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Manual de sobrevivência

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Jazz, guayabera e um silêncio

Meia vida se encerra em nove folhas de papel.
Quem paga o jornal?
O banho da cachorra?
IPTU, Condomínio?
A vida, o dinheiro, os bens, as coisas?

Quem fica com o espremedor de laranja?
O toca-discos?
A máquina de waffle. A panela.

Dois meses de jogo duro.
De viradas dignas de Nina Simone.
Do ceticismo se fez luz.
Das certezas se fez a solidão.
Das dúvidas se fez de tudo e mais um pouco.
E eu comecei a recitar vários mantras.

Um dia na estrada, um banho de mar.
Discussões, como sempre, sal no carro.
Um impresso.
Rubricas em 8 páginas.

E assim começa a nova vida.
Passando em branco todas as coisas.
Mas deveria conter coisas este papel?

Aqui jaz Parati numa noite de amor vendo os telhados.
A varanda com rede do Jardim Botânico.
Os exus no jardim.
O carro novo amassado em uma escada de qualquer ladeira em Santa Tereza.

Aqui jaz Cuba.
O carnaval de Olinda.
Jamaica de red or white wine, champagne?
Aqui jaz o prédio da Bela Vista com bela vista para Masp.
Aqui jaz o fantasma de dona Bibiana.
Jaz o apartamento da João Lira.
Bibi, Leleco, Mafalda, Marmelo, Bo Ba (de Lina).
A praia do Leblon.
O posto 9.
A banda de Ipanema e as Carmelitas.

Um ou outro forró mal-dançado.
Uma festa de arromba no Humaitá.
Alguns festivais de cinema.
Um carro novo, importado.
Nova York.
Punta Del Leste.
Um reveillon em Itatiaia.

Aqui termina a festa de arromba para 400 pessoas.
Com muito espumante brasileiro e uísque estrangeiro.
Os amigos de todas as partes.
Aqui jaz meu vegetarianismo.
Meus quilos a mais – contados e recontados e perdidos como que para mostrar que a vida pode nascer das cinzas.
E eu estou de novo como eu era quando tinha 23 anos.
E nao me pareço em nada com aquela menina.

Aqui jazz.
Ali samba.
Aqui fidelidade eterna.
Ali confusão que custou caro.

Algumas raves.
Gafieiras.
Mochilões.
E, que engraçado, nunca fomos juntos para a Europa.
Paris, Praga, Amsterdã.
Cada um a seu tempo.
E por sua conta.

Em nove páginas, não existe nem um capítulo de histórias.
Só coisas.
E coisas são mudas.
Inanimadas.

Que o juiz faça uma graça, cite Oscar Wilde.
Ou, ao menos, Vinícius.
Se ele nada fizer, prometo queimar todas as nove páginas ao som de John Coltrane.

Aí, sim, tudo o que jazz.
E segunda-feira eu sairei pela calçada, com cara e alma lavada.
Pronta para qualquer parada.
Ou andada.

Porque eu sou Pessoa.
E amo tudo o que já não é.

 

Ma petite étoile a trouvé son grand amour

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Lindinha, frágil, delicada.
Não consigo ficar triste.

A história de Bibi e Mafalda é muito linda.
Bibi, mineiro bobo, começou a reclamar muito quando mudei para Fortaleza.
Eu viajava 3, 4, 5 dias e o deixava sozinho no apartamento.
Minha mãe postiça, Dulce, passava em casa para saber se estava tudo bem.
Bibi reclamava e se escondia.
Quando eu voltava das mil viagens, Bibi gritava, reclamava – com toda a razão.

Um dia, vi um bebê cinza apanhando com vara de marmelo no centro de Fortaleza.
Fiquei de olho.
Quando o pequeno deu sopa, peguei rápido e o coloquei dentro de uma caixa de sapato.
O bichinho arranhou, gritou, fez tudo.
Era Mafalda (que eu achei que fosse macho) – um sequestro relâmpago que durou 12 anos.

Bibi se apaixonou e não se cansou de lamber, de cuidar da Mafaldinha.
O nome é em homenagem à famosa personagem de Quino.
Uma criança perspicaz, meio amarga, com excesso de realidade.

