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Indomável

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

A wild being from birth
My spirit spurns control
Wondering the wide earth searching for my soul

(Lou Reed)

Comecei este post em 2013.
E ele ficou aqui adormecido.
Hora de terminar porque não gosto de nada pela metade.

Ser ou ter, eis a grande e verdadeira questão.
Ter é maravilhoso – cada vez que recebo a conta meu condomínio penso em consultar um cardiologista…
Mas o ser tem sido a minha grande descoberta dos últimos tempos.
Ser tudo e com intensidade.
Sem vergonha.
Faladeira.
Começando o caminho da espiritualidade – justo a mais cética. Ou uma das mais.

Não jogar.
Não brincar com o outro.
A não ser que o jogo seja aberto, com regras sobre a mesa.

Deixar-se ir com o rio.
Com a água salgada do mar.
Simplesmente pegar o carro e dirigir duas horas para passar mais duas horas com os pés na areia molhada.
E voltar atrasada.

O ser que te faz objeto.
O que te devora.
O que te venera.
O que te pede calma.
O que chega sem licença.

Este lado de quem beijou o túmulo de Oscar Wilde segurando em uma das mãos uma taça de puro Absyntho.
Este lado que te quer inteiro.
Sem performance.
Sem sucesso.
Sem capa protetora de super-herói.

A Ana artista, cantora, malabarista.
A Ana, antes raivosa, agora cheia de mantras e mandingas.
A Ana que ainda estende a mão para quem morde.

Ser mordida.
Com força.
Ficar roxa por dias e dias.

Voltar a erguer o corpo inteiro em um só braço.
Pernas para o lado.
Respiração e força no períneo.

Este ser indomável.
Que se afunda nos bares da Praça Roosevelt.
Que te dá tudo até tesão.
Que carrega o anel de 75 anos de um pedido.
Que se despe sem vergonha e sem preconceito.

Que resolve passar uma quinta-feira inteira na cama.
Que te dissolve.
Que te resolve.

E que, no fim, volta sozinha de táxi.
Sim, sou eu.
Eu não tenho medo – nunca tive.
Mas já caí no abismo – não foi culpa minha, foi um acidente de carro.
E, talvez, por isto mesmo, eu não tenha medo.
Minha hora não era aquela.
E quando for, será.

Eu quero apenas o abraço sincero.
O eu te amo de quem verdadeiramente abre a alma.
Não quero seu dinheiro.
Seu sucesso.
Seu desprezo.
Sua inveja.

Quero o sapo.
Aquele que, depois do beijo, continua sapo.
E eu te beijo sem parar.

Mas continuo indomável.
E te assusto.

 

Curriculum do B

sábado, 24 de novembro de 2012

Quero vender bala no sinal (farol, meu!) depois da meia noite.
Ou ser negociadora de lagostas na feira da Vila Madalena.
Quero virar corretora de imóveis de menos de um R$1 milhão.
Ou abrir uma pet shop especializada em jabutis.
Quero, quem sabe, ser modelo de pés descalços, tatuados e com unhas vermelhas em fim de tarde.

Moro na Pequena Maçã (e adoro).
Sou obrigada a ter segunda residência na cidade maravilhosa (e adoro mais ainda).
Trabalho para o povo do Tio Sam.
Tenho serviçais, sou mucama também.

Adoto idéias mirabolantes.
Invento mil coisas impossíveis.
E torno todas as coisas bem mais difíceis.

 

Você se lembra dos meus cabelos negros?

Filipa

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

 

me acho (às vezes)

Minha santa, da família Pato, solte minhas asas.
Com novas taças finas, tão lindas.

Com meu novo trabalho
(algo de incrível).

Com meus problemas – todos – escondidos debaixo do tapete.

Com meu gás.
Meu álcool.

Meu torso de Sofia.
Nada de lábios ou mandíbula.
Peitos.
Não me queixo.

Ando meio devassa.
E nem chegou a sexta-feira.
Pobre de você.

Coitadinho.

Frescor

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Ana, Ana, Ana, Ana, Ana

Saio de casa (apressada).
A cadelinha vidente se recusa a comer.
Regras e rotinas grudadas na geladeira.
Corretores correi.
Corri.

