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Bolsa, que bolsa?

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Sou brasileira.
Vivo na terra do Nunca, na Ilha da Fantasia, num universo paralelo.
Hoje, enquanto eu queimava minhas ricas calorias na academia da Vila Madalena, um homem foi assassinado na rua de cima.
Sacou dinheiro e virou presunto.
Às 6h30 da manhã.
Em pleno estacionamento do maior fast-food do mundo.
Alô galera do Faroeste Caboclo, o bang-bang é aqui.

Por onde ando – e ando muito – vejo de tudo um pouco.
E hoje minha tara é bolsa.
Sim, bolsa.
Eu só penso em bolsa!

Aqui na Terra do Nunca, no reino da imaginação, uma bolsa a tiracolo de respeito e usada sai por cerca de dez mil reais.
Isto mesmo: as moças de família fazem fila para comprar bolsa usada.
E pagam por esta utilidade imprescindível dez, onze, doze mil reais.
Duvidou? Confira aqui: tem de dois mil e tem de vinte. Você escolhe qual e para que ocasião!

Talvez por isso e por outras bobagens, o bandido, este ser hoje tão popular, banalizado, encontrado em qualquer esquina e em qualquer lugar, talvez o bandido pequeno, aquele que não foi ao Congresso, o que não passou pelo Senado, talvez ele faça as contas (se é que frequentou escola na Suíça, destas que ensinam tabuada) e pense que vale mesmo a pena matar um semelhante por qualquer trocado.
Seja de manhã, como hoje, às 6h30, à tarde, como na semana passada, ou de noite.
Não tem polícia, não tem lei, moral ou medo que segure.
Não tem nada.
E confiram a profunda matemática da coisa: para comprar uma Chanel usada, são, pelo menos, 4 mortos na saidinha do caixa eletrônico.

Anote no caderno: 4 cidadãos assassinados = 1 Chanel usada

Em tempos de vaca profana, penso muito na Venezuela. Em Cuba.
Na Bolívia.
Por que não?

A previsão do PIB de 2013 despencou mais uma vez – e estamos em começo de junho.
Nos 12 últimos meses, virou realidade salgada o saldo negativo da balança comercial.
Os índios, coitadinhos, resolveram invadir Brasília.
Quem conhece a região sabe o sem número de formigueiros que habitam os gramados de lá.
Penso nos pobres dos índios pelados, com formigas carnívoras nas canelas e enfrentando ar-condicionado e carpete feitos para resistir a ratos.
Índio nunca bateu muito bem da cabeça.

O dólar, graças a Deus, cada dia sobe um pouco.
A inflação veio e deitou-se no sofá da sala.
O Banco Central, em ata, avisou: os juros vão subir.
E a Standard&Poor’s quer nos dar um downgrade.

Então penso na bolsa, na maldita.
Está mesmo na hora da presidentA fazer alguma coisa.
Fica aqui minha dica: crie logo, dona Dilma, a bolsa “Salve-se quem puder“.
Serão votos e mais votos agradecidos.
Se a bolsa-família causou tanta correria e não serve nem para comprar uma calça jeans para adolescente, talvez a nova Bolsa Salve-se Quem Puder sirva para comprar uma bolsa usada ou, para os mais conservadores, sirva para dar uns trocados para o bandido e nos deixar apenas aleijados na saidinha do caixa eletrônico.

Eu vi vantagem.E não pensei no apocalipse.

A piada e a saideira, ou melhor: a saidinha da tarde.

Impurezas

domingo, 17 de abril de 2011

Texto muito bom o do Ferreira Gullar hoje, na Folha.
Como sempre, o que é bom, é pago: só para assinantes.
Se você é, leia: Tragédia em Realengo.

Por aqui, minha vidinha suja de sempre.
Ontem comprei o ingresso e não fui ao teatro.
Antes, encontro com amigos mineiros que há muito não via.
Tanto não via que um casal não se lembrava mais da minha pessoa – que engraçado e constrangedor.
É que eu mudei e vou continuar mudando, eles, talvez, não.

Neste encontro, fiz das minhas, levei uma amiga de outras praias.
Sempre faço isso – misturo tudo.
Pobres moças impuras que empilham os pecados na prateleira da banheira.

