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Ensaio sobre a raiva

domingo, 29 de dezembro de 2013

Retórica, ironia e outros pontos.

O texto do francês rendeu que só – mas como o blog é diletante só agora li a gritaria.
E como este espaço ainda por cima não é nada democrático, pouca coisa se salvou.
Muitos cães raivosos e um pouco recalcados por não falarem francês.
Outros só raivosos mesmo, achando tudo o que dizem de nós uma graça.
Paciência.
Afinal, nem este nem o blog do francês têm a mínima importância.

Ironia é por aí: nem todo mundo pega no ar.
Ironia mineira é pior ainda: tem um quê de maldade.

E deste fio mal enrolado sai a graça atual.
Da estátua de Drummond (horrorosa e de mau gosto) pixada (o que entornou o caldo de vez) e da boa sacada do dono da loja de tintas que foi lá e fez em minutos o que o poder público certamente deixaria para só fazer a um alto custo em 2014.
Dos assaltos no fim do ano.
Dos assassinatos.
Da chuva que sempre leva gente.
Da inocência de quem crê na loteria da virada.
Do pedreiro milionário, sequestrado e que desistiu de São Paulo.
Da PR que misturou África, negros e AIDS num mesmo barco e afundou com ele.

Tudo tão torto que entendo o grito.
Seja ele de dentro de casa ou na sacada.

2013 se esvai como chegou: deixando o peito apertado de tudo o que não se concretizou, mas bem que poderia.
Esta coisa de fechar um ciclo achando que próximo será melhor é pouco prática, mas muito engraçadinha.
Esta mania de achar que vai dar certo mesmo sem levantar um dedo para que isto aconteça.
Por que não?
Há quem consiga.

Imagina, sair por aí como Alexandre, com a sede dos 20 anos e se acabar com malária, ou envenenado, ou com encefalite por excesso de álcool, ou mesmo febre tifóide.
Para chegar a tanto tem que ter vivido intensamente e gritado alto enquanto empunhava a espada.
O que mais me atrai é o fato de respeitar os derrotados.
Esta coisa de reverenciar o mais fraco. De não se deixar levar pelos louros de um instante qualquer.

Mas, se não vamos entrar na seara da antropologia, muito menos na da psicologia.

2013 está fechando as portas.
Está partindo com sol no Rio.
Está deixando as dívidas crescerem como fermento de boa qualidade.
A necessidade aumentar.
2014 chega de testa marcada, cheio de tarefas para entregar.
E com ou sem francês – que costuma não entender nada mesmo – há que se caminhar.
Não há saída.

How can I, that girl standing there,
My attention fix
On Roman or on Russian
Or on Spanish politics?
Yet here’s a travelled man that knows
What he talks about,
And there’s a politician
That has read and thought,
And maybe what they say is true
Of war and war’s alarms,
But O that I were young again
And held her in my arms!

William Butler Yeats

RESPONSIBILITIES

Oh wow, oh wow, oh wow

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Em tempos de mortes de Jobs e outros famosos do Vale do Silício, vai a dica:

Quando eu morrer, não mande mensagens no meu blog, no Facebook.
Não aperte o botão de “like”.
Não me mande recado relembrando a nossa amizade.
Não publique aqueles momentos íntimos na internet.
Não coloque no youtube minhas matérias da TV.
Não escreva um post, não “twitte” uma frase.
Não publique uma foto.
Não releia aquele texto.

Sabe o que é?
No além, dizem, não tem rede wi-fi.
Os mortos não costumam ler nem responder nada que não pinte numa mesa branca.
E também, tive notícia, não curtem muito essa coisa de tag na foto.
Eles não estão mais aqui, sabemos, mas não precisa avacalhar com o defunto.

Se puder, toque aquela canção.
Cante.
Jogue papel picado da janela.
Chute 3 ou 4 baldes.
E, claro, tome uma por aquela que não deixará nada para a posteridade.
Ela, definitivamente, não foi santa.
E disso muito se orgulhou.

