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Julia

domingo, 26 de setembro de 2010


A Bienal de São Paulo.
É proibido politizar.
Hoje chove e tem Zubin Mehta.
Melhor ir durante a semana quando quem pode trabalha.

Meu computador está de volta.
Perdi todos os arquivos de Paris.
Fotos, textos, idéias.
Dois meses – dois dos mais divertidos – da minha vida.
Meu celular foi para o espaço.
Não sei o que dizer.

Ontem revi dois filmes que adorei ter visto dentro de um avião a caminho de algum trabalho que tem esse nome por alguma razão.
Estranho ver depois que a poeira baixou.
E pensar que o prazer também tem hora.

E as feiras de Paris?
Ganhar um pedaço de queijo.
Morango desidratado e açucarado.
Comer um pedaço carnudo de manga.
Aqui na vida “real”, tirando o álcool, a festa e o trabalho, não dá tempo… Dá?

Um homem de 84 anos e uma mulher de 91 se casaram.
A mãe do noivo, de 104 anos, conduziu o filho até o altar.
Eu não sou louca.
Sou destemida.

Para quem tem domingo, bom dia.
Liberte “os urubu” que existem em você.

Ainda é cedo

sábado, 28 de agosto de 2010

É nozes e café

Eita!
O último post recebeu vários comentários, meu programa travou e o seu lindo texto sumiu…
O maravilhoso mundo eletrônico!
Dia desses vi um Mac todo arrebentado no metrô. Primeiro, achei que fosse uma televisão de tela plana. Depois, vi que era um Mac de 17 polegadas… Morto e chutado.
É amor puro… risos
Por isso, a quem me escreveu, meu agradecimento sem violência.

Ainda não fui.
Mas já começou a despedida.
Ontem, festa na casa de Rodrigo e Nico, os dois mais queridos de Paris.
Eles também estão de mudança e peguei carona!
Como é da minha natureza, uma da manhã saí de soslaio e virei abóbora.
Ninguém soube, ninguém viu.

Chego em casa, desmaio na cama.
Meu jantar foi chips e bala de ursinho. 😛
Para rebater, 4 cosmopolitans tamanho pequeno e uma taça de champagne.
Hoje de manhã, nem o anti-ácido me salvou.
E fui a luta.
Uma mala está pronta.
Dentro dela, pequenas maravilhas.
Um vidro de sal e outro de foie gras – ambos com trufas (uma fortuna da Maison de la Truffe, na Place Madeleine)
Chocolatinhos, caramelos, pastas de mil coisas exóticas, cinco tipos de mel, cogumelos selvagens e venenosos – Fauchon.
Da Hediard, uma semente brasileira que nunca vi e que serve para preparar peixes e doces.
Pimenta caiena, baunilha de Madagascar, sal de Guérande, um molho agridoce de pimenta.
Um maçarico para queimar sequestradores e o açúcar do crème brûlée…
Perfume para a vovó.
Aquele creme incrível para a noite que só é vendido com receita médica, mas somos brasileiros e sempre conseguimos tudo com um papo sobre samba, praia, carnaval e, quem sabe, até futebol. Por via das dúvidas, comprei logo dois.

Já para casa!

Um leque.
Meus caderninhos. Alguns livros que não foram pelo correio.
O meu certificado nada suado e que vou guardar para lembrar que a vida pode ser muito mais leve e muito menos séria do que queremos.
Para colocar na mala… Ainda falta coisa.
Imagino que vou ter um problema e já começo a pensar naquela maleta incrível que jamais comprei porque sempre trabalhei feito moura e não tinha grana para levar.
Ha! Quanta bobagem.

Terça-feira, deixo a beira do Rio.
Quarta, parto para Champagne.
Sexta, Brasil.

Que saudades do Brasil.
Toda vez que me perguntam onde eu gostaria de morar.
Em São Paulo mesmo.
Eu sou cigana e São Paulo tem tudo o que o mundo todo tem.
E tem porteiro que é jardineiro.
Aqui não tem o Dênis da Padoca.
O japonês que costura tudo o que estrago.

Onça pintada volta da festa

A sapateira nordestina.
Sampa.
Rio, Minas, também – mas São Paulo é meu amor.
Com todo mundo correndo.
E esquecendo que existe a hora do recreio.

Brasil.
Palavra mágica.
Conto algumas.
Terça-feira, Louvre.
Eu e minha amiga velhinha decidimos tomar algo no café mais bacana do museu.
Não pode não.
Só se for jantar.
Jantamos então.
Ah, mas não tem lugar.
Mas ela é brasileira… Nunca comeu aqui.
E a melhor mesa, um papo sobre cinema novo, um pão diferente para provar.
Na estação, onde eu pego a porcaria do trem para Versailles? E o atendente, em português: eu amo o Brasil, a praia, Florianópolis.
Peraí que vou te mostrar a plataforma.
E o creme de rosto?
Depois de dar uma incerta em 5 farmácias.
Ah, o Brasil.
Lá não compramos nada com receita, o rei é sapo barbudo, a próxima rainha será a bruxa guerrilheira.
Compra, compra seu creme, eu anoto aqui que você já faz uso contínuo.
Camélias para a professora.
Passo o endereço de onde encontrei o chapéu de chuva.
Esse sapato? Ah, foi ali no 2oème…
Conheço sim. Tomei o drink.
Como você descobriu?
Perguntei, ué!

