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A melhor época do seu ano

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

They always say time changes things, but you actually have to change them yourself.
Andy Warhol

Ne terminadas as chuvas que inundaram nossa virada do ano, começam a surgir as histórias de novos tempos.
Trabalho novo, filho que chega, gente que muda, casais que se formam, viagens.
Este período de pré-carnaval é o das inúmeras possibilidades.
É aquele momento em que o ano promete ser tudo e nós ainda não estamos cansados para desistir.

Sobre carnaval, vale uma palhinha inspiracional.
A festa surgiu na Grécia antiga, quando Pisistráto oficializou o culto a Dioniso, no século VII a.C.
Em Roma e na Grécia, a sociedade já era organizada em classes com rígida hierarquia e a mobilidade social era complicada.
A festa pagã surgiu como uma grande válvula de escape institucionalizada: bebidas e orgias, inversão de papéis – neste período, tudo era permitido.

Ao todo, eram quatro celebrações, em Atenas: as Dionísias Rurais, as Leneias, as Dionísias Urbanas ou Grandes Dionisias e as Antestérias, se estendendo de dezembro à março.
Em Roma, o homenageado era Saturno, deus da agricultura (Cronos em grego) que defendia a igualdade entre os homens.
Saturno, expulso do Olimpo, chegava com os primeiros sopros do calor da primavera e era saudado com festas e um período de liberação das convenções sociais.
Durante as chamadas Saturnálias, os escravos tomavam os lugares dos senhores.
Tribunais e escolas permaneciam fechados.
Depois dos excessos, a festa acabava com a lavagem das casas.

Nem preciso dizer que a Igreja Católica torceu o nariz para esse momento de anarquia anual e que só incorporou o carnaval em 590 d.C.

Pois então: prepare-se para o momento em que tudo será permitido.
Não interessa classe, gênero, conta no banco, estado civil, regime político.
Os meses de janeiro ou março são os mais interessantes.
As possibilidades se abrem sem impedimentos ou amarras e o ciclo se fecha com uma grande festa/catarse de 4 dias.
Pense nisso.
E vire outro na quarta-feira de cinzas.

Descobrindo os velhos amigos

quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Foto criada em 2009-11-23 às 14.20 #4

Experimentando rolinhos no cabelo

Recebi um email da Carine Reis, antiga colega de UFMG. O marido, Carlos de Brito e Mello, outro colega de UFMG, está fazendo sua estréia na Companhia das Letras. O rebento chama-se “A Passagem Tensa dos Corpos”. E quem conta a história melhor do que eu é ninguém menos que Affonso Romano Sant’anna:

http://www.affonsoromano.com.br/blog/index.php?atual=3&min=0&max=4

Quem diria… Temos um escritor de verdade na “velha” turma de 96. E seu apelido é Trovão.
Um moço calmo, discreto como bom mineiro, e… ESCRITOR com livro publicado e resenha de gente grande. Eu pareço a mãe da noiva, sabe? Estou na maior alegria por ele. E penso até em ir ao pós-lançamento (dia 28 não consigo porque tenho um compromisso jurídico, pode!?). Afinal, estou de férias – e férias é para isso mesmo. Para sair de prumo, mexer no passado, pisar nas Minas Geraes e não para rever Nova York, que sempre tem uma festa, mas não tem história.

Quanto mais mexo no meu baú, menos purpurina encontro.
E mais me acho. Que coisa!
Nessa vida de cigana, estou ficando com a tendência inebriante e perigosa de não terminar nada que comecei.
Algumas coisas são faísca, outras passam de uma década. Tudo com começo e sem fim.
E devagar com o andor porque nem tudo tem que terminar. Mas o processo é que tem que ser vivido.
E quando os carimbos no passaporte fazem volume, os processos nunca são vividos.
Esse pular de galho em galho é pura covardia.
No meu caso, eu pulo feito saci porque é da minha natureza.
Mas sou séria com meus processos.
O que acontece é que, ultimamente, a vida tem sido mais rápida que eu.
Eu corro, a vida corre, e não dá tempo de fazer a reflexão.
Mas estou alerta. Positivo. Operante.

