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Sobre a fé e o amor

domingo, 10 de abril de 2011

Vapor barato - autor: desconhecido

Ontem fui ao show do U2.
Em minha tenra juventude, vesti a carapuça preta de couro cheia de alfinetes de rata de espetáculos. Teatro, rock, bossa nova, performance, dança – com ou sem dinheiro, era a minha praia.

Meu último show “de fato” foi um Free Jazz Festival… Quem nasceu nos anos 80 nem deve saber o que é.
Mas imagine que Chet Baker veio para uma edição e quase deu o bolo no show encenando e cantando um clássico de conteúdo dúbio de Cole Porter.

Depois do meu último e (por que não?) fatídico Free Jazz, onde fiz uma roleta russa de namorados, despedi-me de um saudoso amigo mineiro, eu me aposentei.
Passei a freqüentar lugares menores, cervejas geladas, esperas cujo tempo equivale a um pacote de pipoca , ingressos sempre disponíveis.
Para não dizer que não tive recaídas, seis anos atrás fui a um Personal Fest em Buenos Aires e vi Bebel Gilberto, Jorge Drexler e fugi dos Pet Shop Boys.
Para sobreviver, foram litros de energético com vodka, um amor louco pela vida porteña e uma desistência de uma festa do Goldie (ex caso de Björk)

Esse preâmbulo todo não é para descer a ripa em amantes de shows e grandes eventos, é só para explicar a minha pequena experiência muito particular de ontem.
Topa seguir comigo?

Comprado na terça passada um ingresso de segunda mão e sem ágio pela bagatela de R$216,00, resolvi melhorar minha aposta.
Foram R$250 reais para o motorista levar e buscar. Não, não vamos discutir preços quando o resultado é casa e cama em uma hora.
Cheguei às 19h porque não queria confusão.
Entrei com relativa facilidade – furei a fila com um bom argumento.
O ingresso era de pista, o que significa: não haveria lugar para sentar ou descansar.
Paciência.

Em uma hora, escolhi uma área que julguei calma e com boa visão do palco e comprei minhas fichas de água mineral.
Show sem álcool porque eu não pretendia explorar os banheiros químicos…
Você há de convir comigo que tenho uma certa experiência neste metier.

A banda de abertura começou a apresentação por volta de 20h.
Ato contínuo, as pessoas começaram a sacar celulares e câmeras.
O show acabou, logo veio o do U2 e o que era ato contínuo virou moto-contínuo.

Ohos de plasma

As engenhocas eletrônicas não só fabricavam indícios do crime – sim, “eu fui ao show” – como aproximavam os ídolos de cada um dos fãs. O Adam Clayton que eu via pequenininho, como o gesto que representa o meu salário, preenchia a tela de cristal líquido da minha vizinha da frente.
O aparelhinho dela não só tinha um belo zoom como corrigia problemas de foco e imperfeições de luz.
Nas telas, filtrados e aprisionados, destituídos de espinhas e rugas, isolados da chuva que veio e voltou, os músicos dividiam a performance em pequenos atos (ou seriam curta-metragens?) dirigidos por Marias, Josés e Pafúncios.
O show não acontecia no palco, ele aconteceria mais tarde em conversas de bar, em edições caseiras para o YouTube.
O show seria como um bicho de estimação: seria levado para passear, colocado para dormir e até ganharia roupinhas com cores iguais às do dono.

Não, a média do público pagante não era de garotos – mas de gente que, como eu, tem mais de 30.
Essas pessoas vez ou outra passavam afoitas distribuindo uma cotovelada aqui, outra ali. Derrubavam gotas gordas de cerveja (gelada pelo que pude constatar) e desferiam alguns pisões em unhas encravadas.
As câmeras, celulares – estes eram prioridade.
Não havia abraços de namorados, não havia beijos apaixonados em rápidos momentos mágicos provocados por músicas que vão ao passado e evocam momentos que não voltarão jamais.
O que havia era uma multidão hipnotizada, operadores de câmeras que buscavam disfarçar a câimbra nos braços e que acreditavam estar numa missão para desbravadores.
Registrar o primeiro show da U2 360° Tour no Brasil.