Um velho conhecido dos tempos de outplacement aparece afoito.
Email, telefone, mensagem até no Linkedin.
O que ele quer não vou dar porque não quero.
Mas meu instinto de sobrevivência profissional e uma mineirice irritante – que acolhe a todos – fazem com que eu não ignore o chamado.

Por falar em mineirice, recebo notícias daquele moço rico e perdido que foi preso por supostamente matar a namorada grávida.
Novela das sete?
O moço foi casado com uma ex-amiga, bêbada, feia, complexada e que eu abandonei porque não gosto de gente que usa drogas.
Fiquei pensando – cheia de maldade – seria o moço rico perdido pior do que a moça rica complexada?
Sei lá – esse não é meu universo.

Meu universo é dos problemas do cotidiano, não dos épicos com um ego descomunal – drogas, dinheiro, carreira.
Meu universo é do motoqueiro que bateu no meu carro, do gatinho resgatado de uma vala na favela de Paraisópolis que, depois de dois meses de tratamentos contra um protozoário violento, veio parar em casa com 36 pulgas.
Eu fiz tudo errado: coloquei o veneno na nuca, tranquei num quarto cheio de conforto, fui ver os amigos no restaurante argentino e, ao voltar, cancelei o teatro e dei banho no gato. Era para ser ao contrário: dar banho no gato, trancar os amigos num quarto e aplicar veneno de pulga em todo mundo no teatro.
Precisei de pinça para arrancar as pulgas que se agarravam ao felino como muita gente ao passado.
Ele gritava, esperneava e eu esfregava e pinicava.
No golpe final, o secador.
Ele se acomodou, vencido, entre minhas pernas.
E eu ia aquecendo o pequeno e encontrando novas pulgas perdidas.
Hoje de manhã, duas mortas e envenenadas jaziam na almofada onde ele dormiu.
Aparentemente a colônia foi exterminada.

A vida curta das pulgas de favela.
O momento errado de adotar um gato paulista.
A mesquinhez humana ao saber da tragédia dos outros.

Um sábado quente e tão intenso.

Hoje é domingo. Dia de ler todos os jornais, rolar na cama gigante com um gato velho.
Comer Waffle belga às 10h.
Sonhar com Ferreira Gullar e seu saudoso Gatinho.

 

Notinhas sobre o nada

quinta-feira, 21 de maio de 2009

photo-176

Finalmente o Dunga apareceu: Ronaldo(s) não serve(m) para a seleção. Desde a Copa da França que não serve (m). Mas a gente sabe que tem que ter peito para encarar a pressão e  não colocar os caras. Gostei.

E o cara que pagou 2 milhões de dólares para matar a namorada? Com esse dinheiro ele mandava fazer uma namorada nova… Agora vai para a forca… Humor negro. Piada Pronta.

No mundo da moda, reunião, bronca, site, blog e conversa de padaria.
Nada muda. Isso é moda. Aliás, toda edição busco frases sobre moda para a capa. E várias – apesar de ótimas – são impublicáveis. Leiam algumas:

“A moda é um ridículo que não teme objeções.” (Honoré de Balzac)
“A moda morre nova. É isso que torna grave a sua leviandade.” (Jean Cocteau)
“Sendo a moda a imitação de quem pretende dar nas vistas àqueles que não o desejam, resulta daqui que ela muda automaticamente. Mas os comerciantes acertam esse relógio.” (Paul Valéry)
“Em matéria de moda, são os loucos que ditam a lei aos sensatos, as cortesãs que a impõem às mulheres honestas, e o melhor que temos a fazer é respeitá-la.” (Denis Diderot)
“A moda é uma variação tão intolerável do horror que tem de ser mudada de seis em seis meses.” (Oscar Wilde)
“A moda, afinal, não passa de uma epidemia induzida.” (George Bernard Shaw)

Na Inglaterra, justiça decidiu que Pringles é batata. (!) O fabricante queria mudança de categoria ( para aperitivo) para fugir de imposto. Vou ligar agora para a Receita Federal. Também quero ser classificada de aperitivo! Rárárárá.

E a moça que foi hipnotizada e perdeu 25 kg? Marion Corns, de 35 anos, foi convencida de que havia sido instalado um anel que reduziu tamanho de seu estômago. Alguém tem o telefone do HIPNOTERAPEUTA? Quero perder 5 kg e quero ser convencida de que ganhei na loteria. AGORA!

Fui