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Capítulo 18 – Maioridade

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Acordou virada.
A empregada veio com as mesmas perguntas: cardápio do almoço, dinheiro para tal coisa.
Nem respondeu.
Beijou o filho, vestiu aquela roupa que teimava em não caber – e que, milagrosamente, coube – e saiu.
Sem direção…
Rodou pelos arredores.
Pompéia, Lapa, Vila Romana.
Olhava as caras sem face dos trabalhadores que saem todos os dias a caminho de um escritório com divisórias de PVC, paredes brancas, porteiro de terno azul marinho.
Viu os pontos de ônibus cheios.
Gente carregando sacolas aposentadas de supermercado.
Parou no farol de uma rua movimentada.
O carro chamou atenção de um grupo de bolivianos que tomava chá do lado de fora de um botequim.
Entrou.
Pediu um café e uma branquinha.
Misturou tudo, tomou sem fazer cara feia.
O sinal abriu.
Deixou dois reais sobre o balcão.
Nervosos, motoristas buzinavam.
Nem olhou para as caras sem nariz, sem olhos, sem boca.
Rodou mais um pouco.
Uma loja improvisada em uma casa velha, quintal com pomar.
Pediu pão de mel.
Comeu com calma.
Fechou os olhos.

Animada com a fuga, escolheu um caminho.
Correu no parque até que os pés ficaram cheios de bolhas de sangue.
Voltou para casa sem fome.

Pecado!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Receita para curar semana lenta

Semana que passa lenta.
Chuva que cai gelada.
Vento frio que não te leva a lugar nenhum.
Falta de sentido ou perda de sentido.

Escolha uma hora especial.
Em que marcaram uma reunião desimportante.
Ou, no começo da tarde, saia de sopetão, levante com cara de quem está muito atrasado.

Procure um lugar estranho.
Diferente do usual.
Entre.
Peça o especial do dia.
Se faltar coragem, um aperitivo.
Se sobrar, suco de tangerina.

Antes que chegue, ore.
Que a semana passe logo, que minha mente se desanuvie, pela alma do celular que acabo de desligar.

Com o prato em sua frente, não faça cara de espanto.
Dobradinha, joelho de porco, linguiça na cachaça, bucho.
Trace o que vier com calma, prestando atenção aos sentidos.
Se fizer calor, um copinho de cerveja.
Se fizer frio, a branquinha da casa.

Ao final, goiabada cascão com queijo.

O relógio avisa que é tarde.
O estômago, aquecido, agradece.

E que a papelada do escritório vá para o inferno – de onde nunca deveria ter saído.

 

Teatro, cinema e televisão

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Eis que surge do nada uma caixa de Ladurée – sabores vanille e chocolat amer… Um manjar dos deuses que logo comi como se fosse biscoito de polvilho. Três – um depois do outro enquanto dirigia pelo meu passado em São Paulo.
Seja bem vindo ao mundo dos “pobres excêntricos”!

A tampa da prova do crime

Ontem foi a pré-estréia da peça com a surpreendente Cristina Mutarelli e direção de Naum Alves de Souza. Fui convidada pelo queridíssimo Muca, ou Omar de Lucca, que assina o “visagismo” (eu nem sabia que essa palavra era usada para designar maquiagem das estrelas).

O local? Um inferninho na Barra Funda. Anote aí e não perca – De Lula a Cristo, todo mundo apanha na Frenesi – Rua Brigadeiro Galvão, 871 – telefone: 3666-8971 (terças e quartas às 21h)

Antes, parada no boteco para um pão na chapa e uma Skol edição especial da Seleção. Metade do jornal na Band, depois JN com muito sarcasmo.

Pois foi na Barra Funda, rua Lopes Chaves, em uma casa vizinha à de Mário de Andrade que comecei minha história com a Pequena Maçã.

Tudo muito diferente da vidinha “casa da mama-subir Bahia, descer Floresta – ciência política e semiótica – Mercado Mundo Mix – Praça da Liberdade – Cine Belas Artes – Serra do Curral”.

E nem precisa dizer que uma casa ao lado da do mais ilustre dos modernistas, do amigo de Drummond, do que viajou o Brasil redescobrindo nosso folclore… uma casa assim, com um quarto cheio de equipamentos de iluminação que serviriam para transformar aquele então desconhecido ator, Matheus Nachtergaele, num monstro que fazia muita gente chorar e desmaiar na maternidade desativada do (fechado) Hospital Matarazzo. A peça? O Livro de Jó.

meda

Some-se a tudo isso, uma rodoviária que só atendia mineiros, a Bresser. Era uma porta menos hostil de entrada. E foi desativada depois do 11 de setembro. O fato do irmão de Bin Laden morar em Belo Horizonte diz que aí tem coisa…

Pois São Paulo era um estranho mundo novo. E a Barra Funda o exemplo mais concreto de uma Vila Operária com direito a casa de escritor e centro cultural criado por Niemeyer, o Memorial da América Latina. Tudo feito à pé, na contramão do fluxo paulistano.

