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Sobre o teatro

segunda-feira, 25 de abril de 2011

 

O gato preto cruza seu caminho

Buenos Aires anda mais pobre e fazendo arte como nunca.
Livrarias e Feira do Livro com filas de dobrar o quarteirão.
Zoológico caindo aos pedaços e com brasileiros cheios de opinião.
Circuito broadway porteño lotado de peças, musicais, dramas e comédias.
Assisti uma releitura do teatro de revista. Muita nudez, os corpos em mutação… Vedetes musculosas, peitos explodindo. Homens minguadinhos.
Cenário e figurinos com custo zero.
Coreografias que deixariam Madonna de queixo caído.
Comédia?
Aqui, rir de si mesmo é profissão remunerada.
A verborragia e o gestual frenético me encantam.

Os dois lados da moeda – riqueza e pobreza – saltam aos olhos.
Num asado com algumas das maiores fortunas do país, simplicidade pois não é tempo de exibição.
Pelas ruas, o melhor que se pode fazer com dólar a 4 por 1 é jogar um brilho nos tecidos.

E eu fico me perguntando por que prefiro essa cidade a Recife.
Síndrome de cão vagabundo ou rebeldia?
Memorias del subdesarrollo.

Buenos Aires

domingo, 24 de abril de 2011
"..."

"..."

Um frio de outono.
Un asado en Pilar.
Un partido de polo.
Apartamento em Miami?
Caballos.
Dulce de leche.

Esse mosaico não demanda vidas passadas.
Pede transversais.
Calma e fé.
Aqui e agora.

Mi Buenos Aires querido.
(Y vos.)

Caça-palavras

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Comer uma cidade não é como sentar em um restaurante e pedir a entrada.
Mil coisas na cabeça.
Ritmo instável.
Umas faíscas.
Livrarias incríveis.
Sorvetes.
Um vinhozinho no almoço. E só.
Pegando leve.

Uma boa peça de teatro. Agosto .
Com a famosa Norma Aleandro.
Para quem é fã de Costa Gravas como eu, é fácil reconhecê-la em “A história oficial”.
Com esse filme, ela  levou Cannes e o Globo de Ouro.
Com outro, “Gaby”, concorreu ao Oscar.
Ela rouba toda a cena. 3 horas de peça.
Eu cortaria todo o primeiro ato.

Um musical. Piaf.
Com Elena Roger que, por esta peça, levou o Laurence Olivier de melhor atriz de comédia.
Argentina, trouxe toda a equipe técnica e montou na raça a versão para espanhol.
As canções são em francês, o ritmo e a montagem são todos ingleses.
E a moça tem uma voz e uma presença de palco.
Simplesmente excelente.

Livrarias. Uma ótima em P.Soho.
Achei Rimbaud no original.
Não comprei.
Preciso de coisas mais leves.
Ando fotografando palavras. Stencils.
Comida.

É bom ficar assim, sem destino.
Fazendo coisas que você jamais pensou em fazer.
Hoje comprei outro Peep Toe.
De crocodilo.

Chuva e sol

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Onde cavalinhos correm e levam todo o seu dinheiro...

Descobri um estúdio de pilates distante dez quadras daqui.
Como meu hotel é muito, mas muito “boutique”, ele tem uma galeria de arte, mas não tem academia nem uma piscininha… Então dá-lhe caminhar e pagar para fazer uma aulinha que alivia a consciência pesada da cervejinha + vinho + fernet + jinebra+empanadas do dia-a-dia.
E como tudo nessa cidade… O estúdio me surpreendeu. Sexto andar de um edifício antigo na Córdoba.
Só gente nova dando aula. E uma máquina de ginástica da Madonna! Que te sacode todo! Fiquei com as pernocas doloridas…

Dali, Bar 6 – o único que não te deixa na mão depois das 16h.
Bem alimentada, fui dar uma voltinha pelo bairro mais trendy da cidade: Palermo Soho.
E fiquei pasma com a mudança. A moda se acanhou.
Muitas lojas fecharam.
Os preços baixaram incrivelmente.
Eu olha que venho para cá com regularidade desde 2003…
Como a cidade empobreceu.
Tem menos arte.
Tem menos ousadia.
Claro que o porteño não perde a pose. Mas que o bolso está furado… Está.
E me entristece ter hermanos ficando mais pobres.

