Posts com a Tag ‘Bahia’

Raiz forte

segunda-feira, 23 de julho de 2012

o mesmo sorriso, a mesma cara dura, a fé inabalável

Ontem, deitada no piso, ouvindo canções de forma aleatória, fui ferida por um Milton.
E levei um caminhão de minério de ferro no peito.
Quase sem conseguir respirar, vieram pores de sol amarelos e não avermelhados.
Um brilho de chão duro e muito gasto.
Meus cabelos longos, meu macacão.
Minhas blusas pretas coladas ao corpo.
Minhas andanças de bota do exército e mini-saia.
Minha(meu) Afonso Pena.
Bahia.
Minha montanha sem fim.

De repente, percebi tudo o que já não é.
“Galpão” em tarde chuvosa.
Sexta corrida e sem luxo em acampamentos e fotos e banho terrivelmente gelado em algum rio que hoje virou terra.
Sonhos pequenininhos.
Uma festa.
Uns causos.
Um olhar para dentro tão profundo e medroso que parecia gás paralizante.

Hoje com um sotaque misturado, um cabelo curto para contrariar, um pouco mais de peito, a blusa solta…
Seria São Paulo, a idade? Cidade?
Mas como se ainda creio em tudo o que não fiz?

E eis que hoje recebo de surpresa um texto bobo sobre as mineiras, sexo versus sacanagem e algo com doce de leite.

Ah… Pobre de quem não nos conhece.
Feliz de quem tem medo.

Fruta do conde

terça-feira, 11 de outubro de 2011

O tal Conde de Miranda tinha bom gosto

Tem coisa melhor do que a casca verde, art déco, com esfumaçado em negro?
E a polpa branca, doce, lenta?
Sementes tão lindas que sempre guardo para jogar em algum jardim – embora nunca tenha visto uma árvore pelas redondezas.

Puríssima numa tigelinha branca ou em suco com água de coco para esbanjar?

E uma meia tarde sozinha?
Eu, comigo mesma, uma HP-12C, e uma telinha para acompanhar o sono dele.
Tão bonitinho.

Cabeça-de-negro, araticum-do-campo, araticum-dos-lisos e marolinho. Pinha.

A primeira muda aqui chegou vinda das Antilhas para criar raiz na Bahia, em 1626.
Culpa do governador Diogo Luís de Oliveira, o Conde de Miranda.
Quando amadurece, o fruto se abre como que dizendo:

é agora ou nunca!

O frio, a fome e a história

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Meu avô tinha um amigo queridíssimo e bem mais velho do que ele.
Dr.Bahia.
Todos os domingos era batata: depois do almoço, a conversa ia longe.
Viagens, civilizações, política, arte, espaço.
Eram mundos infindáveis dentro da sala de piso de pedra e parede de pinho de riga.
Nem parece que o que os uniu foi a medicina, essa ciência tão inexata e sem poesia.

Os netos achavam graça naquele assunto todo de dois seres que já haviam visto de tudo.
Os óculos com lentes grossas do Dr. Bahia, o profundo respeito de meu avô por ele.
As horas gastas com prosa, café, biscoitinhos.

Uma manhã daquelas que chegam para todos nós, Dona Zita, mulher do Dr. Bahia partiu.
Dr. Bahia, com muitos anos mais do que noventa, já andava cego, com audição fraca – mas com boa saúde.
Dona Zita havia sido hospitalizada dias antes e a família achou por bem não dar a notícia ao viúvo.
Fomos todos ao enterro. Menos ele.
Ambiente triste, com muita gente velhinha, rezas, flores, choros.
A morte ainda quente.

Passado um dia, Dr. Bahia perguntava por Zita.
Era uma desculpa atrás da outra: continuava no hospital, ainda não estava boa.
O velhinho dormiu e não acordou.
Pronto: todos reunidos para mais um enterro.
Esse foi o mais bonito que já vi.
O mortinho, magro, alto, cara serena.
Jeito de quem não deixou nada por fazer.
Um fim de dia calmo, tarde quente, sem muitas flores nem vela.

perpétuas

Segundos, minutos, horas

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Como dez dias passam rápido.
Muitas vezes, demoram.
Eu fico pensando em Som e Fúria e o relógio sem ponteiros.
Quem é o carrasco?
O tempo ou o relógio?

Hoje acordei muito cedo.
Não entrei no mar.
As caravelas vieram até a areia e preferi um banho de chuveiro.
(virei uva-passa na piscina)
Dormi, acordei de sopetão.
Subi na cadeira.
Olhei para o céu.
Corri.
Cheguei um minuto antes da chuva cair.
Deu tempo de salvar as roupas que estavam secando ao sol.

Sou assim.
Previdente, organizada.
Vento…
Voou como meu tempo aqui.

Agora é barco, estrada, avião.
E uma vontade doida de colocar rédeas na vida.
Ano bom.