O que você fez em 1996?
Eu fiz uma fotonovela para CD-Rom (!!!).
Copiei textos da internet (que era horrível – e citei fontes) para minha monografia. (!!!)
Gente, CD-Rom era a coisa mais moderna do mundo e meu projeto era uma revista cultural para ser distribuída em cd-rom. Que equivocada! Que ridícula.
Tive meu primeiro emprego registrado em carteira como jornalista (ainda sem o registro profissional porque eu não tinha me formado ainda): no Caderno Feminino do Estado de Minas (!!!)
Eu tinha uma turma da pesada: 8 viraram sócios da minha primeira empresa, a “Natora”.
Dessa onda, saiu muita gente genial e que está fazendo filmes pelo mundo.

1996
Minha roupa preferida: um macacão verde-exército.
Fui oradora da turma (não pela simpatia, mas pelo texto – que foi o mais votado e, depois, descobriu-se que era meu).
Colação de grau: fui fantasiada de Emília (debaixo da beca, que tirei na hora de ler o discurso da turma)
E, num protesto contra a Igreja Católica, usei uma blusa com estampa de Jesus Cristo em lantejoulas e uma calça cru com estampa de coroa de espinhos na missa de formatura. (!!!)
Tenho certeza que Andy Warhol teria adorado.

1997
Eu peguei minha malinha, deixei meu namorado (dois anos mais novo, hippie-roqueiro e um tanto egocêntrico) e fui viajar.
Estou na estrada até hoje.

2009
Ainda procurando minha malinha de 1996.

Em tempo:
A Passagem Tensa dos Corpos, de Carlos de Brito e Mello
lançamento dia 28/11/209, 11h
Livraria Scriptum Rua Fernandes Tourinho, 99, Savassi
Belo Horizonte, MG

França, América, cigarros e algo mais

sábado, 21 de novembro de 2009
Auto retrato em momento abstrato

Autoretrato em momento abstrato

Paris, para mim, é a capital que mais fuma no mundo ocidental.
Mas, no metrô, cartaz com menção a fumo é proibido.
O cachimbo fumado por Monsieur Hulot (de Jacques Tati) foi substituído por um cata-vento.
O poster do filme “Coco antes de Chanel” foi retirado porque a protagonista segurava um cigarro.
Agora é a vez de “Gainsbourg, vie héroïque”. E olha que o cantor só aparece soltando fumaça vermelha pela boca.

Talvez Paris seja apenas a mais bela das capitais hipócritas do mundo ocidental.

Por aqui, uma coisa tem me deixado incomodada.
Buzinas. No trânsito, fazer barulho parece fazer parte das regras de etiqueta.
E outra coisa intrigante: poetas-pop mortos estão em alta.
Queen, Andy… Morreu? Tá vivo!

Eu fui ver (engraçado ver as mesmas obras em três museus diferentes, em três países distintos) uma exposição de Andy Warhol. Como tenho síndrome do coelho de Alice, perco alguns detalhes. E isso tem vantagens: a desculpa de sempre descobrir algo novo – mesmo vendo as mesmas coisas. Pois bem, além da fixação pelo prateado e (a declarada) por grana, Andy tinha boas sacadas – muito além dos quinze minutos de fama.
Uma é ideal para este espaço:

Fantasy love is much better than reality love. Never doing it is very exciting. The most exciting attractions are between two opposites that never meet.”

Num encontro que já começa a ficar tradicional (esta é minha quarta reunião) com aposentados da indústria cinematográfica local – na também tradicional pizzaria Güerrín (fundada em 1932), conversas de anos passados. Da “generosidade” e da “alegria” do Brasil. Da “empáfia” americana. Cervejas para uns, vinho para outros, e excesso de Genebra para os que estão dando passos largos. Comi meus dois pedaços, mas desta vez não fui até o Café Ouro Preto. Tradição em excesso.

