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काठमांडौ ou a neve que derrete o calor

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

vazio agudo
ando meio
cheio de tudo

Paulo Leminski

Eu e meus três irmãos mais novos

Eu e meus três irmãos mais novos

Não bastasse roubar poemas, eu vou precisar da ajuda dos universitários do curso de psicologia.

Tenho a forte desconfiança de que progredi para aquela fase em que as crianças já com 4, 5 anos começam a fazer uma simples pergunta: “- Por que?”
Dizem que é a primeiro período da fase da latência, que vai dos cinco aos oitos anos. O que escrevem por aí:

Os problemas edipianos estão à tona, a criança impede os impulsos eróticos e agressivos. Em seu momento de lazer e nas suas horas vagas utiliza rituais mágicos, simpatia e etc. Seria uma forma de consolidar o seu superego.

O superego, também chamado supereu, é formado pelo conjunto de regras e proibições impostas pelos pais e pela sociedade e que foram interiorizados pelo indivíduo. É o fundamento da moral.
O id ou infraego é constituído por todos os impulsos biológicos (como a fome, a sede e o sexo) que exigem satisfação imediata. É o fundamento da sobrevivência individual e da espécie.
O ego, também chamado eu, é o elemento decisor dos conflitos travados entre o id e o superego, é portanto, o fundamento racional da personalidade humana.
Segundo Freud, estas 3 instâncias estabelecem entre si uma relação dinâmica, muitas vezes conflitual, de que resulta a conduta das pessoas. Assim, o comportamento de umas pessoas compreende-se pela supremacia do id e o comportamento de outras compreende-se pela supremacia do superego.

Pois, com algumas décadas de atraso, cheguei com tudo nesta fase do superego e o id não está com nada. O problema é que papai dançou, mamãe não manda mais e perdi o meu Código Civil. Superego retardado dá um problema danado… Pau que forma o superego torto, entorta de vez… E não me culpe, isso já professava Freud em seu jogo de biriba, depois de uma avaliação de um paciente com histeria.
Por que temos que trabalhar feito mouros?
Por que levar essa vidinha?
Por que sacrificar a vida real em algum trabalho que, você sabe, seja ele qual for, vai pagar suas contas, vai te dar um certo prazer, mas não vai te levar a Kathmandu… (exceção que confirma a regra para Ana Paula Padrão, Guta Nascimento e Glória Maria cujo trabalho levou a Kathmandu, mas, que azar!, o destino delas era Goa).

Eu passei 3 dias em casa tentando fazer algum sentido.
Hoje a rotina veio com tudo.

Eu, numa das várias reuniões do dia, olhando para a chuva batendo na janela do 36 andar e para o arco-íris gigante que surgiu na nossa Gothan Happy City, vulgo Sampa (roubei essa do Marco Assub). Foi tanta energia que a eletricidade falhou. Pena que num segundo voltou.

Um aparte: esse é o terceiro arco-íris que vejo em 11 dias de 2010. Será algum tipo de recorde? E se a gente chegar ao final dele, encontra o tal pote de ouro? Se passar por baixo, vira lobisomem? Eu topo!

Voltando ao superego: quem foi que me jogou tanta regra para eu ficar organizando tudo, menos o livro-caixa interior?

Ando ladra de frases alheias, mas só elas têm me dado alguma explicação… E só quero saber uma coisa: no lugar de parar o bonde, dá para passar a quinta a 280km/h que nem o Nelson Piquet e ainda chamar o Senna de boiola?

Meu espírito agudo e endemoniado anda me cutucando mais do que o que de costume. Dia desses apareço fantasiada de coelho da Páscoa no trabalho e distribuo bilhete premiado para as velhinhas na fila do banco.
Depois, quando o juiz mandar prestar serviço voluntário, juro que vou assaltar a fábrica de panetone e dar chute na caixa de esmola…

Nunca cometo o mesmo erro
duas vezes
já cometo duas três
quatro cinco seis
até esse erro aprender
que só o erro tem vez

Paulo Leminski

Vendo …

domingo, 16 de agosto de 2009

Photo 219Somos todos borderliners.
A nova gripe é só uma gripe.
O que ela tem de diferente? A outra mata mais velhinhos, essa anda matando mais jovens.
Nas embaixadas, todo mundo recebeu tamiflu.
O governo mandou suspender a propaganda de anti-gripais na TV.
Para o povo não sair se automedicando.
No trabalho, uma pessoa foi confirmada.
Mas a fofoca – no dentista, na academia – fala em multidões de contaminados.

A gente é assim, um espetáculo.
Para fugir dessa vidinha mais ou menos, uma gripe.

Recebo notícias de um amigo que vai fazer vídeo para o Ciro.
Já fez para o Kassab.
E lembro da baixaria da semana: Globo X Record.
Gente, que santo o meu. Santo danado! Eu não preciso ter crença ou fé, o santo tá lá.
Eu não faria matérias nem de uma e nem de outra.
11 minutos no JN para o Edir Macedo é política sim.
E a resposta, mostrando imagens das fachadas da Globo e dizendo que estão com medo da concorrência…
Um ex-colega, gravando passagem para dizer que a história é velha…
Roubo velho prescreve? Deixa de ser roubo?
Ana Paula Padrão e Celso Freitas lendo as chamadas… Senti vergonha por eles.
O que não se faz por um punhado de grana…
Ontem o site dos moços do dízimo foi atacado.
Engraçado ver os analfabetos em defesa da Globo (!).
Notícias de outra guerra particular.

Nas pesquisas, Marina leva 3%.
Dilma estaciona em 16%.
Melhor foi a Danuza… Como é para assinantes, reproduzo um pedaço da coluna de hoje.

Mas de Dilma não tenho medo; tenho pavor. Antes de ser candidata, nunca se viu a ministra dar um só sorriso, em nenhuma circunstância.
Depois que começou a correr o Brasil com o presidente, apesar do seu grave problema de saúde, Dilma não para de rir, como se a vida tivesse se tornado um paraíso. Mas essa simpatia tardia não convenceu. Ela é dura mesmo.
Dilma personifica, para mim, aquele pai autoritário de quem os filhos morrem de medo, aquela diretora de escola que, quando se era chamada em seu gabinete, se ia quase fazendo pipi nas calças, de tanto medo. Não existe em Dilma um só traço de meiguice, doçura, ternura.

São Paulo, domingo, 16 de agosto de 2009

Dilma, fofa, de você estou fora.

Com sua peruca de Sílvio Santos, seu jeito de guerrilheira mandona, seu currículo falsificado, sua mentira nada disfarçada… Não conte com meu voto. Não conte comigo. Conte com os pobres, os ignorantes, os que precisam de sua esmola.

Ai, como é bom fugir do mundo.
Começar a sexta em casa e só sair na segunda.
Lá fora, feira da Vila. O povo todo querendo pegar a gripe e virar celebridade.

No sábado, turma nova do francês. A bicha gorda, a suburbana exagerada, a patricinha de meia furada. O bicha discreto, a burra que se guia pelo GPS. O universitário de saco cheio. A armena inteligente e feia para cacete. O japonês barbudo. A pobre que subiu na vida. Essa turma promete.

Ai, como é bom simplesmente não fazer nada.
Nada.
Ficar vendo as horas passarem.
E não fazer nada.
Nem respirar.
Lendo Baudelaire e esperando o mundo acabar.