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O sol em São Paulo

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Sim, meu querido, alguém tem que trabalhar.
Eu e minha dupla dinâmica saímos amarrados pela vila ensolarada.
Perdemos um pé de meia.
Demos olá ao padeiro e um beijo no costureiro.
As vovós e mulheres de idade sempre nos olham com aqueles olhos muito doces de quem ficou para trás.
Sem rumo e cheios de hiatos, andamos com muita firmeza.
Cantamos canções com vogais.
Levamos sustos com caminhões.
As ruas estavam sujas – resquícios do futebol.
Vitrine.
Compramos uma para nós e outra para um africano.
São ambas negras e idênticas.
Simples e sem amortecedor.
Queremos sentir as pedras.
Engolir vento.
E não, não usaremos jamais um capacete – de queda não morreremos (sabemos).
Alice deve ir atrás.
Pirulito na cesta.

…para ler e ouvir: À bicyclette

Kona Africa Bike Three

Fio de luz e as vespas

terça-feira, 18 de outubro de 2011

tosco e limpo

Dormindo pouco – como me sinto melhor.
Viciada em comprar algodão em rolo.
Fazendo bolinhas com as mãos.
E o mundo gira, gira, gira, gira.
Aqui dentro, músicas de todos os tempos.
Manhattans, Áfricas e Casablanca. Ad Dār al Bayḍā.
Um ritual sufi na Via Láctea.

Deus é amoroso.
Mas faltou trazer meu negroni.
Quero aquele gole que o velho uruguaio me ofereceu em Punta.
Desci da bicicleta motorizada. Olhei para a cor de laranja e ele, elegante e desafiador, ofereceu.
Bebi sob o sol de 21h.
O bar aplaudiu e a bicicletinha me levou longe e rápido.

fina e sujinha

Sem saber se venta ou faz calor.
Sem querer saber.

E eis que um fiapinho de luz entrou.
Revelou os dedos do pé direito.

Sumiu o frio, pensei em Havanas, Jardins Botânicos, janeiros em São Paulo.
Comecei a contar.
Um, dois, três, quatro, cinco.
Cinco dedos, cindo dias, cinco noites, cinco semanas, cinco – tantas coisas.
Cantar – eu sou multicoisas.

Saí de mim e fui viajar.
Deu vontade de nadar.
E as árvores balançavam forte – eu vi.
Como um furação no Caribe.
Cabe uma árvore dentro do apartamento?
Só a de 30 milhões de anos, Pinus succinites.

Calorzinho bom.
Musiquinha caipira.
Drink dos anos 20.
Cheiro de limão capeta.

Uma tarde de âmbar.