(em tempo: fica proibido todo e qualquer minuto de silêncio em jogo de futebol, show de rock e correlatos)

Sobre os blogs alheios

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Meninas, da minha piscina ao UOL, o lance do momento é o blog da baiana que promete ficar 365 dias sem comprar roupas e acessórios.
Óbvio que espiei, gostei de umas três páginas, curti a idéia e depois enjoei.
Aí, abri meu potinho de doce-de-leite Chimbote (made in Argentina) e a sensação foi a mesma.
Comi e não gostei…

Nessa minha pré-velhice, ando meio com pavio curto.
Nada a ver com a adolescência – quando nem pavio temos.
Estou num momento “me poupe”.
De Obama ao comentário óbvio, passo o facão.

Quero gente interessante, texto rasgante, idéias absurdas.
Essa coisa tatibitati… Ai, santa falta de paciência total e irrestrita.

Semana cheia dá é nisso.
Ontem a reunião de 18h30 foi cancelada e transferida para hoje.
Hoje eu cancelei a mesma reunião e transferi para segunda.
No mundo eletrônico, você nem precisa telefonar.
Manda uma atualização de agendas e pronto.
Ninguém reclama de ir para casa mais cedo.

E o que você acha do guardador de carro que te vê na rua, pergunta se você engordou e se parou de trabalhar – já que está dando banda na Vila antes do anoitecer?
Vai para o trono ou não vai?
Troféu abacaxi…
Ah, claro, isso tendo feito a introdução cafona: “Você sabe que eu te amo profundamente”.
Hombre, ¿por qué te quiero?

Em mundo virtual…
A empregada liga avisando que queimou dois ferros de passar de uma vez (o vaporizador já estava na assistência).
Um minuto depois, você blasfema não perdoando nem a Santa Terezinha, e  dá, ao mesmo tempo, uma geral no Buscapé para comprar o ferro de passar mais barato do mercado.
(Ela também vai acabar com esse antes de você pagar a primeira parcela)

E ainda registra reclamação no Procon via web depois que o WalMart te entregou mercadoria com defeito e se recusa a te mandar outra ou te ressarcir… (!)

 

Do jeito que a coisa anda, vou mandar um email avisando que hoje só venho amanhã.
Fui.

A tal da lei da relatividade

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Tenho lido na web “recados” interessantes de amigos e conhecidos.
Uns não acreditam em amor “moderno”, outros anunciam casamento, a foto do filho, mortes e festas.
Fotos sensuais, opinião sobre a presidente do Brasil, viagens a Ibiza, Saint Tropez e muito mais.

Mas, McLuhan, se o meio é a mensagem, a mensagem em si é uma redundância?
Estamos aí para colocar a vida em pratos limpos?
Ou para tecer uma novela particular?
Para falar que o trabalho anda chato, que aquele colega é um imbecil, para mostrar para o ex que, sim, vamos bem, bebendo todas e ainda viajando pacas?
Para mostrar o que comemos, quanto malhamos, a pré-estréia que assistimos?

Eu acho mesmo que estamos muito carentes.
Que queríamos mais festa, mais beijo, mais gente.
Ou estamos doentes?
Essa muleta aqui é cachaça pura.

Aqui, as melhores fotos, as festas mais badaladas, os murmúrios que dão margens a comentários.
Aqui, o lindo, o bacana, o inusitado.
Da tela para fora, uma vidinha mais ou menos, uma pancinha, uma dor de cotovelo.
Uma deprê basiquinha.
Um aperto para pagar a conta.
Uma cafonice, querida, nem te conto.
Uma espinha na ponta do nariz.

Então, façamos um pacto.
Eu continuo escrevendo a dor e a delícia de ser uma anônima na multidão e você toma um chopp comigo qualquer dia desses?