Bibi e Mafalda formavam um casal muito harmonioso.
Sempre juntos – até na terrível hora do banho: um ficava paradinho, solidário, miando embaixo do tanque, esperando pelo companheiro ser esfregado, molhado, perfumado. Arght!

Com a morte do Bibi, Mafalda adoeceu.
Uma feridinha no rabo virou feridão.
Uma bobagem virou uma gata sem rabo.
Nos últimos dias, ela desistiu.
Sem comer, sem andar.
Deitadinha.
Só miava baixinho quando eu fazia carinho.
Hoje, às 18h, deu um suspirinho e foi se encontrar com o Bibi.

O amor, sem dúvida, é forte.
Eu fico emocionada.
Não é tristeza.
É assombro mesmo.

Bibi e Mafalda, um amor de verdade.

Perdas e ganhos

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

You don't know me

Graças a 2010, eu não choro mais do que o necessário para seguir em frente.
Mas anda doída a perda de meu amigo de 18 anos. Não posso negar.

Graças a 2011, abrem-se novas e boas portas.
E estou revendo algumas das minhas decisões radicais.
Ex-amigos, mudanças que quase-foram, outras que foram, velhos conceitos.
É chegada a hora de voltar atrás, fazer a curva. Quero ser menos “definitiva” com o que um dia não deu certo.
E quero caminhar na paz.

Nesse clima, meu espírito contraditório veio com tudo.
Mais uma vez, esbravejei contra essa onda de transformar José Alencar em herói.
E andei jogando porcaria dos outros no ventilador…
“Paz” com assinatura Ana Pessoa.

Depois de resolver as chatices burocráticas que todo dono de empresa enfrenta no começo de um ano, hoje me dei uma folga.
Deixei o texto do amigo que estava quase pronto para depois, não cobrei a entrega de material do fornecedor atrasado, congelei o grande projeto da enorme empresa.
Deixei tudo para amanhã na cara dura.
E fui para o salão de bairro com minha prima 4 anos mais nova.
Pé, mão, café e fofoca.
Mais uma escova que me deixou com o cabelo todo oleoso de “produtius”.

Ah, Belo Horizonte é uma cidade estranha…
Parece o ensaio de uma série daquelas tipo Mad Men só que feita com baixo orçamento.
Uma coisa do passado com personagens muito marcantes.
E, definitivamente, eu não faço parte do cast.

Agora, hora de ir para a degustação dos novos pratos do bistrô francês com a mamãe.
(Leia-se: As incríveis aventuras da balzaca inconformada com a condição humana e com os dois pés definitivamente na jaca…)

Ciao, Bib’s

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Na virada do ano novo, altinha com algumas taças, devorei 2 sonhos-de-valsa para tentar curar uma possível ressaca e fui dormir.
À noite, sonhos horríveis.
Bichos machucados, meus bichos, bichos de conhecidos.
Acordei feliz com 2011.
O pesadelo, claro, foi típico de quem bebeu um pouco demais e comeu muito.
De toda maneira, pensei em guardar a história para um conhecido psiquiatra que vive perguntando sobre sonhos e adora falar sobre possíveis significados…

Esta noite, cansada, já na casa da minha mãe, sonhei com um gatinho.
Pequeno e branquinho, com um olho de cada cor.
Igual ao meu gato velho de quase 18 anos.

Quando o peludinho apareceu, eu estava na faculdade.
Com um olho castanho e outro azul, foi batizado de “Viagem Espacial”.
E virou nosso xodó.
Foi criado a presunto Sadia (coisa da minha mãe, porque eu, dura, só comprava Whiskas).

Virei jornalista, mudei de cidade, fui comer o pão que o diabo amassou em Sampa e deixei Bibi para trás.
Ele, que sempre dormiu em meus pés, ficou lelé da cuca.
Mamãe se preocupou.
Pensou em doá-lo.

O nome cabalístico fez das suas.
Busquei o mineiro em casa e ele ganhou o mundo.
Gozando de plenas faculdades mentais, morou em Belo Horizonte, Fortaleza, Rio, São Paulo.
Viajou de avião para cima e para baixo.
De carro, também.

Era magrelo, inteligente, desconfio que tinha algo de inglês.
Sempre elegante, era o último a comer.
E gostava muito de música.
Escolheu “Summertime” para chamar de sua.
Quando sumia, era só assoviar a canção que ele aparecia miando.