Um drink e Caras ao vivo

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

egos e rock’n roll

Sabe aquela “famosa” atriz da extinta Malhação que está grávida do namorado que conheceu há seis meses?
Pois é…
Deu a dica de que não queria ser fotografada no hotel.
A recepcionista, baianíssima, olhou de cima a baixo e disse:
– Não se apoquente, aqui só fotografam atrizes da novela das oito…

oxoxoxoxo

Enquanto a italiana desfilava as celulites por aí, sem medo de ser muito feliz, a papisa da modinha nacional soltou entre dentes:
– Deveria comprar um novo biquíni e processar o cirurgião plástico.

(Eu queria entender por que a papisa só anda de batona, cobrindo tudo como se fosse uma rainha da era vitoriana)

oxoxoxoxo

E o casal intercontinental?
A brasileira denuncia aos ingleses descolados:
– A imprensa nacional esconde os horrores das favelas paulistas e só apresenta os problemas cariocas…
Eu pensei com meu roupão de algodão egípcio:
– Bom deve ser sair de noite e desacompanhada na África do Sul…

oxoxoxoxo

Viu como, com sol ou com chuva, eu me divirto?
Acabei de ler a biografia de Keith Richards e ando insPIRADA.
Cada mergulho, um flash!
Um drink.
Uma história.
Algo de rock’n roll.

E adotei a máxima local:
“- Em nome de Jesus!”

Sauna com vodka ou drink de laranja?!

Fragmentos

domingo, 26 de dezembro de 2010

Um passeio de barco. Uma água de coco em casa de caboclo.
De bicicleta, enquanto o helicóptero me inveja lá do alto.
Um passeio de barco só para colocar as mãos na água morna.
Eu me despedi ansiosa de 2010.
E, nesse fim, ele me deu um tapa de luva.

(imagine aqui qualquer foto bonita)

chegada

MacunaAna

sábado, 9 de janeiro de 2010
Mangueira!

Mangueira!

Preparando o espírito para a volta ao batente.
Passeio pela Vila, carro sujo e volta pelo lado fino da cidade. Visual com cachos em novo shape, flores para a casa ter a minha velha cara.
Cheguei decididíssima na banca: quero todas brancas para celebrar o ano e mandar saravá para Iemanjá.
Saí coberta de verde e rosa da Mangueira (embora meu coração seja verde e branco).

Aproveito para celebrar Oxóssi. Rei das florestas, caçador, orixá da alegria, da expansão, o que gosta de agir à noite. Dizem que seus filhos são faladores, muito ágeis e de raciocínio rápido. Segundo Pierre Verger, Oxóssi é o arquétipo daquele que busca ultrapassar os próprios limites, expandir o campo de ação. A caça é uma metáfora para conhecimento, ciência, filosofia. Está tudo de bom tamanho.

Como uma católica de batismo, agnóstica com forte tendência para o ateísmo resolve fazer um agrado para o candomblé?

Culpa dessas conexões que insistimos em não notar… Olha que a antropologia adiantou meu lado com totens por Levi-Strauss e Marcel Mauss.
Em 98 morei na Bahia. Andando por bairros pobres ou mesmo dando voltas no Pelourinho, algumas pessoas me cumprimentavam com nomes estranhos e oferenciam guias bicolores. Pensei que a graça era para todo forasteiro branquelo e achei uma beleza receber colares de contas coloridas sem ter que desembolsar um centavo…
A verdade é que fui “descoberta” pelo candomblé. Para quem crê, sou filha de um santo. Santo esse que não costuma ter filhas. Engraçado é que em Cuba (2001) a história se repetiu. O nome do santo muda, mas como todos temos sangue do Benin nas veias…

Não me aprofundei na relação mística e espiritual com um “pai” do candomblé por pura preguiça. Mas aí a influência vem de outro terreiro. O terreiro paulistano e modernista. Terreiro de Mário de Andrade, de Macunaíma.

“Só o papagaio conservava no silêncio as frases e feitos do herói.
Tudo ele contou pro homem e depois abriu asa rumo de Lisboa. E o homem sou eu, minha gente, e eu fiquei pra vos contar a história. Por isso que vim aqui. Me acocorei em riba destas folhas, catei meus carrapatos, ponteei na violinha e em toque rasgado botei a boca no mundo cantando na fala impura as frases e os casos de Macunaíma, herói de nossa gente.
Tem mais não.”

Que twitter que nada…

segunda-feira, 22 de junho de 2009

dsc_0180 Que bom voltar à rotina. Acordar cedo, ginástica, trabalho. Consegui sincronizar o telefone novo – não perdi nenhum contato.

Ao lado, uma foto tirada na aldeia hippie onde Janes Joplin passou uma temporada… Arembepe – há dez anos eu não passava por lá. Se você acha que twitter é o assunto do momento, está errado. O assunto do momento é liderança. (!)

E mais embaixo uma das dezenas de iguanas do hotel na praia onde Vincícius morou: Itapuã. Eu simplesmente viajei nelas. Calmas, mansas. Um bicho meio pré-histórico, bonito, estranho. No detalhe, a havaina que eu abandonei quando a iguana veio para cima dos meus dedinhos do pé… Na boa, ter o pé mordido por uma iguana na Bahia iria ser o maior mico. Dá mais status ser levada para passear por um bando de malacos que quer seu cartão de crédito…

dsc_0173