Eu não quero morar em Paris, em Nova York, em Tókio.
Quero voltar para casa.

Chegando

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Depois de enfrentar a chuva, a neve, a madrugada, de receber a mala em forma de picolé (cremes e outros chegaram congelados – achei tudo muito engraçado embora desconfie que cosméticos anti-tudo não farão mais efeito); depois de, finalmente, chegar em casa com a sensação de ser a mulher maravilha… morre Walter Alfaiate, terremoto no Chile, alerta de tsunami. E a superheroína vira pipoca do dia seguinte: murchinha, murchinha e salgada.

Mau humor enquanto a neve cai e você não vê

A sacola de compras você não vê na foto

Aí é desfazer a mala e encontrar pasta de dentes inundando o plástico com comprinhas de farmácia.

Sabe aquelas coisas que só acontecem na terra do consumo? Comprei um laptop para meu irmão, aí resolvi levar um teclado wireless da Apple (recomendo – embora eu possa estar sob influência do uso de um PC  por uma semana). Passaram-se dois dias e resolvi comprar o novo mouse da maçãzinha. Os dois são acionados via bluetooth – o que significa que as entradas de USB do seu micro ficam desocupadas. Bom, a conversa está ficando muito técnica e não combina com o blog… Ah! Levei um MacBook de encomenda. Comprei cremes para a vovó (100 dólares e ela, surdinha, entendeu mil dólares e me pediu para pagar parcelado, pode? E como se eu fosse cobrar), esmaltes para a Nilza que transforma unhas quebradiças em maravilhas cor de morango silvestre. Aí, na lojinha do MET, presentinhos para as meninas da revista, para a mama, para mim (um par de brincos art déco de tirar o fôlego de Louise Brooks), porta-cartões com magnólias de Louis Comfort Tiffany (feitas para um vitral em 1885), outro de Frank Lloyd Wright para dar de presente…magnolia

Por aí, uma farra: pomada da Tiger Balm, pílulas para dormir – ideais para dois dias sem dormir e esperando o avião decolar -, coisinhas de cabelo, etc, etc, etc. E um anelzinho básico escolhido literalmente a dedo no terceiro andar da joalheria mais famosa da 5 av. by Elsa Peretti+ uma pulseira – sabe aquela que eu tanto procurava para colocar badulaques que ganho por aí na vida cigana? Sei… Que exagero!

E, claro, já inebriada pelo tilintar do cartão de crédito, parei em frente a uma vitrine no Rockefeller Center. Uma oferta imperdível – entrei e não pensei uma vez. Comprei um Wii com pad para fazer yoga. Eu estava completamente drogada. Comprar videogame foi demais. 199 dólares… E ontem joguei Mario Bros. e ainda não ousei experimentar a yoga teleguiada. Onde eu estava com a cabeça?

O curioso é que desta vez não tive coragem de entrar na Barnes & Nobles – onde eu veria livros irresistíveis por preços inacreditáveis e aumentaria mais e mais os quilos da minha bagagem. Confesso que um dia, no frio da noite, com a mão aquecida por um chai latte parei na frente da livraria e fiquei babando. E me autocensurando – não compre, não compre, não compre…

Deu no que deu – não comprei livro e comprei uma lojinha de eletrônicos Made in China.

Ainda bem que estou de volta. E aguardo em preces pela correspondência da Visa e do Mastercard.

Ex-bacana

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

bate

Dias quentes!
A agência bombando, os meninos felizes e trabalhando enlouquecidamente, eu achando prumo na vida. Recusando trabalho, com uma rotina mais animada (amanhã vou ao show do Arturo Sandoval – e vai ter post), perdendo aqueles malditos quilos extras do ano passado (foram 2 e faltam 2).
Tenho tido uns insights tão interessantes nessa fase. Se você tem mais de 30, vai me entender. Se não tem, prepare-se!

Sem fazer beicinho ou gênero, confesso: sou osso duro de roer. Sempre fui considerada “dura”, mas bacana como chefe. E olha que tive muitos funcionários abaixo de mim que têm o dobro da minha idade. Dizem que sou exigente para caramba. Em minha defesa, digo que corre sangue nas minhas veias. Quem consegue se aproximar costuma gostar. Que meiga! Devo ser uma coisa soft-power, papo da turma das Relações Internacionais! http://pt.wikipedia.org/wiki/Soft_power

Esse prólogo abilolado é para explicar uma característica que veio no meu DNA: autoproteção inconsciente. Eu nasci Mac, quase não pego vírus. Não tenho nada de Windows – hahahaha. Se sinto um movimento estranho, não sei como, eu fico alerta. Da fofoca maldosa no trabalho, passando pela roubada numa compra, ou por um bandido à espreita, não sei o que rola: liga um alarme interno. Tem a ver com o soft-power. Tem a ver com ser mineira. A gente – sem querer – dá corda para muita gente se enforcar. E, por outro lado, consegue muita coisa sem criar atrito.

