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SAP, não sei quê e outras burrocracias

segunda-feira, 6 de abril de 2009
Tirando sarro da american mummy

Tirando sarro da american mummy

A história: estávamos eu e Fred sentadinhos e felizes num ponto de ônibus em NYC e uma mamãe com seu bebê nos enxovalhou de nosso lugar.
Ela, que estava com carrinho de bebê, quis ocupar os dois bancos para arrumar as coisas de seu pequeno.
Como diz um amigo nosso: criança não paga imposto e, portanto, tem menos direitos que adulto.
Esse é um tipico caso de abuso de poder civil.
E a foto mostra nossa indignação – a mummy está bem no meio!

Por falar em chatice, vou contar um causo do melhor lançamento de marketing do mundo.
O tacape?
A roda?
O pente de cabelo?

Não!!! O SAP.

Sua empresa tem SAP? Se não tem, pecado mortal…
Nenhuma empresa é moderna, grande, poderosa sem o SAP.
É a praga que menos funciona e onde mais se investe hoje…

Sabe o que significa a sigla?
Pensou que é em inglês – afinal, haja marketing…
Errou!

SAP é uma empresa alemã criadora do Software de Gestão de Negócios do mesmo nome – Systeme, Anwendungen und Produkte in der Datenverarbeitung (em inglês: Systems, Applications and Products in Data Processing, em português: Sistemas, Aplicativos e Produtos para Processamento de Dados).
Em 1972, na cidade de Mannheim, na Alemanha, cinco engenheiros, ex-funcionários da IBM Dietmar Hopp, Hans-Werner Hector, Hasso Plattner, Klaus Tschira e Claus Wellenreuther, decidiram criar sua própria empresa de desenvolvimento de sistemas: a SAP AG. Com a Visão: desenvolver um software aplicativo-padrão para processos de negócios em tempo real.
Ao longo de três décadas, a SAP evoluiu de uma empresa pequena e regional a uma organização de alcance mundial. Hoje, a SAP é a líder global de mercado em soluções de negócios colaborativas e multiempresas. A companhia emprega agora mais de 51.000 pessoas.

Vou explicar como o SAP funciona.
Você tem uma viagem para fazer.
Como você é novo na empresa, seu nome ainda não está cadastrado no sistema.
Um chefe aprova sua viagem.
Você leva um adiantamento em dólares.
Com o dinheiro, custeia suas despesas.
Volta e não pode fazer a prestação de contas, afinal, você não está cadastrado.
Mais quatro viagens e depois de brigar até com o Papa, você finalmente é cadastrado.
A moça do financeiro, aquela que cuida das viagens tira férias.
Só ela pode lançar suas viagens e gastos.
Você espera um mês.
Afinal, ninguém do financeiro quer mais te ajudar.
Você é praticamente um fora-da-lei: fez cinco viagens, tirou dinheiro da empresa, gastou e ainda não fez o relatório no SAP…
A moça volta de férias ela lança a viagem. Com erros.
O câmbio está errado – mas você não consegue mudar.
4 viagens têm problemas – e só a moça das viagens pode arrumar.
Mas ela tem que errar no lançamento de despesas de outros funcionários…
Não pode te dar atenção exclusiva.
Depois de muito email indo e voltando para tudo quanto é chefe de financeiro, compras, administrativo e o escambau, você consegue fazer uma prestação de contas.
Aquela viagem mais pobrinha. Uma ida-e-volta para Porto Alegre.
Mas seu chefe foi demitido.
E o workflow tem que voltar.
Ou seja: cada notinha que você lançou será apagada.
Seu chefe novo tem que entrar no SAP e liberar a volta.
Aí o financeiro tem que aprovar de novo a viagem.
E você tem que relançar a viagem.
E se passam 5 meses.
Você não lança nada – porque tudo depende de um email para alguém.
Aí descontam as cinco viagens do seu salário.
Afinal, você não prestou contas.
E o SAP está lá… Fazendo a roda ficar quadrada…

Obrigada, SAP.

Ah, vou criar o novo SAP: Method die Beamten zahlen Ausgaben durch die Gesellschaft (método para fazer os funcionários pagarem pelas despesas da companhia)

SOFÁMOVEL: duas funcionárias que desistiram de lançar notas de táxi no SAP

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