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Eita de novo

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Segundona começando quente.
Técnico da Net às 8h em ponto.
Corrida para a hidro geriátrica – meu chinelo arrebentou e fui arrastando a sandália para a piscina.
Piscina gelada e a semana gritando…
Conversa com a empregada. Demissão.
Essa vida de gente grande que não releva, não tem um tão grande coração.
Corrida para a Berrini, templo dos grandes negócios.
Almocei com um novo amigo querido que chegou atrasado na história.
Fuga para ver tudo o que não posso comprar.
Trabalho – não rendeu nada.
A cabeça fervilhando. Trabalhar para pagar tudo o que não posso comprar.
Briguei com o WalMart de novo.
Comprei panelas chinesas, panelas avacalhadas.
Vieram com boca oval e tampa rendonda. Devolvi.
45 dias depois, mais panelas.
Vieram com as bocas cortadas – como se fossem um adereço da Lady Gaga. Pedi socorro, não quero mais WalMart – nunca mais nem de novo.
Marquei reunião.
Cancelei reunião.
A semana nem começou e já quero um domingo de novo.
Comprei um software de demissão.

(Funciona tanto e tão bem que penso em fazer automedicação)

Sobre a gentileza e o abuso

quinta-feira, 3 de março de 2011


Abrir o coração.
É mais um sacerdócio do que uma escolha.
Em tempos modernos, é rara exceção.

Quem entra em minha casa, sente cheiro de pão de queijo imaginário.
Café recém-passado.
Broa de fubá.

Geralmente todo esse começo brejeiro acaba em burro n’água.
É o “amigo” gringo que deixa a conta de celular de 500 reais de presente.
A antiga empregada que enterra o gato no lixo…

Em janeiro, contratei uma moça para trabalhar em casa.
Nova, magra, mãe de uma filhinha de 3 anos.
Recém-chegada da Bahia. Animada.
Lenta para algumas coisas, esperta para outras.
Fui com ela na creche pública da Vila Madalena.
Vibramos ao conseguir a última vaga disponível.
Esta semana, começaram as “aulas”.
E minha vida virou um inferno na torre.

Ela começou a chegar atrasada porque tinha que deixar a filha na nova escolinha.
Às 11horas, tinha que buscá-la. Na primeira semana é assim: tudo aos poucos, para a criança adaptar. ok por mim.
Pois meu travesseiro passou a ser o da menina. Minha colcha de piquê.
Meu bidê. Meu bolo de limão.
A casa, toda de pernas para o ar.
A cozinha numa bagunça total 24 horas por dia.
A TV de 5o polegadas.
E o banheiro sem papel higiênico.
Meu computador virou plataforma de dedo-martelo.
Minha cadeira foi arrastada corredor afora.
Minha comida acabou no prato da cachorra.
Para completar, conjuntivite.
Segunda-feira num olho.
Você tem água boricada? Eu, Rosa?
Terça nos dois.
9h e ela me liga da creche.
Iria passar no posto de saúde.
Chegou ao meio dia e meia com um atestado para faltar cinco dias.
Conjuntivite altamente contagiosa.
Com maldade, pensei: belo carnaval para você.

E eu, do alto do meu pão de queijo e do café quentinho, dei um chilique.
Contido, sem grito ou gestos.
Só falei.
Aqui, paga-se bem pelo trabalho.
Se você não aguentar a pressão, melhor encerrarmos.
Ela chorou a tarde inteira.

Minha casa de pernas para o ar.
O almoço foi 15h.
Não deixou as frutas pedidas.
Alice ficou apertada – a porta fechada.
Às 19h a casa mais ou menos. Foi embora.

Meu coração cheirou a café recém-coado de novo.
Quase descongelei aqueles preciosos pães da vovó.
Tomei meu banho quente.
Biscoitos de goiabada.
Piquei minhas frutas.
Liguei música clássica.

Como seria o Brasil se não fosse Casa Grande e Senzala?
Se todos tivessem boas escolas?
Se o metrô e os ônibus atendessem a todos?
Se o posto de saúde fosse sério.
Se a creche tivesse visão holística?
Meu blog existiria?
Ou seria enxovalhado em uma rua qualquer do Marais?

Apontar, fogo!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Clocks slay time… time is dead as long as it is being clicked off by little wheels;
only when the clock stops does time come to life.
William Faulkner


frase de botequim

Todo mundo conhece a expressão “ligado no 220V”.
Hoje foi um dia daqueles normais…
Correria, pressa, tensão no ar.
Na hora do almoço é que mais sinto essa “síndrome de coelho de Alice”.
As pessoas chegam afobadas, carregam os celulares, olham constantemente no relógio, pensam na comida que ainda não chegou, falam, falam sem parar, engolem o steak au poivre de quase R$100,00 sem saber o que comeram e partem – atrasadas – para mais uma reunião.

Celulares, iPads, Apples, windows – nos agarramos como viciados em nossas ampulhetas.
Twitter, facebook, blog –  as garrafas jogadas ao mar com mais um pedido de socorro.

Hoje fui almoçar com uma amiga e falamos de um reveillon diferente que tivemos.
De produtos para cabelo.
Da cachoeira de Ibitipoca.
De viver e sobreviver numa corporação.
De tanta gente que não se permite errar.
Ou que se amarra nas obrigações contemporâneas – trabalho, dinheiro – e perde o foco.

Responda rápido você fez algo para se agradar hoje?
Não falo de auto-indulgência…
Falo de dormir um pouquinho mais porque você estava cansado, comer uma comidinha diferente para sentir novos sabores, de encontrar alguém que te faz bem…
Caminhar, pedalar.
Comprar pipoca e ir ao cinema em plena quinta-feira.

Aqui, pela internet, a gente não sente cheiro, não ouve a respiração.
Pelo telefone, a gente resume a história.
E, na televisão, todo mundo é louro, sorridente e tão superficial.

Então, repito a pergunta, o que você fez para você hoje?
E para alguém que te faz bem?

Em meio à corrida da Serra Pelada, ao sonho de ganhar na loteria e a muletas em forma de religião, crendice e adivinhação, amigos postaram na rede e achei engraçadíssimo.
Confiram vocês mesmos o horóscopo “de verdade” e não se levem tão a sério.