Depois, quando vim com edredom e cachaça, meu universo passou a ser a Bela Vista. Com direito a aperto no peito ao andar no frio de uma Paulista cinza e cheia de gente esquisita. Eu pensava na minha montanha e não encontrava nada. Transformei meu quarto num grande memorial mineiro. Com armário de fazenda, cama de madeira trabalhada, parede amarela. O que me salvou mesmo foi o pessoal da padaria Gemel. Nada como acordar de manhã, receber “bom dia, Ana. Cafézinho e pão com queijo na chapa?”. Isso, sim, quebrava o gelo.

Para não dizer que não esqueci das flores. Hoje vamos misturar dois passos para acabar logo com essa novela.

10 . Continued to take personal inventory and when we were wrong promptly admitted it. (Continuamos fazendo o inventário pessoal e quando estivermos errados, admitiremos prontamente.)

11. Sought through prayer and meditation to improve our conscious contact with God as we understood Him, praying only for knowledge of His will for us and the power to carry that out. (Tradução não literal : Procuramos através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com o Universo como nós O compreendemos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade para conosco e para o poder de realizar essa vontade.)

Então tá…

Sem açúcar

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Vem cá, Miriam Leitão, tirando doce de criança? Olha bem a nota que você publicou:

Caipirinha fica 51% mais cara para o consumidor
A inflação não poupa nem a caipirinha. Segundo cálculos da FGV, a bebida brasileira subiu, em média, 51,78% nos últimos 12 meses, pesando no bolso – e na ressaca – do consumidor. Isso significa que ela está muito acima dos 4,42% registrados pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) no período.
De acordo com o economista André Braz, da FGV, o aumento está relacionado às altas observadas nos preços dos ingredientes: limão (8,93%), aguardente (17,94%) e açúcar (69,81%).

Opa, opa! Esses números têm que ser avaliados com frieza (e muito gelo):

Caipirinha– qual é a porcentagem usada de cada ingrediente para fazer uma caipirinha ? Afinal, tem que calcular essa alta no tempo gasto para consumir o produto (e, também, se vc bebe um litro por dia tem impacto diferente do impacto de quem bebe um litro por ano – é uma espécie de amortização);

– Com os dados acima esclarecidos, quanto custa cada um dos produtos em valores absolutos? Porque um aumento de oito por centro sobre um real é diferente de um aumento de 70% sobre 5 reais. 

Fui no Pão de Açúcar na Web e esclareci tudo – porque isso é assunto de segurança nacional em época de pré-carnaval. Veja o que o oráculo dos supermercados me disse:

Açúcar refinado DA BARRA (1KG) = R$2,24 (com o aumento vai para R$3,80)
Cachaça Branca SAGATIBA (Garrafa 700ml) = R$ 12,90 (vai para R$15,21)
Limão Tahiti Pacote (1Kg) = R$ 1,87 (com o aumento vai para R$2,18)
Total: R$17,01 (com a inflação, a conta fecharia em R$21,19)

 Alto lá! Em pleno carnaval jogar água no nosso chopp e urubuzar a caipirinha por conta de QUATRO REAIS…  Com isso não pago nem uma cerveja de ambulante… Por favor!

Chama o Roniquito para refazer essa conta! Ou então, para simplificar, tira o açúcar da capirinha e passa a régua!Miríam Leitão, não estou te reconhecendo!

Roniquito de Chevalier, meu filho, manda uma mensagem da adega do céu porque tão querendo fazer quizumba no Antonio´s e vão cortar minha cota de confete e serpentina!

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOo

Mudando da cachaça para o vinho de Champanhe…
Li ontem que vai rolar “barraquinha” de degustação de caviar e champagne (com “g” para ficar mais chique) no Shopping Cidade Jardim.
A partir de R$150, você já pode mandar ovas de esturjão para dentro…
Que coisa mais sem senso: “Vou ao shopping degustar uma borbulhante champanha (com “A” mesmo) e comer uma colher de chá de caviar”. Oh! Ah! Uh!

Como protesto silencioso, vou tomar uma caipirinha sem açúcar no Mercado Central de Belo Horizonte.
Para acompanhar, pão com jiló acebolado.

E passa a régua!!!