Ultimamente, andava cheio de manias.
Tinha que beber água da torneira da pia na hora desejada, cismava de mostrar suas habilidades em meu tapete de yoga e adorava dormir encostado no meu peito.

Desta vez não vai ser preciso decifrar o sonho.

Bibizinho, que falta que você me faz.
Aí no céu dos gatinhos, fiquei sabendo, abrem uma lata de atum por hora.
E as nuvens são puro novelo de lã.
E, se você encontrar com George Gershwin ou DuBose Heyward, mie alto por mim: Summertime.

Summertime,
And the livin’ is easy
Fish are jumpin’
And the cotton is high

Your daddy’s rich
And your mamma’s good lookin’
So hush little baby
Don’t you cry

One of these mornings
You’re going to rise up singing
Then you’ll spread your wings
And you’ll take to the sky

But till that morning
There’s a’nothing can harm you
With daddy and mamma standing by

Summertime,
And the livin’ is easy
Fish are jumpin’
And the cotton is high

Your daddy’s rich
And your mamma’s good lookin’
So hush little baby
Don’t you cry

Cansada para caramba

quinta-feira, 18 de março de 2010

Pois é…

Amanhã recebo meu primo em casa. Acho que ele é uns 8 anos mais novo que eu. E vem para descobrir a vida em Sampa. Eu dou o maior apoio. Vem sem data para ir embora.

Nessa aterrissagem, espero ser uma boa co-pilota.

A casa vai ficar animada. Alice, a cachorra que agita mais que o rabo, vai amar.  Os gatos, rabugentar.

Ontem e hoje me correspondi com uma amiga que está numa viagem que era para ser bacanérrima, mas tem algo de pesadelo. Por que Sartre tem razão? E tem gente que acha que o inferno é um horror…

Enquanto escrevo, Bibi, o gato velho está esquelético e muito elegante de frente para mim – ao lado do computador. Eu desconfio que, em outra encarnação, esse gato foi um nobre inglês que morou na Índia. Agora que está velhusco, lembrou dos tempos de faquir. Leleco, por sua vez, está na primeira vida. Como se não houvesse amanhã. E não veio ao mundo para sofrer. Mafalda é só uma gata que ganhou na loteria.

Vovó hoje me disse que me enganaram. Falaram que era Brasil só para me mandar para lugares esquisitos com deserto. Vovó é mais danada que a Hebe e Ana Maria Braga.

future = glorious mess!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Foto criada em 2009-10-22 às 22.50 #2Foto criada em 2009-10-22 às 22.51 #4

Segundo o google, vai ser assim porque é cada vez mais barato criar.
Pois o meu presente já é uma zona gloriosa.
E tem a ver com o google também.
Mas tem mais a ver com ser balzaca em ascensão para loba boba.
Risos.

Foto criada em 2009-10-22 às 22.52 #4Foto criada em 2009-10-22 às 22.52 #6

E com meu espírito cigano germânico.
Eu não sou uma metamorfose.
Sou uma dicotomia ambulante.

Foto criada em 2009-10-22 às 22.53 #2Foto criada em 2009-10-22 às 22.53 #3

E meu maior parceiro nessas aventuras tem 16 anos.
Bibi, o gato manco mais cheio de opinião do pedaço.
Com essa, despeço-me.

Boa noite.

Bibi, meu rei

sábado, 22 de agosto de 2009

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Trabalho no celular. Trabalho em casa.
Estou me associando. Bumaiê.
Trabalho na editora. Levo Alice para passar o sábado comigo… Trabalhando.
Amanhã, trabalho.
Domingo, trabalho.
Caramba.

Eu gosto, mas está demais.
Um ponto entre o excesso e a falta por favor.

Bibi é meu gato.
Vai fazer 16 anos em 4 de setembro.
Está no meu colo.
Acho que anda senil.
Fisicamente, um garoto. Pula, corre, reclama, está no meu colo.
E resolveu fazer xixi onde quer.
No tapete do banheiro.
Na banheira.
No jornal da Alice, a cachorra.

Deve ser muito bom.
Fazer xixi onde quiser.
Bibi é meu ídolo.