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Quanto tempo você dormiu?

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

enraizamento

Longo sono – disseram.
Pés dormentes. Pulso, devagar.
Tentar lembrar – e falhar.
Poeira.

O cheiro de casa.
A vida em volta. Há vida.
O corpo, estranho.
Os músculos dos olhos fazendo força.
Os sons.

Ontem foi Paris?
Recife.
Rio.
Nova York.
Salvador.
Vôos cegos.

Hoje, chuva.
Limpando asfaltos.
Perdendo as horas.
O corpo, pesado, e insistentemente São Paulo.

Devagar.
Desperta.
Pulsando.
Como se tudo ao mesmo tempo (perdido).
E hoje, o ponto.

Como é definitiva uma certeza.
Justo aquela que chega sem avisar.

Era das pequenas certezas

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

caminhada

Que beleza é não ter vinte anos e todas as possibilidades do mundo.
Ter mais de 30 e saber que poucas e pequenas são as escolhas.

Não é mais possível fazer tudo sem pensar.
Nem é boa idéia querer mudar tudo a toda hora.

Cada pequena certeza, cada decisão minúscula tem gosto especial.
Mesmo que seja abolir o café da dieta.
Ou apenas ouvir uma bobagem e não reagir.

Estou, aqui, entregando jobs, preparando para uma chatice de prova de MBA, treinando equipe nova e vendo nos outros erros tão meus.
Aquela vontade de gente nova de resolver tudo custe o que custar.

Ah, a vida sem muitos embates, com calma para perder e serenidade para seguir.

Ao mundo

terça-feira, 2 de agosto de 2011

desconheço

Um mês em sintonia variada.
Acomodados, somos.
Em diferentes terras, mimetizamos.
De volta a casa, não me reconheci.
Com tudo do avesso, inventei.
E Ana se perdeu para todo o sempre em Ana (qual delas?).

Por aí, comi novos sabores, diferentes caminhadas.
Por aqui, mudei tudo de novo para inventar uma casa.
Sairam funcionários, novas gentes.
E fiquei pensando em como somos descartáveis.
Embora não queiramos.
Amores, trabalhos, histórias – nada é perene.

Agora, sozinha em uma tarde, enrolo.
Não trabalho.
Não faço nada.
Fico sentada esperando a poeira trocar de lugar.
E tudo o que foi marcado, acertado, combinado…
Ah… deixa tudo para outro dia.

pequeninas coisas bonitas

domingo, 21 de novembro de 2010

somewhere I have never travelled, gladly beyond
by E. E. Cummings

somewhere I have never travelled, gladly beyond
any experience,your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which I cannot touch because they are too near

your slightest look easily will unclose me
though I have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully,mysteriously) her first rose

or if your wish be to close me, I and
my life will shut very beautifully , suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;

nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility: whose texture
compels me with the color of its countries,
rendering death and forever with each breathing

(I do not know what it is about you that closes
and opens;only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody, not even the rain, has such small hands


Quando perdemos o controle – e estou falando de coisas sutis aqui -, quando a história muda e te atropela…
Como deixar de ver poesia nesses ventos fortes?
Porque o que restar, é o que interessa.

E as coisas ganham novas proporções.
Você tem que se adaptar.

Eu estou aproveitando esses dias de “sanatório” na Montanha Mágica para fazer sessões intensivas de autoreflexão.
Olhar para as raízes e entender.
Olhar para frente e imaginar o que pode vir.

Um vendaval do avesso.
Uma redescoberta de pedacinhos de história.
Um gosto pelas coisas pequenas.
Um fiapo de luz na janela.
Um sabiá.

Amigos.
Nem tempo nem vento.
Neste vasto mundo.

Eu também tenho mãos pequenas.
Talvez por isso insista em passos largos.

(Mas desta vez, decidi, vou devagar, vou divagar)