no cartão de crédito: o roto falando do mal lavado…

E diz minha amiga Mariana, que trabalha das 5h da matina às 13h, que já ouviu a mesma turminha contando que está na moda – entre elas – tomar um medicamento na veia que seca o leite materno.
Tudo para o peito não cair.
Como diz Mariana: “-Quem se interessa pelos peitos duros de uma mãe megera?”

Realmente, meninos, não é fácil!

Por aqui, meu som ambiente é a música do filme Rocky, aquele, o Balboa!
Estou me achando! A vontade é de sair pelos corredores dando socos no ar.
Consegui lançar no SAP as cinco viagens que fiz.
O Alê até fotografou! Eu com as notas – que já foram despachadas para o Financeiro – com Jorge Clerc dando apoio moral…
reembolso
A cara amassada, ferrada mesmo é porque foi duro.
Foram horas de negociação para os chefes aprovarem a burocracia no SAP e outras horas para lançar as malditas notas num sistema que é em espanhol… Táxi entra em parquímetro – que, ao que me consta, é estacionamento.
Ninguém merece.
Mesmo!

E meu momento atual é totalmente suicidal tendencies at work.
Ontem bati boca com o comercial da revista – que não vende anúncio, mas critica a redação.
Hoje quis abandonar o presidente no meio de uma entrevista.
Se a moda pega…
Um dia desses eu viro celebridade.

Já vejo até minha estréia na mídia.

“Gerente LatAm sobe no palanque, faz discurso, diz o indizível. Metade da firma se demite, Metade recebe aumento. Gerente é demitida e vira consultora do Justus”
Sucesso (?).

O maravilhoso mundo…

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

gossipHoje no banheiro da academia, ouvi a seguinte pérola:

– Menina, eu e ela montamos um ateliê. Estamos fazendo roupas sobre medida.

A conversa era entre duas moças de mais de quarenta, paulistas ricas.

Eu quase tive um troço e caí desmaiada. Roupa sobre medida…

Aqui, quanto mais ricos ficamos, é quase regra: menos o português interessa, menos a ética, menos o que for obstáculo para chutar o pau da barraca… Por que isso? Será que tem a ver com nossa origem de colonizador? Do cara que chega para levar o seu e devastar o que ficar?

Enfim, hoje, terminando a novela da minha nova mesa, chegamos com nossas coisinhas para o lugar que nos pertence. Pergunta se alguém se levantou para ajudar? Eu, que sou sempre econômica e meio cigana, tinha pouca coisa para organizar. Mas minha diretora, com 7 anos de casa, tinha o mundo para trazer. E ficamos nós duas, organizando as coisas e as pessoas fingindo que não era com elas.

O maravilhoso mundo da internet. 

É bom porque é sobre medida para quem tem muita ambição e pouco estofo.

Mas também é bom para nosotros! Yeah!!!