De Palermo, fui para o bairro de Gardel, Abasto.
Cinema 3D.
Adoro.
Alice no País das Maravinhas promete!
O trailer é sensacional.

O dia começou agitado.
Terminou calmo.

Hoje tenho agenda apertada para férias.
Pilates em instantes.
Livrarias novas (ontem só fui nas velhas conhecidas).
Peça com atriz consagrada.
Restaurante de discípulo do Ferran Adrià.
É mais para agradar o convidado – porque acho essa cozinha “química” uma bela porcaria (além de cara).

Enquanto a vida acalma.
Como quando dá vontade – e como com mais vontade.
Durmo o suficiente para acordar mais “devagar”.
Leio menos. Mas leio.
E caminho, caminho, caminho.
E penso. (muito)

Ter 30 e algo é muito bom.
Saber que este é o momento.
E que você não vai ter tudo.
Saber que você é o que é.
E ousar ser um pouquinho menos.
E remar contra a maré só para dar com a cara na porta.
Sabendo que seria esse o provável resultado.
(…)

Sobre meu mais recente vício, encontrei uma tirinha genial. Vai abaixo, para fazer piada sem graça.

Slide03

Ninguém escapa

domingo, 15 de novembro de 2009

bowie

Eu estou numa fase retrô.
Bowie, Baudelaire, Iggy, óculos de abelha (se bem que esses são de 2005 – já estão ficando retrô de fato).
No visual, algo no meio do caminho.
Não gosto dessa onda calça skinny+allstar da turma que tem menos de 30.
Eu acho que roupa tem que ser confortável. E não dá para ficar confortável embalado à vácuo.
Daí cair de amores por Leger.
A redescoberta do mago em pleno século XXI resvalou um pouco na cafonice.
Dá para ser menos perigosa perua e mais elegante com HL.

Mudando de moda para leituras, ando muuuuuuuito retrô.
Baudelaire está na minha cabeceira.
Vou lendo sem pressa.
Mas tenho voltado aos gregos.
E amando Shakespeare cada vez mais.
Não dá para segurar a onda de “Os 50 pirulitos que você tem que provar antes de morrer” ou “O código de não sei o quê”.
O último de Saramago… Confesso… Gosto da figura, mas não gosto da literatura.
E antes que você me chame de retrô(grada), eu gosto sim dos programetes de Anthony Bourdain.
O do Laos foi sensacional. Eu editaria a parte boba da visita à caverna.
E acho que o gringo foi mal assessorado quando esteve no Brasil.
Ir em escola de samba paulista (!).
Fora de senso.
É como pegar onda em Belo Horizonte e passar o dia no shopping no Rio.

Tudo isso para dizer que férias é tempo de comprar livros novos.
E como eles são baratos fora do Brasil.
Quero ler o famoso “Kitchen Confidential: Adventures in the Culinary Underbelly”
Quero comprar mais alguns de Cortázar. (Tenho e li feliz 2 comprados por um punhadinho de pesos em Buenos Aires).
Não quero ler o “novo” de Nabokov.
Quero dicas. Do Líbano a Niterói.

E, claro, tudo quando der vontade.
Entre uma vodka e um café forte.
Porque para onde vou, meu passado me condena (e muito)!
Eu tenho certeza de que vim ao mundo mineira para não cair de vez na boemia.
Mineiro é assim: 8 ou 80 – com forte tendência para o 8 e uma renitência nos “80”.

E dá-lhe 80!
Com ruga, malandragem e um certo voyeurismo.
Porque o álcool e o escracho são permitidos.

Foto criada em 2009-11-15 às 18.09

Bueno!

terça-feira, 29 de setembro de 2009

538px-Buenos_Aires_-_Barrio_Parque_-_Mariscal_Castilla_y_Manuel_Obarrio

Frio, um certo ar decadente – mas de cidade que já foi grande.
O táxi que sempre reclama de política, futebol, da vida.
Um jantar no Bengal – como sempre.
Um vinho.
Pena que já tenho que voltar.
Hoje é trabalho e aeroporto.

Buenos Aires, como te estraño!