Não sei se, ao fim da história, os milhares de técnicos de som, luz e imagem postaram seus vídeos, fotos e criações.
Sei que pedi a separação de corpos por diferenças irreconciliáveis.

Cópia barata

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Foto criada em 2009-11-26 às 18.18

Eu sei, você não quer saber das minhas músicas.
Elas são bregas.
Algumas, cult.
Sabes que sou latina.
E tenho pele européia. (manchada)
Mas eu não consigo deixar de ouvir. Passei a madrugada a repetir faixa por faixa.
E não sei a que horas desmaiei.
Mas a música tocava.
A cabeça no norte, os ouvidos ao sul.

Agradeço aos novos cosméticos que, por 4 horas, preenchem as rugas e nos dão um aspecto mais publicitário.
Café da manhã com amigo e sócio e cachorra.
Saia de festa.
Camisa de dormir.
Coleira de brilhos.

Almoço com meus queridos do trabalho.
Eu tomei duas cervejas, eles uma cerva + uma Coca.
E a louca sou eu, não é tio Bernardo?

Noite passada, disse mais um não para um novo trabalho.
A culpa é de DubAI.
Não vamos complicar.

De tarde, as circunstâncias me fizeram abreviar as férias.
O dever, a preguiça? Não!
A vontade de ser do contra.
Segunda conto as novidades – que não têm nada de black friday.

Tenho lido os gritos da Yoani Sanchez, de Cuba.
O mérito dela é ter bons pulmões.

Ah, vim aqui só para te incomodar com a música do argentino do Alasca.
Vou traduzir e misturar tudo.
Você vai acreditar que é tudo meu.
Mas é puro plágio.
Tudo é sempre plágio.

De bar em bar, café em café
Você tem certeza que te observam.
Ninguém te vê.
E alguém te convenceu: você acha que é um poeta maldito

Amizade de bebedeira
Até o fim da ressaca serei sua amiga
Se te vejo sóbria, não vou te reconhecer

Não é bom ou ruim, ninguém deve ser sozinho
E eu acho que nestes dois minutos fizemos uma conexão
Eu também sinto uma ligação
Serás meu amigo até me empurrarem para o chuveiro

Que lindo é sonhar
E não custa nada.

Fui pentelha, inconsciente, e tantas outras coisas
Eu não estava “Ohm” ou era “Zen”
Eu nunca fui mestre em virtudes como a paciência.

No entanto, quero dizer o quanto eu posso dar…
Eu te dei minhas noites em claro, as escuras.
Eu te dei minhas tristezas, minhas alegrias.
Eu desisti de tudo que eu tinha.

Não me abandone, ainda.
Eu não te abandonaria pelo motivo que você vai deixar.

darkness

Caça-palavras

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Comer uma cidade não é como sentar em um restaurante e pedir a entrada.
Mil coisas na cabeça.
Ritmo instável.
Umas faíscas.
Livrarias incríveis.
Sorvetes.
Um vinhozinho no almoço. E só.
Pegando leve.

Uma boa peça de teatro. Agosto .
Com a famosa Norma Aleandro.
Para quem é fã de Costa Gravas como eu, é fácil reconhecê-la em “A história oficial”.
Com esse filme, ela  levou Cannes e o Globo de Ouro.
Com outro, “Gaby”, concorreu ao Oscar.
Ela rouba toda a cena. 3 horas de peça.
Eu cortaria todo o primeiro ato.

Um musical. Piaf.
Com Elena Roger que, por esta peça, levou o Laurence Olivier de melhor atriz de comédia.
Argentina, trouxe toda a equipe técnica e montou na raça a versão para espanhol.
As canções são em francês, o ritmo e a montagem são todos ingleses.
E a moça tem uma voz e uma presença de palco.
Simplesmente excelente.

Livrarias. Uma ótima em P.Soho.
Achei Rimbaud no original.
Não comprei.
Preciso de coisas mais leves.
Ando fotografando palavras. Stencils.
Comida.

É bom ficar assim, sem destino.
Fazendo coisas que você jamais pensou em fazer.
Hoje comprei outro Peep Toe.
De crocodilo.