10h30, CEO.
12, sócias (novas).
14h30, uma conversa.
Táxi adorável este que me trouxe.

Amanhã, demissões.
Sindicato.
Tudo tão centro de São Paulo que dá vontade de ficar.

Volto com o coração aos pulos.
Barrancos.
Não tiro a maquiagem.
Ando na praça.
Falo, falo sem parar.

Era tudo isto mesmo que eu queria de volta
(…)

O pão impossível de cada dia

terça-feira, 17 de julho de 2012

prato vazio

E abriram a Le Pain Quotidien do lado de casa.
Saudosa de meus tempos sem lenço e com muitos dólares em NYC, fui logo matar as saudades.
Preparada para umas adaptações brazucas, fui surpreendida pelo cardápio: é o mesmo da rede lá fora.
O MESMO!
E, claro, sem demora, pedi o de SEMPRE…
Meus cereais matinais, a tigela de frutas, uma cestinha de pães, um bowl pequeno de café com leite.
A cachorra, pobrezinha, ficou do lado de fora – eu sentada e quentinha, ela na rua, olhando para mim com cara de abandonada.
Eu vendo a cara peluda e pensando nas inúmeras vezes em que quis levá-la comigo para dar umas voltas no Central Park mas fui impedida pela burocracia dos dois países.
Escolhi um assento na animada mesa coletiva.
Adoro ouvir as conversas dos outros, compartilhar a geléia, assuntar qualquer bobagem com um desconhecido.
Enquanto esperava pelo atendimento, encontrei a dona de uma cachorra que brinca com a minha; acenei para dois vizinhos queridos.
Fazia frio. As bochechas estavam rosadas.
Minha fome ultrapassava o que uma cesta de pães pretendia saciar.

E o garçom não veio.
Esperançosa, fui até ele.
Fiz o pedido.
Incluí ovos cozidos no meu pacotaço de desjejum.
Meia hora…
Vieram os ovos.
Mas não os talheres, o guardanapo, o sal.
Vinte minutos, a cesta de pães… Itens em falta: justo o pain au chocolat…
O suco de laranja, esquecido.
Mais meia hora.
Uma hora.
Abordei outro garçom, fiz sinal para o gerente.
Chegaram os talheres.
O ovo esfriou.
E com ele minha graça amarela de achar que, em casa, sentiria gosto de mundo afora.
Pensei no meu nouveau-richismo…
Nessa mania de achar que o que vem de fora é melhor do que há aqui.
Aos poucos, meus pratinhos foram chegando.
Todos muito parecidos com os da loja franqueada de Nova York.
Mas desencontrados.

Tudo embaralhado, desconjuntado, tudo sem a graça despojada de ser mais um na Grande Maçã.
Pedi a conta, paguei mesmo sem ter recebido a limonada com hortelã.
Observei os vários clientes desapontados com os serviços.
Os alegres que fotografavam rolinhos de canela.

De barriga cheia e com uma fome danada, voltei para casa.

Fome de quê?

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Aceita?

Meu dia se resumiu a duas cervejas e um pedaço de pizza.
Minha dieta se resumiu a fazer tudo às avessas.
Minhas idéias são resignadas: resistir de pé.
Meus pés não se cansam de caminhar sem rumo.
Meu mundo é bem mais ou menos.
Perdido.
Meu feriado ainda não terminou.
E não me lembro de quando começou.
Você pensou que fosse ser bom assim.
Eu sempre tive minhas dúvidas.
Elas, hoje, são dívidas.
Meus pés.
A culpa é toda deles.

Quedas e quedas

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Foco

 

 

No Rio, pó e pedra.
Não quis saber, ver, ouvir.
É como ir ao velório de um desconhecido e levar flores.

 

Por aqui, quedas d’água.
Eu abri o jogo em rede.
Muita gente se solidariza.
Outros apontam o dedo.
Louca.

 

Agora entendo porque, em São Paulo, o calor avisa que a chuva vai fazer a rua virar rio.
Fumo, nervosa, um cigarro imaginário.
Rio.

