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Ressaca

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Quando chove na metrópole, o mundo para.
Árvores desistem.
Faróis de carros parados criam uma atmosfera de filme noir.
Meia-luz e céu sem estrelas.

Eu? “Elucubrista”.
E o pau que a Yoani anda tomando?
Como se o governo da Ilha merecesse mesmo qualquer defesa.
Enquanto isso, a Venezuela reedita seus fantoches.
Se fossem checos, talvez tivessem graça.
No outro continente, heróis da perna de pau enjaulados.
Chinês que paga por cirurgia plástica em cachorro.
E moças que se autodenominam “rycas”.

Os dedos coçam para ler toda poesia de Leminski.
Fazendo as contas, tenho 6 anos para beber mais do que ele.
Por que poesia…
Tmbém posso começar a fazer judô.
Por que não?

No Rio, faz 40oC à noite.
Como filhos fiéis, todos de cervejas a postos e pés na areia.
Rio.
Pouquinho.

pelos caminhos que ando
um dia vai ser
só não sei quando
(p.l.)

62 anos da morte de Gandhi

sábado, 30 de janeiro de 2010

Aprendi através da experiência amarga a suprema lição: controlar minha ira e torná-la como o calor que é convertido em energia. Nossa ira controlada pode ser convertida numa força capaz de mover o mundo.”

Mahatma Gandhi

Depois do corpo de Gandhi ter sido cremado, as cinzas foram dadas a amigos, família e seguidores. Agora, 62 anos depois, algumas dessas cinzas foram devolvidas à família e serão espalhadas sobre o litoral da África do Sul, país onde o mahatma morou por 21 anos. Foi marcada uma cerimônia em Durban.

Tirando o Leonardo, única pessoa sabe ler devanágari, vai uma tradução livre para mahatma: a grande alma…

O que me impressiona em Gandhi é a força da não violência ou ahimsa (em sânscrito, अहीमर ahimsâ).
Ele criou uma espécie de escola, a Satyagraha (सत्याग्रह) = satya (verdade) + agraha (firmeza, constância). Força da verdade.

Gandhi empregou o satyagraha na campanha de independência da Índia e também durante os anos que passou na África do Sul. A teoria influenciou Martin Luther King na campanha pelos direitos civis nos Estados Unidos.

A não-agressão, uma forma não-violenta de protesto, não tem nada a ver com passividade e pode até implicar em desobediência civil.

Segundo o próprio Gandhi,

“Tenho também a chamado de força do amor ou força da alma. Eu descobri o satyagraha pela primeira vez no início da minha busca pela verdade que não admitia o uso da violência contra um adversário, pois o mesmo deve ser desarmado dos próprios erros com paciência e compaixão. E o que parece ser verdade para um pode ser um erro para o outro. E paciência significa auto-sofrimento. Assim, a doutrina passou a significar reivindicação de verdade, e não pela inflição de sofrimento sobre o adversário, mas sobre si mesmo.”

povaoGandhi propôs uma série de regras para satyagrahis em campanha de resistência (que é o nosso caso, pois estamos lutando para respirar…):

1 – Trabalhar sem ira
2 – Sofrer pela ira do adversário
3 – Nunca retaliar a agressões ou punições; mas não submeter-se, sem medo de punição ou agressão, a uma ordem dada com fúria
4 – Apresentar-se voluntariamente à prisão ou ao confisco de seus próprios bens
5 – Se você é responsável por uma propriedade, defenda-a (de forma não-violenta) com a sua vida
6 – Não amaldiçoar ou praguejar
7 – Não insultar o adversário
8 – Nem saudar, nem insultar a bandeira do seu oponente ou dos líderes do seu adversário.
9 – Se alguém tenta insultar ou agredir o seu adversário, defenda-o (sem violência) com a sua vida
10 – Enquanto prisioneiro, se comportar com cortesia e obedecer os regulamentos da prisão (exceto aqueles que são contrários ao auto-respeito)
11 – Como um prisioneiro, não peça tratamento especial ou mais favorável
12 – Como um prisioneiro, não seja rápido na tentativa de ganhar conveniências cuja privação não implicam qualquer prejuízo para a sua auto-estima
13 – Alegremente obedeça as ordens dos líderes da ação de desobediência civil
14 – Não selecionar ou escolher quais as ordens que deve obedecer. Se você achar que a ação tenha algo de impróprio ou imoral, corte sua ligação com a ação totalmente.
15 – Não fazer a sua participação condicionada à companheiros que cuidem dos seus dependentes enquanto você estiver participando da campanha
16 – Não se tornar sua causa, não virar um querelas de coisas banais
17 – Não tomar partido em disputas, mas só auxiliar aquele partido que está comprovadamente certo
18 – Evitar ações que podem dar origem a conflitos banais
19 – Não tomar parte nas procissões que a firam a sensibilidades religiosas de qualquer comunidade

Eu não cumpro nenhuma completamente (!), pelo contrário, descumpro várias… Fiz o cálculo, só 6 salvam (e mais ou menos) no meu currículo…
Para ajudar a gente como eu, ele criou um programa de 5 pontos ou atitudes:

1 – igualdade;
2 – nenhum uso de álcool ou droga;
3 – unidade hindu-muçulmano;
4 – amizade;
5 – igualdade para as mulheres.

Nesse daí, eu tenho que dar uma garibada no 1 e adotar o 2 (aliás, check up nota dez – nem o álcool me derruba!).

Igualdade, amizade – parece tão fácil…
Quem sabe? Você topa tentar?