Conto um causo. Uma vez em Barcelona, eu com 16 anos, saquei um cara estranho de olho em mim e minha mãe. Minha mãe, pastel de todo, falou que eu estava maluca. Então descemos numa estação, o cara desceu. Descemos na próxima parada, e o cara – que estava em outro vagão – desceu também. Pois a desconfiança virou perseguição maluca. Eu e minha mãe corríamos, trocávamos de plataforma e o doido também. Só parou quando entramos num vagão e saímos no último segundo. Ele ficou para trás mostrando uma faca de pirata… Coisa de louco.

Pois esses dias saquei uma história assim com um “amigo”. Sabe aquele jogo? Vem de mansinho, vai te enrolando na conversa, te envolve, cria algumas situações, você (quase) cai. Perigo!
Pois o que caiu foi a ficha.
Cortei do meu caderninho. Do meu twitter, do meu email.
Com dor no coração, mas cortei. É algo mais forte do que eu!

(…)

O Plágio…

terça-feira, 19 de maio de 2009

photo-170

Finalmente a onda que eu esperava começou!

Apple this summer is recruiting about 450 “At Home” technical support staff in at least six cities across the U.S., according to a document seen by Cultofmac.com.
Instead of locating these workers in a centralized call center, they will work out of their own homes.
“As a company who’s motto is ‘think different,’ our ‘work different’ philosophy offers you the opportunity to work independently in your home office,” the job ads said. “You will receive all the wonderful benefits of working for an amazing company without ever leaving your home.”

http://tinyurl.com/p23k3j

 Acho o máximo. Trabalhar em casa. Defendo super.

Principalmente se o cidadão é da minha área – jornalismo, marketing. É muito mais produtivo. É muito melhor. Para quê vir para o escritório todos os dias? Vamos fazer nossas reuniões essenciais e tocar o barco.

É assim que eu fecho revista e, embora ainda haja um nariz ou outro torcido por aí (até dentro da editora), funciona.

Falando de filmes, o novo do Ken Loach, Looking for Eric deve ser incrível. Ken Loach sempre surpreende com seus filmes bem amarrados, suas preocupações com questões sociais… Eu simplesmente amo Costa Gravas. E acho que Loach é da mesma escola…

Já o Anticristo de Lars Von Trier… Sinceramente!  Dos caras do movimento Dogma, ele foi sempre o diretor que menos me encantou. Mas… Não sirvo como referência de crítica. Não mesmo. Ainda mais se a crítica é do cult. Risos.

E leiam isso (no Blue Bus saiu uma nota em português):

Dowd wrote: “More and more the timeline is raising the question of why, if the torture was to prevent terrorist attacks, it seemed to happen mainly during the period when the Bush crowd was looking for what was essentially political information to justify the invasion of Iraq.”

Marshall wrote: “More and more the timeline is raising the question of why, if the torture was to prevent terrorist attacks, it seemed to happen mainly during the period when we were looking for what was essentially political information to justify the invasion of Iraq. “

 Alguma diferença? Trocando o “we were” para “the Bush crowd was”, nenhuma diferença… A crítica do New York Times simplesmente copiou o texto de um blogueiro e jura que foi mera coincidência, que ela nem leu o blog. E pior, a culpa é de um amigo dela!

“I didn’t read his blog last week, and didn’t have any idea he had made that point until you informed me just now. I was talking to a friend of mine Friday about what I was writing who suggested I make this point, expressing it in a cogent — and I assumed spontaneous — way and I wanted to weave the idea into my column. But, clearly, my friend must have read josh Marshall without mentioning that to me.
We’re fixing it on the web, to give Josh credit, and will include a note, as well as a formal correction tomorrow.”

 Maureen Dowd, minha filha, assume que você copiou o blog do moço. Ou então fica calada. Porque mentir assim é feio demais…

 E falando em confusões via blog, matéria da Gazetaonline dá uma dica aos candidatos a emprego: “Dizer em páginas de relacionamento que odeia o chefe ou odeia trabalhar na segunda-feira, pode colocar tudo o perder. “

Gente, hello! Todo mundo odeia chefe e odeia segunda-feira! Ou quase todo mundo. Eu nunca li num blog alguém escrevendo que AMA o chefe que que mal vê a hora de chegar a segunda-feira. Recrutadores, hello! Procurem pessoas de verdade. E “odiar” o chefe pode ser pesado. Mas querer ser o chefe pode ser positivo… Vou usar uma frase do diretor-geral do Google Brasil, Alex Dias, 37 anos, que foi publicada numa entrevista hoje: “A transparência é que faz a diferença. É falar para o usuário, deixar claro para que ele não se sinta traído.”

Hello!

Ai, tanta coisa para falar… Hoje estou super com a macaca. Mas esse post já deu.

Como última, antecipo novidades da próxima revista. Tudo caminhando para nosso próximo editorial ser feito em Paris. Que delícia.

Mas eu não vou… Tenho meu segundo emprego para tocar.  :-(