Voltando à ativa

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

descalça

Depois de milhares de emails, de uma temporada hospitalar e de agradecer ao cara que inventou a analgesia aos 7cm do último tempo, bora acordar para a vida?
Saber que tudo continua e você não pode parar.
Saber que vai ter que trabalhar para chegar ao que era antes – e nem é tanto assim e dá trabalho.
Rodar pelas ruas e avenidas e pensar em novos caminhos.
Ter que lidar com a vil realidade.
Ter que lidar com a falta dela.
Ser você e ter muito mais responsabilidade – mesmo sendo você.
Ser assim.
E ser assado.
Pensar e repensar.
Descobrir que agora não sois mais aquele.
E encontrar em você uma calma tão rara.
Nem choros nem gritos te comovem.
Nem aquela pessoa que nasceu para ser infeliz.
A vida é assim pequenininha.
E vamos tecendo nossas teinhas de aranha-aprendiz.
Para saber que água, o vento e a terra hão de desfazer o seu tricô.
E ninguém saberá que a pequena aranha existiu.
Nem vão ver a teia mal tecida que foi o que melhor que você já fez.

E tudo porque é impossível reinventar rodas.

Raizes e alguns galhos

sábado, 18 de junho de 2011

 

Mais curvas

Dias de inverno tropical com sol quentinho.
Calço meu tênis sujo.
Meu uniforme preto sobre preto.
Busco sol.
Busco cantos com árvores e sem gente.
Nada de notícias no jornal.
Escrevo um roteiro para um amigo que vai passar uma temporada em Paris.
Escrevo.

Quantas vezes em sua vida você teve tempo sozinho?
Sem ouvir.
Sem falar.
Sem nada para te obrigar.
E alterar o próprio roteiro só para brincar de Deus?

Ney Matogrosso canta Cartola.
Tudo no mundo acontece.

Ando pensando em deixar de ser morena.
Em setembro faz um ano.
Nova York está aí para isso, não?

Gosto da solidão animal.

o+o+o+o+o+o+o+o

Z

Diário

A obra veio para cumprir o seu papel: estressar, abalar, renovar, trazer novidades.
Digamos que estou de tocaia no quarto de hóspedes – que conta com roupa de cama fora do lugar e uma arrumação mínima para que minha alma repouse por algumas horas em alguns dias.

Sábado sem feira – liguei para meu contato que separou meu pedido e entregou em casa. R$60 pratas sem taxa de entrega.
Fui andar a esmo, com meus 9kg recém adquiridos. Que sirva de defesa: perdi 300g na última quinzena!

Eu e Alice, a cachorra pulguenta.
Alice ganhou remédio – matei uma pula-pula solitária que perambulava pela barriga dela na quinta-feira.
Andamos pelas praças, buscamos luz do sol.
Sem canto para me esconder, fico por aí como abelha, buscando nectar em jardins alheios.

Muita música e terminando o best seller do David Nicholls.
Na cozinha, frutas de todas as cores.
Um cheiro doce.

Meu gatinho velho não gosta de nada disso.
Escolheu meus sapatos dentro do armário para se aconchegar.
São 13h30 – vou ler as notícias de ontem só para me certificar de que nada vai mudar.

Então…

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Do contra e avante!

Biquíni, pé sujo de areia, cabelo despenteado não são da minha natureza.

Aí eu seco o cabelo para cima, coloco algo preto para dizer que nem tudo é arco-íris, uma jóia fora de contexto.
Dou um pulo fora de hora na piscina cheia de gente quase-famosa e molho uma boa parte dos circunstantes.
Levo a cachorra para o meio da pista e ela faz o maior sucesso.
Eureka.
Um vira-lata bicho ou homem quando faz uma boa entrada vira querido.
Passo a tarde na lagoa fazendo aula de hidroginástica com álcool.
E não fico pensando: “o que será do amanhã”.
Ontem à noite tive fome. Hoje de manhã também.
Hoje o sol deu trégua – e eu também.
A praia pode ficar sem a minha presença.
E o vento bate no meu rosto suado.
Melhor entrar debaixo do chuveiro de roupa e tudo.