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Domingo de sol

domingo, 20 de setembro de 2015

Confúcio disse que a vida é simples, a gente é que complica.
Camus cravou que não há que se ter vergonha de preferir a felicidade.
Deleuze explicou que escreve-se sempre para dar a vida, para liberar a vida aí onde ela está aprisionada, para traçar linhas de fuga.

Linha de fuga.
Eu sei o que eu quero.
O mais difícil.
O complicado.
A minha criação.

Ao mesmo tempo, o que me faz rir.
O que me leva para o infinito.
O que me revela porque me dá medo.

Mas, sobretudo, o que eu quero é me encostar em você e te curar.
Como pode, num mundo deste tamanho, não se permitir desalinhar os cabelos?
Não sair do roteiro.
Pensar em dinheiro.
Quando ainda falta um caminho inteiro?

Eu puxei o freio de mão com o carro andando.
Resolvi suar a camisa.
Parar com o álcool por uns tempos.
Ficar em casa.
Escrever.

E dizer não para gentes, empresas, coisas.
Este negócio de dizer não é tão novo.
Eu me movo, comovo, eu estremeço.

O que eu quero?
Pode ser o que você quer.
Pode ser uma coisa qualquer.
Pode ser apenas um música.
Um abraço.
Um olá.

Eu quero isto e o intenso.
Denso.
Penso.
Penso demais.
Falo mais do que isto.

Eu quero a descoberta honesta.
A vida, enfim.

La chute, la peste et l’homme révolté

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

l’héroïsme est peu de chose, le bonheur plus difficile.
Camus

Eu sou uma menina má e fico boazinha de vez em quando.
E hoje fez sol e um pinguim quando caminha pela cidade é por alguma razão muito séria.
Transformar a serviçal em uma mocinha arrumadinha.
Trabalhar pensando que RH nunca é um departamento respeitado pelo CEO.
Traduzir do inglês para o francês e vice-versa (terrivelmente tabajara).
Ler Camus escondido entre uma reunião e outra – travessura corporativa de quinta.

rugas e tinta ruim

Na praça, a terra cheira a molhado.
No escritório, o carpete novo já tem cara de anos 70. Cafona.
No shopping, além de mim e dos executivos almoçando, prostitutas bonitas – todas amigas do rei.

Eu uso muita roupa preta – inclusive em missas e reveillons.
Perguntaram se tem razão.
Respondi que não conheço pessoa alguma que seja razoável.

Sair por aí chutando pedras e latas com gosto.
Andar para lá e para cá – devagar, com uma postura bem ridícula.
Vagar obrigatoriamente.

Fez sol hoje.
E eu quero frio.
Dia de inverno completo.