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Vapor

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Ando pensando muito e escrevendo na cabeça.
Saem uns textos bonitos e sem a menor revisão.
Aí me esqueço daqui e fico flanando no ar.

A estilista morta – tão bonita, tão trágica.
Os meninos ricos da internet.
As lutas televisionadas.
As empregadas.
Fica tudo assim tão século passado.

Tenho achado todos muito impacientes.
Todos correndo.
Todos atrasados.
Uma agressividade pulsante.
Uma necessidade de gritos.

Estou no olho do furacão e gosto.
Sou feliz.
Aqui não há som.
Só imagem.

Casa nova que vai subindo.
Dinheiro, como sempre, escoando rua abaixo.
Viagens.
Cartões.
Chocolate.
E bastante vinho.
Agora com direito a corrida, personal trainer.
Cabelo louro.
Cortado louco.

Vapor.
Ando rindo de tudo.
Ando calma.
Será o outono ou a primavera?

anti-ruido

AA ou CD?

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Dinamarquês de 22 anos vence torneio de pôquer e fatura US$ 9,15 milhões (2008)

Tão maluco.
O Brasil não “tem” mais classe média.
Tem ricos e pobres.
Os projetos ou são para a classe AAAA, rica, endinheirada, que é exigente, blablablá.
Ou os novos consumidores. Ávidos, novidadeiros, compulsivos. A nova Classe C.

E nóis na fita, mano?
Ensaduichados, brincando de intelectuais.
Pensando em dramas existenciais.
No menino pobre no farol.
Na escola que não ensina a pensar.
Num carnaval sem greve de PM (afinal, não tenho segurança privada nem saio na “pipoca”).
Na greve que não acaba aqui…

Ah… Penso na prestação do carro.
No emprego ideal, que me leve além.
E que, também, pague bem.
Penso na casa nova – tão cara e um passo tão ousado.
Penso num sarau.
Aí desanda tudo.

Quero uma casa de portas abertas.
Para receber os amigos de tantos cantos.

Para umas discussões acaloradas.
Preciso de jardim.
Uma mesa com 12 cadeiras.
Um pedaço de queijo.
Um engradado de qualquer álcool.

Ai, ai.
Se tudo se resumisse a dinheiro, a compras, a trabalho.
Nosso mundo logo seria trocada por uma mesa de pôquer.

Voltando à ativa

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

descalça

Depois de milhares de emails, de uma temporada hospitalar e de agradecer ao cara que inventou a analgesia aos 7cm do último tempo, bora acordar para a vida?
Saber que tudo continua e você não pode parar.
Saber que vai ter que trabalhar para chegar ao que era antes – e nem é tanto assim e dá trabalho.
Rodar pelas ruas e avenidas e pensar em novos caminhos.
Ter que lidar com a vil realidade.
Ter que lidar com a falta dela.
Ser você e ter muito mais responsabilidade – mesmo sendo você.
Ser assim.
E ser assado.
Pensar e repensar.
Descobrir que agora não sois mais aquele.
E encontrar em você uma calma tão rara.
Nem choros nem gritos te comovem.
Nem aquela pessoa que nasceu para ser infeliz.
A vida é assim pequenininha.
E vamos tecendo nossas teinhas de aranha-aprendiz.
Para saber que água, o vento e a terra hão de desfazer o seu tricô.
E ninguém saberá que a pequena aranha existiu.
Nem vão ver a teia mal tecida que foi o que melhor que você já fez.

E tudo porque é impossível reinventar rodas.