Think outside of the box

Nova geração

sábado, 22 de maio de 2010

Estamos com ela na cabeça.
Num focus group nada científico, tudo me impressionou: a pontualidade, a opinião ponderada, a assertividade, a fé, o medo do que vai ser.
A crítica fundamentada – que derruba muita percepção fácil de que a publicidade engana a todos. Eles associam marcas a desejos, mas não são bobos. Não venha com essa de que é só misturar tudo com um sorriso ou um visual esportivo que eles engolem… Eles não engolem.
A gente fica achando que essa geração Y é isso ou aquilo… Olha, pode ser que a primeira leva seja mesmo despreparada para a elegância. Mas a última leva é a própria redenção.
Que garotada bacana e que fé no futuro! Vai ver, já são Z!

Hoje, rodando por aí sem um pingo de culpa na carteira, pensei para onde vamos todos: eu, você, a geração X, a Y e a Z. Eu volto para o caminho da felicidade, com o rabinho abanando em busca de um “dono”.
Já estou montando uma agenda incrível: yoga, aulas de francês (particulares – para eu pegar esses verbos pelo pescoço), dois, três almoços, trabalho só depois de tudo isso.
Encomendei aquela bota-sandália Balenciaga que tanto me encanta. A chique da minha personal vai para Paris, meu bem! E eu vou personalizar com o marido dela – sem segundas intenções porque a moça aqui não é de vida dupla.
Também fui olhar uma casa. Por que não?
Os desempregados também amam! E consomem e sonham e tudo o mais.
Quero achar tempo para escrever – sua corporação tem medo do meu blog? 
Ai que delícia é começar e recomeçar e ter fé.

Momentos antes da ressacaFina ironia

A girafa yoísta

domingo, 22 de novembro de 2009

girafitaSair por aí na chuva… Só para mostrar o que está acontecendo do lado de cá.

Minha vizinha. Decidi tirar uma foto com ela. Na chuva, ninguém pára para olhar você tirando foto com uma girafa. (a não ser quem tira a foto)

Tentei assistir a uma produção cinematográfica local. Cancelaram e não avisaram… Tomei chuva e nada.

Fui conhecer a livraria Gandhi. Não sei quantas vezes passei em frente e nunca entrei. Bacana. 3 CDs de jazz de gente da terra.

Comprei caramelos da Lion d’Or. Devorei uma caixa (e paguei mico mais tarde…)

Chuva, chuva quente.

Tudo a ver com empanadas quentinhas.

Táxi, direto para a Recoleta.

2 empanadas Sanjuanino. El patrón (que pena) não estava. 1 Quilmes gelada. Eu queria clericó. Eles não fazem E quando vi fazerem a sangria com Crush de laranja… Aaaaarght! O excesso de brasileiros não me incomoda. Um ex-colega de Cuba entra. Fiquei escondida. Cabeça baixa. Não gosto de surpresas. Não quero falar de amenidades. O que você tem feito nos últimos 8 anos?

Um pedaço de tamales. Prefiro empanada de humitas.

De lá, caminhada até o shopping mais próximo. E, claro, não passavam um filme que me interessasse.

Táxi de novo. De volta para a Corrientes.

16H40 – Cine Premier. Um pulgueiro decadente. Uma tela pequena no terceiro andar. Um calor de matar baratas.

“Los Abrazos Rotos” de Almodóvar.

Pimenta com chimichurri

Pimenta com chimichurri

Deu um caldo. Saí inspirada. O gay, filho de pai rico e dominador. O diretor cego.

Eu gosto de Truffaut. Gosto muito de Costa-Gravas. Fellini. De Sica. Tomás Gutiérrez Alea. Woody Allen me surpreende de tempos em tempos – mas, vendo o conjunto da obra, ele é repetitivo demais e perdeu aquela graça boba. Não critica judeus, tem um quê que falta. O fato é que, desde que tropecei no espanhol em Nova York, e ouvi seu discurso de viva-voz, Costa-Gravas ganhou um rival. PEDRO ALMODÓVAR.

Inteligente, louco, desassossegado, radical, violento. Pronto. Outra alma gêmea. Sem papas-na-língua. E sem modéstia. Se eu tivesse a cara de Almodóvar, talvez desse “certo” na vida. E o que ele diz sobre blogs?