CSC_0081Um bom lugar, com jazz, chás, calma e bolinhos. Magendie.
Uma merceraria perdida na Honduras. Quero passar algumas horas por lá. Ainda mais agora, com essa chuva quente na minha janela.

Na casa de luminárias (sim, nós “alumiamos” a leitura com acrílico transparente que imita linhas clássicas com muito humor), um argentino que morou em Minas, Rio, São Paulo e Fortaleza. Preferiu Fortaleza. Hoje fornece material para hotéis.
Por que assim é a vida.
Os pés aqui com a cabeça voando.
E um punhado de dinheiro para nos enforcar.

Mas esse post não tem álcool, não tem melancolia.
Ele está caminhando por aí.
Ele vê a vida dos outros.
E não atende telefone de manhã.

Eu queria fazer um poster com cara de classificados.

“Procura-se.
Não precisa tomar banho nem pagar contas.
Experiência em bipolaridade comprovada.
Falar línguas estrangeiras e escrever sem consultar dicionários será considerado um diferencial.
Comer pouco.
Ouvir muito.
Beber apenas o suficiente.
Não é necessária fidelidade.
Momentos sombrios, guarde-os para si. Ou publique o que for pior.
Recompensa-se bem”

DSC_0001

Sem pente. Em momento Thai.

Há escuridão no fim do túnel

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

andy Pois é, Andy. Sem querer, eu ando pelos caminhos mais tortos e achando gente para me acompanhar.

Engraçado é que nos últimos tempos tenho recebido umas propostas de trabalho interessantes. Será que os inconsequentes estão na moda? Ontem foi mais um dia de entrevista inesperada. E eu gostei do “boss”. Careta, com um super CV e gente boa. Combinação interessante. Mas, o que me disseram que iria acontecer e não cri anda pintando: estou começando a gostar da vida dazed & massy da internet brasileira. O que virá? Sei lá.

Ontem minha “alma-gêmea-de-gênio-maluco”, David Presas, liga à noite. Eu saindo da entrevista, recém-saída do táxi, no prédio do trabalho, quase dez da noite, esperando o elevador para descer até o quinto subsolo. Sensação de calor de 50ºC.
David colore a night.
Eu desço o elevador e me sento no chão para conversar.
Os poucos que descem me olham como seu eu fosse louca.
Não tiro a razão deles. Louco é sentar no hall do elevador no quinto subsolo.
David estava num bar com mais de 150 tipos de cerveja.
20ºC em NYC.
Lembrou do meu “spiritus” e me ligou.( álcool em latim – segundo Jung se usa a mesma palavra para a experiência religiosa mais elevada assim como para o mais perverso veneno. A fórmula auxiliadora é, pois, spiritus contra spiritum)
Falamos da vida, da alegria de viver o hoje. Eu disse que misturo tudo: trabalho com amizade. Sexo com amor. Dinheiro com prazer. E, óbvio, quero trabalhar com o David. David é um americano com alma de Vila Isabel. Poderia ter sido um primo-irmão de Noel lá pelos becos da Grande Maçã. Casado com uma brasileira tão louca e espontânea como ele, Alba.

Falamos de não esquentar a cuca demais.
Falamos de dois amigos em comum.
Um, de spiritum germânico. Como a vida não se encaixa no esquema tático dele, vive de mau humor.
O outro, de spiritum carioca. Para esquecer do que não deu certo, bebe todas e troca de namorada e de projetos profissionais com uma rapidez de trovão. E o pior é que ganha bem.
Na boa? Nenhum “nenhoutro” (adoro esse neologismo).
Se bem que o carioca em geral é sempre mais interessante. Só não dá para levar à sério esse carioca específico.

Sei que falamos, rimos, desligamos.
Peguei o carro, enfrentei uma Marginal fantasmagórica e quando entrei no meu território perdido, a Vila Madalena, o mundo ficou escuro.

Fez tanto sentido um apagão pós-animação.
Subi sete andares de escada.
Não jantei. Comida, só quentinha.
E dormi o sono dos incautos.

Hoje parece ser sexta-feira.