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Capítulo 7

terça-feira, 17 de abril de 2012

Terça-feira.

Minha pequena

Quase não cabia em seu velho vestido.
Mais uma vez, o casaco de couro resolveria as coisas.

Não avisou.
Pegou as chaves e saiu.

Ainda era cedo.
Rodou pelas ruas, olhou portas de bar.
Estacionou.

Foi direto para o balcão.
Ficou ali, observando pessoas, ouvindo conversas.
Não era daquelas que, de tempos em tempos, olhava para o celular, fingia que mandava mensagens.
Bebida devagar para passar o tempo.

Quase ninguém percebia sua figura pálida, distante.
Pequena e frágil – quem diria.
Tinha olhos tão negros que não era possível ver as pupilas.
Um ou outro, com sorte, desviava o olhar.

Ali, todos falavam alto.

Ela gostava assim.
Mais fácil.

Enquanto buscava, bebia.
Pediu mais um. E mais um.

De repente, um frio na espinha.
Finalmente.
Dentes muito brancos.
Roupas discretas.
Bebia cerveja.

– Esse não sabe que não volta mais para casa.

Campanha e polêmica: meu nome é Ana

quarta-feira, 2 de março de 2011

Hoje chegaram os meus de cabeça…
E são homenagem ao defenestrado John Galliano e as loucuras que ele faz nas passarelas.

Em primeiro lugar, quero deixar claras algumas posições políticas.
Com relação a Israel, sou pró-Palestina e ponto.
Imagina se a onda pega e resolvem lotear a Amazônia para dar lugar a algum povo sem país? E a ONU ainda libera a reforma agrária?
Holocausto, Hitler, anti-semitismo: sou contra.

Sobre John, penso com meus botões.
Todo parisiense sabe:
1 – Que ele próprio, o nascido e criado em Paris, é um chato de galocha, bolsa e chapéu;
2 – Que bebe mais do que a média da população mundial.

Daí que um moço genial, cigano inglês, filho de espanhola, perde seu braço direito.
Em 2007, o amigo, assistente e conselheiro se matou.
E esse moço segue a vida meio zonzo, cheio de dinheiro e bajuladores.
A pressão é sempre enorme no trabalho.
Ele está ficando velho. Acaba de fazer 50 num mundo em que as protagonistas têm 15.
Ele começa a passar da conta.
Drogas? Álcool definitivamente.

O moço escolhe um boteco no bairro em que mora, que já foi comunicade judaica.
O Marais é uma afetação sem fim.
Depois de entornar todas… Elogia Hitler e xinga os vizinhos de copo.

Não estou defendendo nem justificando.
Patético, de mau gosto, idiota – no mínimo.
São adjetivos que caberiam também a outros mundos: ao da moda e, em certa medida, ao corporativo.
Atire a primeira pedra aquele que nunca soube da história da secretária com o CEO…
Das baixarias inconfessáveis das horrorosas festas de fim de ano.

Enfim, Galliano surtou e falou besteira.
E a Dior encontrou a deixa ideal para fazer o ex-enfant terrible picar a mula.
Afinal, ele já está velho e caro demais.

E o cisne do Oscar?
Essa continua embolsando a grana da campanha que fez com o fofo, mas resolveu condenar a atitude do moço publicamente.
Natalie Portman é a favor do exército de Israel e do dinheiro do bêbado anti-semita.

O que publicou o estilista:
Eu tenho de assumir a responsabilidade das circunstâncias em que me encontro e por ter permitido a mim próprio ser visto a ter os piores comportamentos possíveis.”

Quer saber?
Vamos comprar confete e beber uma cerveja – todas menos a Devassa.

PS: Ah, e quer saber por que estou torcendo por Charlie Sheen?
Não deixe de ler “como ser um roteirista maquiavélico e acabar com atores viciados“…