EGOTRÍPTICO

Estamos en plena efervescencia de la literatura del Yo (Por supuesto estoy a favor, también estoy a favor de los libros inclasificables y de la demanda del Juez Garzón de hacer listas de todos los “vencidos” en la guerra, y de abrir todas las cunetas y paredones que haya que abrir para que sus familias puedan enterrarles como es debido).

No tengo más alternativa que la de estar a favor de la literatura del yo, no hay nada más “yoista” que la escritura de un blog. También es cierto que al ser esa su naturaleza, nadie te puede tachar de egotríptico.

http://www.pedroalmodovar.es/PAB_ES_09_T.asp

E entrei numa livraria dos sonhos. ZIVALS. Fica na av. Callao 395, esquina com Corrientes. Pirei completamente. Depois de horas e horas de puro deleite, levei a poesia completa de Arthut Rimbaud – edição bilíngue (tá certo, não resisti). Levei também Diários de Andy Warhol, edição de Pat Hackett. E um dicionários de gestual argentino. E outras bobagens. Deixei Verlaine me esperando para uma próxima.
E fui para o tal restaurante de comida molecular (que eles chamam de “techno-emocional”).
Drinque de entrada, comidas malucas (mas bem servidas), vinho… E claro – somados à caixa de Lion d’Or + empanadas… Deixei o tango para hoje… E dormi com a barriga estufada por conta do material abaixo… Aiiiiiii!

Luz?

terça-feira, 20 de outubro de 2009
Mutante

Mutante

Luz branca = cabelo castanho escuro.
Franja = só na foto.

Tenho uma avó ligada no 220V (Freud nem precisa explicar).

Quando anunciei o primeiro namorado (eu com 13, ele 16), adivinha quem me pegou no flagra?
Quando tomei o primeiro porre da minha vida, adivinha quem questionou o bafo?
Quando falei que ia dormir na casa da amiga e passei a noite na rua, adivinha quem ligou “a” com “b”?
Quando fui sozinha para Amsterdã aos 15, adivinha quem chamou minha mãe de tonta?
Pois é, dona Chlóris* é da pá virada. Não deixa passar nada.
E a última dela foi puxar minha orelha por conta do mundo digital: “-Seu twitter é muito doidão. Você se expôe demais no seu blog. Para quê isso?”
Aos 85 anos, ela questiona o meu twitter e meu blog.
E não tem e nem usa computador.
Como pode?
Quais são as fontes da vovó?

Já meu avô conheceu meu Mac tempos atrás. Achou uma beleza ter TV5 on demand. Poder ver todos os programas de entrevistas da TV Francesa quando e onde quiser.
Mas achou muito chato ter que apertar mil botões, esperar o vídeo carregar. “Na TV vai mais rápido”. É fato.

Mudando de assunto, estou traumatizada. A fauna do vestiário da academia hoje estava demais. Vi coisas horrendas, indizíveis, inexplicáveis.
Da anoréxica à gorducha passando pela moça que, quando não reclama da babá, conta detalhes dos casos extraconjugais em altíssimo som, não sobrou pedra sobre pedra.
Detalhe: a gorducha fez um strike em mim e na minha malinha. Não contente, deixou itens pessoais caírem dentro da minha malinha. Me senti George Foreman diante de Muhammad Ali no Zaire. Que roubada.

Estou pensando seriamente em colocar venda nos olhos para entrar no vestiário.
É uma visão do inferno de Dante.
Preciso de 20 anos de análise para superar tudo o que vi e ouvi…

Socorro!

Em tempo: o nome Chlóris parece esquisito? Pois era assim que iria me chamar. Mas vovó me tirou dessa roubada. Na mitologia grega, Chóris era uma das Alseíades, ninfa das flores. Foi a última amante de Zéfiro, o vento-oeste. Depois do casamento, Hera e Afrodite a converteram em deusa das flores.

Em tempo 2: link besta e IMPERDÍVEL do dia
http://www.esquire.com/features/funny-slang-language-dictionary/funny-euphemisms-list-1109