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Em ação?

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Cara de "tô no cheque especial"

…daí que eu me pego fazendo as malas mais uma vez.
Cansada do quadro político atual, raspando o cofre para mudar para a casa nova – e arrependida por ter feito isto. Sem grana, de novo.
Cancelei meu hotel cinco estrelas e vou ficar em casa de amigos.
O carro quebrou. R$6 mil para arrumar.
Tento nem pensar na Síria, no festival de Veneza.
Penso que tenho que ir ao banco, transformar os dólares em reais para tampar os buracos.
Mandei email para a gerente assuntando um empréstimo.
Vai que…
Penso que preciso trabalhar mais para ganhar mais e juntar dinheiro de novo.
Daí que queria mesmo ir a Marte.
Sem contas, sem ter que sair da nave, alternando o dia entre a internet – para saber o que rola na Terra – e algumas músicas. Talvez alguns abdominais e uma corrida parada.
Tenho ouvido dois pops: Jack Johnson (por que ele é bonzinho e tem clips engraçadinhos no Havaí) e John Mayer (porque ele não é bonzinho – como eu -, mas tomou tanta porrada que agora quer ser).
Deixei os clássicos.
Comprei biografias – não romances.
Tenho ficado muito interessada na vida real.
Meu corpo voltou ao que era antes.
E está até mais forte, musculoso.
Foram 3 anos de calça que não cabe.
Esta coisa de você se olhar no espelho e não se reconhecer.
… daí que tenho que pegar um vôo para o Rio.
Durante 4 dias vou fazer caras e bocas, ficar por dentro do que rola de up no mercado, ver meu jornal na mão de todos os que interessam.
Tenho um encontro hoje com velhas amigas.
Uma festona no sábado.
Almoços, jantares.
Passei dois dias sem fazer ginástica e usando camisola a maior parte do tempo.
Estou preparando a mente para fazer bem o papel.
Aquele livro do Stanislavski mudou minha vida.
Porque – lá vem o chavão – todos somos atores em tempo integral.
Representamos o que queremos ser, ou o que gostaríamos que fóssemos.
E nem todos têm talento para subir ao palco.

“Esqueça de tudo, deixe fluir, mas lembrem-se: isto pode acontecer algumas vezes em sua carreira, ou mesmo nunca. O que existe é técnica. Todo o resto depende da forma (particular) com que você atua.”

Constantin Siergueieivitch Alexeiev (vulgo Stanislavski)

Alma

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Nasci assim, abusada.
Alma de artista penada.
Artista incompreendida, bien sûr.
Imagina subir em qualquer palco ou banco de praça?
Seria avesso ao verso.
Seria arte qualquer.

Criada para ser capitalista, virei uma coisa bizarra.
Dual.
Partida e juntada.

Grito em público.
Falo alto (se quero).
Em geral sou discreta.
Mas vista.

Quando não vejo, provoquei a confusão.
Sou assim.
Alma de artista criada para ser capitalista.

Um problema sem fim.

(Arte de ser o que se é.
De se fazer assim, apesar de.)

de volta a ativa

Você não soube me amar

terça-feira, 28 de setembro de 2010

perdi meu campo magnético

Sim, ela escolheu a vida torta.
(isso é o que pensam e não dizem quando
conto onde trabalhei e porque decidi mudar)

Coitada, vai ficar para titia
(isso é o que têm certeza, mas não verbalizam
quando digo que não quero ter filhos)

Dá um caldo
(isso sugerem alguns peludos
e até umas barbudas)


*****


Mundinho-fetiche, não?
Todo mundo pensando uma coisa e dizendo outra.
E você sabe o que está perdendo?

Eu sei que a coisa está preta e pode ficar preta-azul.
E minha opinião agora virou tendência.
Leia o artigo da New Yorker e corra para explicar para vovó que você resolveu ficar para titia antes de ser mais uma stressed mother ou um (pleonasmo) stupid father.
(e analise por que filho virou uma angústia para a sociedade contemporânea)

http://tinyurl.com/2ubdf9c

E hoje, com minha amiga Mariana, descobri que não sacamos nada de arte contemporânea.
Andamos, andamos, andamos.
Pacientes, buscamos.
Persistentes, fomos até o fim.
E achamos tudo…vergonhoso.

Até mudei de lado: tirem os urubus de lá!
Eles não merecem estar cercados de nulidades ao som mal amplificado do bolero de Ravel de uma outra obra.

O conceito de arte é algo controverso.
Consultei várias fontes…
E o dicionário de filosofia de Stanford é o que melhor diz que arte pode ser tudo… ou nada.
(Confira lá porque não vou ficar fazendo tradução: http://plato.stanford.edu/entries/art-definition/)

De todas maneiras, devo dizer que:

Projeto da escolinha fundamental

1) Nada nos emocionou;
2) Nada nos surpreendeu;
3) Nada nos fez ver o mundo de outra maneira;
4) Nada vezes nada.

Uma ou outra crítica ao status quo, à política e NADA mais…
Arroz com feijão?
Nem a arte do amigo que foi a Londres para jogar óleo no chão.
E foi triste ver consagrados de outros carnavais misturados aos wanna be.
Rebentos de Hélio Oitica, Nan Goldin, Rosângela Rennó, Mira Schendel mereciam melhor companhia.
E, para termos uma conclusão muito pessoal desta bienal, descobri que a arte hoje é NADA.

Escolha um agente, um marchand e vire artista.

Melhor voltar à literatura que é algo radical dentro de um formato tão mais sutil.

All that we see or seem Is but a dream within a dream.