Posts com a Tag ‘Antropologia’

Multitarefa

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Em computação, Multitarefa é a característica dos sistemas operativos que permite repartir a utilização do processador entre várias tarefas aparentemente simultaneamente.
Wikipédia

autorretrato em um momento de folga

Na vida dos mortais, é não dormir mais do que duas horas, dar comida para o gato, para o cachorro, lavar as toalhas de banho, cuidar do pequeno, e, quando der, fazer o café da manhã.
Receber o amigo, amarrar a coitada no carrinho e levar a cachorra para uma volta simples até a esquina (e, depois, ver a cara de decepção dela).
Faminta, tomar café por volta de 11h, almoçar às 16h30, rezar para o pequeno não acordar, tirar o lixo, passar pano, aspirador, tomar banho correndo enquanto deixa roupas de molho.
Baixar os jornais que não vai ler e, também, alguns textos sobre matemática financeira.
Fazer uso de sua habilidosa leitura dinâmica.

Pensar em inglês, escrever em espanhol, sonhar em português. Pirar em francês.

Adiantar um trabalho que era para ser entregue no dia 16 porque acha que essa será sua única janela de tempo para fazer algo apresentável.
Antecipar o medo de ter que usar uma HP-12C. Ah, se fosse “apenas” para consultar um livro de antropologia ou para tentar decifrar Albert Camus.

Cansada, enclausurada e com a cabeça em outras paragens.
Quero ver um computador dar conta de tudo isso.

O Pato pateta

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Estou numa fase de misandria…

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Hoje, uma juíza determinou: o jogador do Milan terá que pagar pensão de 50 mil reais para a ex-mulher por 24 meses.
Tudo muito explicadinho: ciumento, ele negociou esse valor com a moça para que ela fosse uma subalterna dona de casa. E nos nove meses em que estiveram casados, ela ganhou essa mesadinha.
Com a separação, a menina virou motivo de risada e não conseguiu mais trabalhar.
Corajosa (pois já sabia que a mídia iria fazer a festa), entrou com o pedido de pensão.
Como um legítimo representante do hommus patetus, o mocinho queria se safar com uma pensãozinha de 5 mil merrecas.
Dançou…
Essa garotada precoce e endinheirada leva susto com o peso da responsabilidade.
E Pato, o pateta, nem tomou o prejuízo e já anda se esfregando com a filha de Berlusconi, mãe de duas crianças.
A história deve acabar superbem também…
Aliás, ter o capo como sogro… Isso é que é imaturidade!

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Eu penso que os meus colegas que seguiram adiante com a profissão de antropólogos devem estar fazendo mil descobertas sobre o maravilhoso mundo humano moderno.
São casamentos e separações numa velocidade de cruzeiro.
São filhos e filhos com vários pais.
Em época de Chiquinho Scarpa faturar em cima de morte de ex-mulher decadentíssima, quem tem pressa e não pensa está em alta.
E tem muito filho criando pai por aí…
Hoje em dia, navalha na carne é coisa démodé.

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Eu vou colocar meu Valdick Soriano no último volume e não quero papo.

Pegue o bote porque São Paulo virou Atlântida…

Acorde comigo

terça-feira, 22 de junho de 2010

Time eclético em Cuba 2001: destaque para os diretores Luiz Fernando Carvalho e Laís Bodanzky

A sedução da foto, do texto. Todo blog é como uma menina nova, fresca, louca para te conquistar. Certo?
Errado, esse aqui é algo estranho. E contente-se com o que não te ofereço.
Explico: adolescente, eu tinha uma dúvida: psiquiatria ou jornalismo? Mamãe queria Direito, como ela.
Depois de tocar cadáveres cheios de formol, uma chatice, escolhi o jornalismo – a ponte possível para a literatura.
A caminho da prova de vestibular, carro cheio de colegas, meu pai disse que era a ponte mais fácil para a prostituição.

Primeiro ano de faculdade, mundo novo maravilhoso e resolvi fazer letras ao mesmo tempo. Entre festas, bebedeiras, aulas de filosofia, ciência política e muito rock’n roll, o tempo ia passando.
A brincadeira das letras não durou um ano. Desisti depois que uma professora disse “encicloplégica“.

P

1998: primeira sociedade - com Abud e Armandinho

Um ano antes de formar, contratada pelo maior jornal da cidade.
Eu não sabia nada, mas queria escrever. Não havia blogs nem internet. E escrever era entregar um pedaço de papel para ninguém.
Logo vi que bater ponto na redação era terrível.
Escrever deixara de ser algo seu – pautas, reuniões, assuntos do dia, o que “vende”.
Vim para São Paulo, madrugadas insones esperando a maldita aprovação do texto.
Bar do Estadão – whiskies sem fim, cheiro podre do Rio Tietê. Almoço no Frangó – aquela prateleira de cervejas do mundo todo e eu comendo arroz com feijão, vestida de gente grande.
O jornalismo não me convenceu – mas a $ me animava (e olha que era tão pouquinho).
Pule uma década e meia. TV na veia, alguns cursos abandonados pelo caminho: mestrado em Antropologia (completo), relações internacionais (ano e meio), direito (1 ano)… E a mesma insatisfação. Nem mais, nem menos.
Eu não quis ser atriz, continuei escrevendo o texto do dia, a grana aumentou, eu fiquei mais bonita. Sim, eu tenho certeza de que a velhice nos faz mais belos – mais boca-suja, mais loucos, mais kamikaze, muito mais interessantes.

Minutos atrás

Aí a catarse: não dê comida aos bulímicos.
Eu descobri que não era nada disso.
Não descobri ainda o que é. Mas sei o que não é.

E continuo escrevendo.

Não ter público pagante.
Instigante.
Eu gosto.
Pode me demitir por isso.
Eu realmente não estou nem aí.

Boa terça-feira de chuva e frio em Sampa.