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Por uma vida menos absurda

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Tudo começa nesta manhã de frio, sol e chuva com uma moça com uma senhora barriga colocando dois arquitetos para correr.
Quem já fez uma obra sabe que é dor de cabeça do início ao fim.
Pois a minha terminou bem – entre mortos e feridos, como diz a piada, salvaram-se todos… ou quase todos. E obra, como era de se esperar, nunca vai terminar.
Dentro de casa, a arquiteta perdeu a polida educação exigida demandando – aos berros – o pagamento de um serviço inacabado.
Eu a convidei a passear na praça sem um tostão furado no bolso…
Cinco minutos depois, eu e a empregada caímmos na risada.
Cena de novela mexicana de baixo orçamento.
Mas será o Benedito?

Quanto mais velha fico, mais percebo que quem levanta a voz tem grandes chances de estar sem razão.
Gritos e sussurros – dois grandes axiomas desta língua incrível.

Grito – sem razão.
Sussurro – um estilo de vida

De uma coisa pulo para outra como sabiá de papo cheio.

Minha avó materna, quase nos 90, tem 3 irmãos – uma moça e dois mocinhos – todos vivos.
Todos são muito amorosos, unidos e polidos.
Nunca ouvi dizer que tivessem brigado.
Há décadas dividem a herança dos pais. São imóveis e mais imóveis que, bem administrados, rendem um bom dinheirinho.
Agora, chegando no fim da estrada, começaram a se desfazer de alguns.
Esses assuntos, como obras, são espinhosos e dão margem a desentendimentos.
Pois, com eles, nunca.
Reúnem-se, decidem o que fazer, fazem e continuam irmãos lindos e unidos.
Sem gritos, sem fofocas, sem histórias, sem problemas.

Num mundo em que todo mundo grita e ninguém tem razão, os quatro velhinhos são um belo exemplo.
Para que complicar o que já sabemos que não será fácil?
Eu sei, ando piegas, mas é que mundo anda muito absurdo…

Realidade sem reality

terça-feira, 14 de junho de 2011

pequeno abalo

Aqui no Brasil o novo hit são os blogs de anônimos que exibem fotos deles mesmos com seus visuais descolados.
Pois na Vila Madalena o novo não-hit é reformar a casa e chorar sobre cacos.

Eu decidi duas coisas: vou comprar uma casa maior e vou dar um tapa na atual.
Não pretendo vender esta onde vivo (que é bem charmosinha) e contratei uma equipe de arquitetos para criar um espacinho extra para que a casa funcione melhor até fevereiro que é quando devo comprar o apartamento do vizinho.
Resultado: o quarto de empregada vai virar closet/despensa.
O quarto de hóspedes deixará de ser escritório.
O banheiro de serviço vai virar um lavabo bacaninha.

Depois de muito fazer contas e discutir orçamento até acabar o estoque de café Nespresso, foi batido o martelo.
E hoje, em poucas horas, o banheiro veio abaixo.
Antes branquinho e muito simples, agora vai ganhar pastilhas, cores, box, tudo espremido em um espaço que mal dá para abrir os braços.
Na sequência, meu quarto será invadido.

Em meu hotel em Nova York, uma original Charles and Ray Eames de balanço na singela cor verde limão me aguarda.
Papéis de paredes serão enviados nos próximos dias.

Disseram que no oitavo dia fez-se o caos – e o homem se refestelou na lama.
(Por ser má propaganda, o editor recomendou que esse trecho fosse retirado da Bíblia)