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Apressadinhos comem sushi?

sexta-feira, 5 de junho de 2009

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Ontem foi anunciada a morte de David Carradine e nossos amigos internautas rapidamente atualizaram a Wikipédia. A imprensa mundial contou que o ator havia se enforcado em um quarto de hotel em Bangcoc.
Hoje…  A história mudou: assim como o cantor do INXS, o ator teria se asfixiado numa brincadeira sexual. Vexame é dar a nota de correção: o cara não se enforcou com intenção de morrer e, literalmente, morreu de prazer (segundo a legista tailandesa).

Sobre o sumiço do avião da AirFrance, o ministro brasileiro Nelson Jobim já saiu dando declarações. Assim que avistaram uma placa de metal e duas bóias no mar, o ministro – em entrevista coletiva – não só decretou que o local do acidente havia sido encontrado, como que não havia sido uma explosão e que a mancha de óleo avistada no mar era dos tanques do airbus.
O material encontrado foi analisado e constatou-se que não pertence ao avião. E mais: a mancha de óleo também não. A França desceu a lenha: chamaram Jobim de BAVARD para baixo! Tá certo.

Tirando o mau gosto do político que quis aparecer para o Mundo passando por cima de 228 vidas, apressado, em português do Brasil, come cru.

No mundo da internet, come sushi.
Não interessa o que vc faça, se você for o primeiro, tem grandes chances de virar um milionário.
E aí que a porca torce o rabo: o cara viu, chegou, venceu.
Mas os que ficam para tocar o negócio não podem ter a mesma “cultura”.
É preciso planejar.

E deu hoje no BlueBus sobre o Twitter.
Para a Time, o que há de mais interessante a respeito desta plataforma é que nós usuários estamos utilizando o sistema para fazer coisas com as quais os seus criadores nunca sonharam. “Em poucas palavras, o mais fascinante a respeito do Twitter nao é o que ele está fazendo conosco. É o que nós estamos fazendo com ele”.

Para esse post não terminar cheio de ditos populares, vamos de Clarice Lispector. E um conto com um quê de afobação.

No conto Uma galinha (Laços de família) tudo começa como história da Carochinha:
Era uma galinha de domingo…” E a família perseguia a galinha que seria servida no almoço.
Mesmo quando a escolheram, apalpando sua intimidade com indiferença, não souberam dizer se era gorda ou magra. Nunca se adivinharia nela um anseio.”
Mas a galinha foge. E a família corre atrás dela. As outras penosas do galinheiro não mais interessam.
E ela é capturada. Mas “…de pura afobação a galinha pôs um ovo. Surpreendida, exausta“.
E aí não é mais uma simples galinha. É uma galinha-mãe. E vira rainha.
A galinha torna-se a rainha da casa“.

Já a outra galinha, mesmo com todo seu ar de importância não próprio, mas o ar que se refere à áurea que a ela atribuíram, e que de nada valia para sua “vida de galinha”, “pensada com cabeça de galinha”, cabeça porém “vazia, de galinha” e vivendo para seu fim eminentemente de galinha: “até que um dia mataram-na, comeram-na e passaram-se anos”.

O ovo ou a galinha?
Quantas metáforas. Quantas histórias.
E nós procurando bichinhos no chão. Presos no galinheiro.