Posts com a Tag ‘carro’

Vapor

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Ando pensando muito e escrevendo na cabeça.
Saem uns textos bonitos e sem a menor revisão.
Aí me esqueço daqui e fico flanando no ar.

A estilista morta – tão bonita, tão trágica.
Os meninos ricos da internet.
As lutas televisionadas.
As empregadas.
Fica tudo assim tão século passado.

Tenho achado todos muito impacientes.
Todos correndo.
Todos atrasados.
Uma agressividade pulsante.
Uma necessidade de gritos.

Estou no olho do furacão e gosto.
Sou feliz.
Aqui não há som.
Só imagem.

Casa nova que vai subindo.
Dinheiro, como sempre, escoando rua abaixo.
Viagens.
Cartões.
Chocolate.
E bastante vinho.
Agora com direito a corrida, personal trainer.
Cabelo louro.
Cortado louco.

Vapor.
Ando rindo de tudo.
Ando calma.
Será o outono ou a primavera?

anti-ruido

Engraçadinha e seus amores

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Por aqui, tempo louco de verão.
Chuva, sol, sol e chuva e, assim, sucessivamente.
Eu, sem tempo e sem nada fazer, vou olhando a vida pela janela do carro.
Quando dá, desço e me esbaldo.

Hoje, fugi.
Fugi para o parque, para a coruja buraqueira que, com sol a pino, dormia.
Fugi de tudo o que é sério e certo e caí na gandaia matinal.

No meio do caminho não tinha pedra.
Tinha telefone, Carlos.
E vinha gente inocente me chamar para o sul.
E gente sem jeito me dizer que tomei um pé.
Eu, agradecida, desliguei.
E tomei sol.
Com pé, sem norte.

Sol de janeiro.
Feliz e acelerado.
Dizendo que, em fevereiro, é carnaval.

La bicyclette

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

On était tous amoureux d’elle… On se sentait pousser des ailes

Estávamos todos apaixonados por ela… Sentíamos crescer asas


Tropicola

Hoje sonhei em francês.
Um sonho cheio de erros de gramática.

E me deu vontade de andar de bicicleta pela cidade.
Ouvindo Yves Montand e sua paixão infantil pela magrela.
Ou haveria algo por trás dessa história?

Sair sob o sol pelas ruas – que, providencialmente, não teriam carros, ônibus, motos.
Seria uma quarta-feira de feriado, um domingo equivocado.
Todos os carros estariam em recall – falhas de freio, de marcha, parafusetas trocadas, rebimbocas gastas…
Os ônibus, em greve.
As motos, em fila indiana para bater o recorde mundial do Guinness Book.
Uma serpente fina saindo de Interlagos, esgueirando-se pela Marginal Pinheiros até a Ayrton Senna, a Dutra, perdendo-se na Fernão Dias.
Cobra coral feita com motos negras, cinzas, vermelhas, motonetas brancas, mobiletes enferrujadas, Hondas Biz (com tudo elas combinam), lambretas e seus clones mais estapafúrdios.

Pela cidade, pedestres, bicicletas, carroças, triciclos, patinetes.
E o sol de primavera.

Vida louca, vida imensa, Cazuza.
Minha bicicleta não tem cestinho ou cadeirinha de criança.
Vou colocando minhas sacolas no guidon.

Quantas vezes caímos ao patinar na areia que cerca o mata-burro da estrada?
E quantas passamos correndo e deixamos tudo para trás?

Depois das amoreiras, do limoeiro-capeta, das carambolas, atrás dos manacás…
Ali naquela terrinha onde passa um veio d’água.
Com pedrinhas de Lafaiete (em português de mineiro).
Minérios e machadinhas de índios mortos.

Foi bem ali que seu bisavô fez um pequeno buraco.
E colocou seu umbigo.
Para você ter uma raizinha mineira.

E a bicicleta?
Ah…
Uma ficou em Cuba.
Outra foi para Recife.

 

Quand on partait de bon matin

Quand on partait sur les chemins
A bicyclette
Nous étions quelques bons copains
Y avait Fernand y avait Firmin
Y avait Francis et Sébastien
Et puis Paulette

On était tous amoureux d’elle
On se sentait pousser des ailes
A bicyclette
Sur les petits chemins de terre
On a souvent vécu l’enfer
Pour ne pas mettre pied à terre
Devant Paulette

Faut dire qu’elle y mettait du cœur
C’était la fille du facteur
A bicyclette
Et depuis qu’elle avait huit ans
Elle avait fait en le suivant
Tous les chemins environnants
A bicyclette

Quand on approchait la rivière
On déposait dans les fougères
Nos bicyclettes
Puis on se roulait dans les champs
Faisant naître un bouquet changeant
De sauterelles, de papillons
Et de rainettes

Quand le soleil à l’horizon
Profilait sur tous les buissons
Nos silhouettes
On revenait fourbus contents
Le cœur un peu vague pourtant
De n’être pas seul un instant
Avec Paulette

Prendre furtivement sa main
Oublier un peu les copains
La bicyclette
On se disait c’est pour demain
J’oserai, j’oserai demain
Quand on ira sur les chemins
A bicyclette

Boato

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Mais uma viagem a caminho e eu acompanhando o pós-dia das mães com atenção antropológica.
É engraçado como os publicitários não são criativos: jóias, eletrodomésticos, roupas, panelas, flores, chocolates – o mix que serve para várias comemorações, menos para as mães de hoje, invade encartes de jornal, editoriais e outros meios menos favorecidos.
Se for pai, troque as jóias por relógios; os eletros, roupas e chocolates permanecem; saem panelas e flores e entram gadgets para cuidar do carro.
Comprar, comprar, comprar.
A regra é entupir sua casa de coisas inúteis e sonhar com trocas incríveis: a sua geladeira velha ganha aposentadoria.
A nova e colorida que vai durar menos do que a antiga vira a vedete da cozinha.
Oh, céus!
Não sou defensora do não-consumismo radical e caio centenas de vezes em tentação, mas acho que o verbo presentear está sendo torturado.
Em pouco tempo, veremos o pobre verbo com barba longa, um corão do lado, mãos acorrentadas, preso dentro de uma gaiola em Guantánamo.
De lá, será transferido para um outlet em Miami e onde será dilacerado por turistas brasileiros em fúria.
Triste fim de um verbo.

Conheci uma senhora que deu para uma vendedora um anel de 7 mil dólares.
A vendora havia elogiado o anel.
A senhora, antes de deixar a loja, o tirou e entregou para a moça.
Deu porque quis, não por que não iria fazer falta.
Porque sentiu prazer.
E disse:
“- Dar é para poucos, receber é para quase ninguém”.
A vendedora não conseguiu balbuciar um “obrigada”.

E pensar que anda se encontra filosofia de boteco em plena época de liquidação…

Carango

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Hoje foi dia de acelerar nas curvas.
Carro limpinho e chuva.
Carro com ABS ajeitadinho.
Corrida maluca o dia todo.
Discurso na sala de espera.
Pelo fim da espera!
Gracinhas por aí.
Meu nariz vermelho saiu da toca.
Compras loucas para evitar a chatice na viagem.
Calor.
Sorvete.
Sono.
Boa noite.