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Pé na porta

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Eu não fujo de nada.
E tendo a ver de cima para baixo todos aqueles que se escondem.
Os omissos, os covardes, os tristes, os baixo-astral.
A vida, nego, é curta.
Seja 16, 30 ou 80 anos que lhe caibam – é curta e passa rápido.
Daí para que ter medo?
Não, não sou panfletária nem adepta de gritos e de escândalos.
Só acho que ficar calado pode ser perda deste precioso tempo.
Portanto, coloco meu pé na porta e entro. Falo.
Seja um adeus ao emprego com sobrenome, seja um tempo na nossa bela história para ver o que acontece do outro lado do mundo, seja uma opinião que não é compartilhada pelos demais.
Com delicadeza, sem perder a firmeza, com educação, sem deixar para trás o recado a ser dado.
Eu falo.
Eu chuto.
Eu piso.

Eu já entrei em 2012.

A fé tem a ver com coisas que não são vistas e a esperança nas coisas que não estão à mão.
São Tomás de Aquino

Da série: achados microscópicos

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Ver a chuva da janela.
Conta-gotas.
Soprar asas de tanajura.

Ouvir música.
Tudo o que se mistura e vira água.
Saber bicadas e subentender piados.

Falar com a bisavó.
Lembrar do gosto de pão com manteiga e café com leite.
Esquecer dos pesos e medidas.

Dia de Carlos Drummond.
Se você é mineiro, pode.
Se não, ouça – só.

Fugir como passarinho novo.
Sem saber direito como agir, asinhas.
E voltar com o peito ofegante.

Jogamos com muita raça e amor
travessuras na garoa.

Derretidos

Para Leon Cakoff.

Assim, de repente

sábado, 21 de maio de 2011

mineiridades

Pensei em me mudar para uma casa.
Não posso reclamar do momento em que o Brasil está vivendo.
Estamos em 6º lugar no ranking das cidades com bilionários…

Quem sabe?
No meu quarteirão… Quintal, edícula, uma praça em frente.
Eu posso ser uma pobre excêntrica no jardim dos bilhões.

Assim, sem pensar, os dias têm se agitado.
Não tenho mais horário para marcar almoço com amigos.
Um trabalho novo pinta.
Eu vou inventando modas e modos.

Assim, num sábado, suco e argentino (não combina, eu sei) e “pau” no ex-presidente do FMI.
Reunião com arquitetos.
Adoro gente maluca.

Cachorrada. Sorvete. Gataria.
Sábados frios com sol.
Repetitiva, sem imaginação.
Textinho vagabundo e reciclado.
É, como diz a anetoda, o que temos para hoje.
(e é uma delícia – por isso divido – afinal, disseram que o apocalipse seria hoje)