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Armando

sábado, 13 de abril de 2013

Em seus braços eu parecia uma dramática do Tango.
Em toda e qualquer gafieira.

Fui para dar um bote no filho, colega de faculdade, pedindo uma fita cassete dos Mutantes.
E ele roubou meu coração.
Veio com Lígia, uma carioca incrível, fora de qualquer padrão mineiro de montanha que consome.
Lígia carioca, mãe aos 40, prima do Ezequiel Neves – o cara que descobriu Cazuza.
Quantas vezes fiz um DDI só para ouvir a mensagem louca e escrachada do Ezequiel na secretária eletrônica…

As melhores festas.
Os melhores pós-Natal.
Tudo o que era ilicitamente de família.
Os namorados.
As fotos.
Os papos-cabeça de quem tem vinte.
As bebedeiras intermináveis.
Em casa de Armando nunca faltou bom uísque e um tiragosto para deixar qualquer boteco com inveja.

Armandinho nunca foi um namorado.
Um comparsa no crime.
Uisques enxugados.
Vodkas sem fim.
Armandão dando força para toda e qualquer maluquice.

Passaram-se 20 anos.
Vieram filhos, novos namorados, casamentos, separações.
Armando sempre com uma cabeleira bonita.
Um sorriso enorme.
Um novo boteco.
Causos.

Armando que foi a minha formatura, com quem dancei a noite toda.
Armando em meu casamento.
Em minha festa de despedida.
Armando em batizado.
Armando em separação.
Armando e meu Imposto de Renda.

Armando.
Só agora que me dói fundo a falta é que me dei conta.
Eu não sei dançar.

1996

O fim de semana, enfim!

sexta-feira, 24 de abril de 2009

photo-141

Essa semana passou arrastada…
Foi duro trabalhar depois de um fim de semana com feriado e dor de garganta.

Aliás, esses dias tenho pensado na dicotomia PRAZER – TRABALHO.

Foram curtos os meus períodos de puro tesão com o trabalho.
Eu sempre tive problemas com amarras.

Vamos começar pelo lar, doce lar.
Já morei em Belo Horizonte, Curitiba, Salvador, Fortaleza, Cuba, Inglaterra, São Paulo, Rio de Janeiro…
De 2006 decidi que São Paulo era meu amor e, hoje, tenho pavor de mudança.
Quando houver a próxima – e ela há de haver – deixarei tudo no meu apartamento paulista.
E farei uma casa nova no novo lugar. Com novos lençóis, sem lembranças, com meus bichos, meu amor.
Porque a casa de verdade sempre estará em São Paulo.

Trabalho?
Antes de me formar, trabalhei numa rádio, numa empresa de engenharia vendendo aplicativo (pode?), como bolsista do CNPQ, e até montei uma empresa pirata (não registrada) de produção de eventos. Meu primeiro cliente? A rádio mais cool da cidade.
Depois de formada, passei por jornais, dirigi escritórios, pulei de galho em galho.
Não aguento essa coisa de bater ponto.
De trabalho burocrático.
De dia-a-dia.
Resultado: como freela, sou editora-chefe de 3 revistas. E esse trabalho me encanta. Vou quando preciso, faço o que é necessário. Não me envolvo no fofoquê da redação, estresso o mínimo possível.

Amigos?
Não tenho amigos de infância.
Da faculdade, tenho só um. Armandinho. Mas Armandinho é um irmão. O pai dele é meu contador. A mãe, uma amiga. A ex-mulher, uma querida. Os filhos, meus sobrinhos. A atual mulher… Bem, ela não vai com a minha cara. Normal.
De Cuba, trouxe uma amiga. Dei casa, comida. Quando precisei da casa dela, levei um pé na bunda. Virou ex-amiga.
Aliás, na faculdade também arrumei uma ex-amiga.
Ana Paula era um ser estranho, junkie, auto-destrutiva. Quando se tem 17, 18 anos, é bacana. Afinal, líamos Rimbaud, Bukowski, John Fant. E até fizemos uma banda: Pergunte ao Pó. Para quem gosta de literatura underground, esse é um título de um livro.
Da coca nunca fui fã. Nem da Coca-Cola.
Bom, num reveillon, Ana Paula passou o dia bebendo e deu aquele vexame no hotel que estávamos numa linda cidade perto de Diamantina. Foi constrangedor, quase fomos colocadas para fora.
Nunca mais falei com ela.
Recentemente dei força para uma pessoa do trabalho que sofreu bruto assédio moral.
Dei conselhos, levei para almoçar, para tomar chopp, em suma: dei meu colo e ofereci meu ouvido.
A pessoa foi contratada por indicação minha e não ligou nem para agradecer.
Deletei também.
Essa minha sina de Madre Tereza de Calcutá enche. E estou aprendendo a me preservar.

E agora?
Ando meio sem rumo.
Pensando em procurar trabalho, não emprego.
Em achar água para me completar.
Em ter um projeto.
Porque título nunca me interessou.
Não me ligo no tesão do poder, do crachá premiado.

Puro paradoxo.
Porque gosto de salário no fim do mês, de bônus, de viagem corporativa.
Mas não gosto de ser disciplinada.
Detesto folha de ponto e trabalho operacional.

Ando pensando em reiventar minha empresa e virar freela full time.
Ando pensando em ser dona de mim de novo.
Sei lá.
Quero prazer.
Grana também.