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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Uma vista para dividir com os amigos

Papai Noel,

este ano eu fui uma menina má.
Eu menti para você.
Eu não fiz nada do que esperavam de mim.
Eu meti o pé na estrada.
(e na jaca)

Poxa, Papai Noel, 2010 não foi bolinho.
Meus conterrâneos colocaram a carrancuda na presidência e ela já anunciou o Palocci.
Dizem que Ciro vem na sequência.
Francenildo vai ter que pedir asilo no Afeganistão.

Papai Noel, nem te conto.
Me disseram (e eu não duvido) que o Lula-lelé pretende, na calada da noite vermelha, aprovar a compra dos caças franceses e libertar o italiano terrorista e assassino.

Mas não tem nada não.
O Scorsese avisou que vai trabalhar com Robert De Niro pela nona vez.
A turma da Wikileaks ameaçou: tem mais uma papelada para jogar no ventilador explosivo da web.

Hoje fechei contrato do meu novo apartamento.
Hoje também não peguei engarrafamento.
E fiz uma hora de yoga bem feita.
Saí como a mulher gato depois da hérnia de disco.

Ah, Papai Noel, aqui em casa não tem chaminé.
O síndico distribuiu uma carta avisando que a instalação de gás vai custar 31 mil.

Papi Noelis, além de renas, anões, gnomos, neve e nariz vermelho, aí onde você vive tem gente engraçada como o finado Mussum?
Aposto que é como na Suécia, onde as mulheres levam estuprador para almoçar e oferecem a própria casa para ele passar a noite.
Mas não foi lá que começou a Stockholmssyndromet?

Papai Noel, deixa tudo para lá.
Só porque fui uma menina muito má e não acreditei em você – isso não é motivo para se estressar com o eleitorado.
Quem sabe em 2011?
Faça um pedido e mande sua cartinha.

Essas rainhas egípcias

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Cléo que se cuide

Cléo que se cuide

Olha, a chuva atrapalha as caminhadas, mas acelera a cidade. E como eu sou/ando em ritmo de maratona, fico muito confortável com esse  movimento. É uma coisa “corrida maluca” ao som de polca com um copão de café aguado na mão e o blackberry na outra. No meu caso, o copão de café perde lugar para o tchai-latte.
Sei que essa terça foi um tanto mística.
Depois de um imbroglio com Apple Store, Fedex, concierge… Um dizia que meu pacote estava na Florida, outro dizia que iria me ajudar, mas por email, outro dizia que o pacote estava comigo – roteiro ótimo para Os Três Patetas… saí correndo para o escritório. Nao era para trabalhar, era para fugir da bagunça. Da confusão.
Almocei – sem fome – mais para fazer uma gentileza para um colega. E dá-lhe a maravilhosa sopa francesa de cebola. Hey, conterrâneos, quando é que a moda da sopa vai parar no copinho aí no Brasil?

Escritório e voltinha pelo Rockefeller Center.
Essa cidade é da tríade SP-Bsas-NYC: velhas conhecidas e muito queridas.
Aqui ando com uma segurança de protagonista de novela das oito… 

E, como sempre, bati meu ponto na loja do Metropolitan Museum. Decidi ser sócia-contribuinte do museu. 50 dólares e desconto em tudo durante um ano. Ai, ai, petite bourgeois qui sait très bien que la célébration se terminera… Comprei lembrancinhas para as meninas do trabalho. Para os queridos.
Flanando pela ala de jóias (acho o máximo o fato de o museu reproduzir peças históricas e colocar a venda), experimentando pulseiras de design egípcio (uma de cobra que faria Cleópatra querer me envenenar), logo fiquei amicíssima do vendedor gay chic de meia idade. Com ele, viajei para mil mundos. Coloquei peças art-deco, braceletes do Afeganistão, brincos persas, pingentes russos, etc. E uma vendedora veio louca atrás do meu brinco indiano de dez reais. Tirei para que ela visse, ele caiu no chão e se partiu. Tudo certo, acontece. Aí outra vendedora pediu informações sobre as fitas que eu usava para prender o cabelo. Fitas com miçangas de madrepérola nas pontas (que uso para fazer yoga). Quer saber o que aconteceu… Cheguei no hotel e tinha perdido uma delas… Foi-se uma, ficou outra.

Cheguei no hotel com minhas sacolinhas cheias de objetos com reproduções de obras de Klimt, Matisse, Chagall… Ia sair na chuva e pensei… melhor ficar quietinha.

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Para nao parecer que sou uma louca alienada, dois comentários.

1) Cuba: o país onde preso político morre em greve de fome e fica preso sem motivo aparente.

2) Estados Unidos: o país onde patinação artística tem uma baiaca sem a menor delicadeza que roda como enceradeira da vovó.

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Mais um dia e ciao.

O nome dela é Caster Semenya

quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Responda rápido: qual das moçoilas parece homem?

Responda rápido: qual das moçoilas parece homem?

A sul-africana arrebentou nos 800m. Chegou 2s45 à frente da segunda colocada nesta corrida.
E tem só 18 anos.
Diferente, foi acusada de ser… Homem.
Nenhuma adversária foi cumprimentá-la depois da prova. Recebeu um único abraço: o da bandeira sul-africana.

A polêmica já começou nas eliminatórias. A queniana Jepkosgei liderava uma bateria quando foi tocada por Caster Semenya na última curva. A queniana sofreu uma queda e foi eliminada. Conseguiu no tapetão participar da final. Para perder – sem tombo.

Ser diferente.
Não ser mignon. Não ter o nariz da fada sininho. Não ter a pele alva.
Não fazer biquinho para falar.
Não ter os cabelos lisos e sedosos e louros e brilhantes.
Não comer pouco.
Falar palavrão.
E, além de tudo, ser a melhor do mundo.
Aí ferrou.
Ser diferente, negra e boa para caramba?
Só sendo homem.

No meu caso. Não consegui ser a melhor do mundo. Em nada. Risos.

Voltamos a minha última obsessão
(gosto da tradução do Houaiss – ■ substantivo feminino
1 Diacronismo: antigo. suposta apresentação repetida do demônio ao espírito)

Madonna.

Onde Sean, Carlos e Guy erraram? Onde Jesus acertou?

E voltamos às diferenças. Se uma diferença pesa muito, ela separa? Ou o momento atenua?
E, de fato, existem semelhanças?
Eu não tenho a menor vergonha de dizer: tenho pavor de encontrar meu clone.
Imagine alguém como eu. Seria um horror, um inferno.
Mas meu oposto também é um pesadelo.

Em 2002, voltei ao Brasil com uma sensação muito nova no peito.
Queria fugir. Para algum lugar. Para fora do planeta.
É sério.
Depois de uma longa temporada na ilha de Fidel, vendo gente pobre e instruída sofrer de falta de liberdade, os Estados Unidos se preparavam para invadir o Iraque. E invadiram no dia do meu aniversário: 19/03/2003.
As Torres ainda ardiam nos olhos de Bush. E o petróleo corria em suas veias.
Hoje, abro o jornal: 95 mortos no Iraque. Medo de votar no Afeganistão – moradores temem ataques dos Talebans. No Rio, duas inglesas condenadas por dar o golpe da mala roubada (para receber o seguro). Na política, ex-presidente escapa de acusações pesadíssimas. No barato, o cara usou (muito) dinheiro público em benefício próprio. No esporte, campeã da corrida é suspeita de ser homem.

Quando é que os caras começam a vender passagem para Marte? Eles aceitam vale-transporte? O carro como entrada?