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Não quero flores de plástico

quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Recém chegadas

Recém-chegadas

Se alguém disser que a reentrada na atmosfera é fácil, duvide.
Acredite nos astronautas.

A volta a São Paulo foi estranha.
No avião, estava desconfortável.
Mas o agito da chegada me levantou.

Ontem, volta à casa de verdade.
Arrumar mala, resolver as burocracias de quem passa algum tempo fora.
Banco, chaveiro, fábrica de luminárias, bichos, porteiro, Antônia.
Quase não comi. E passei mal.
De calor, de cidade, de vida.
Não sei.

Hoje acordei fraca. E fui à luta.
Alice me acompanhou.
Supermercado vip pela internet.
3 horas para ganhar cachos.
Unhas de cor bonina.
E flores, flores cor-de-rosa.
Não sei dizer o porquê. Na banca de flores, estas pareciam mais vivas.

Numa busca pelo google, uma curiosidade:
– os lírios significariam barreiras contra a inocência, ao mesmo tempo que paz, saudade, proteção, nobreza, majestade;
– as astromélias, amizade eterna e felicidade plena.
Meu buquê diz muito, não?
E sugere traduções várias.
(O que Jung não faria com esse arranjo de flores cor-de-rosa…)

Num poema sujo e pesado, Rimbaud fala de flores.
Ce qu’on dit ao poète à propos de fleurs (o que dizem ao poeta sobre as flores)
Escolhi uns versos que me hipnotizaram:

De tes noirs Poèmes, – Jongleur!
Blancs, verts, et rouges dioptriques,
Que s’évadent d’étranges fleurs
Et des papilllons életriques!

Voilà! C’est le Siècle d’enfer!
El les poteaux télégraphiques
Vont orner, – lyre aux chants de fer,
(…)

Não vou traduzir. Tem algo de muito sinistro.
No século do inferno, que saiam flores estranhas, borboletas elétricas.
O poema é de 1871.

Em outro post, em dias de efervescência, em outro site, quando o blog engatinhava, coloquei a letra de uma música que me encantou pela gaiatice. Pelo rir de si mesmo e saber que não tem remédio. E não vou escrever a letra. Tem que ouvir para crer.

Autor desconhecido. Para mim, a melhor versão é da Badi Assad.

E, depois disso, “descobri” Kevin Johansen.
Antes, só havia ouvido com Jorge Drexler. E não achei nada demais.
Mas essa música me pegou pelo pé.
E me derrubou.
Eu já havia gostado de outras coisas dele sem saber que eram dele.
Um caso típico de “negação”

Las cosas no andaban bien, nada me salía,
mi vida era un túnel sin salida, pero…
(…)
Desde que te perdí hago lo que me da la gana
Desde que te perdí ya no tengo ganas de nada…
(…)
Desde que te perdí, desde que me perdiste
desde que me perdí, desde que te perdiste…

E as férias continuam. Tenho muito a perder.