Posts com a Tag ‘casamento’

Honestidade

terça-feira, 4 de agosto de 2015

A diferença entre o que você pensa e o que você faz.
A diferença entre o que você faz e como você se responsabiliza por seus atos.
A diferença que gera buracos profundos e constrói muros intransponíveis.
Gaza, Berlim – nada tão “simples”, tudo cada vez mais distante.

Pessoa escreveu que “a maioria pensa com a sensibilidade”, e que ele “sentia com o pensamento”.
Eu entendo Pessoa.
Nos meus mundos de letras, idéias e elucubrações, eu vôo.
No mundo de terra, água, ar e fogo – eu me dou uma pausa.

Quando eu ajo, eu sou mais do que apenas humana.
Eu sou uma força capaz de mexer com a estrutura dos átomos.
E eles sempre se rearranjam.
Isto se chama “Teoria das colisões”

Porque a gota de água que cai do seu copo muda a estrutura do mundo.
E uma coisa leva a outra até que um tsunami nos leva a todos.
Mas somente uma certa fração do total de colisões tem a energia para conectar-se efetivamente e causar a transformaçao dos reagentes em produtos

O pensamento não é produto.
O pensamento flui em outros mundos.
A ação é fato.
Ela é escrita na pedra.
Assinada com sangue.
Ela não volta no tempo.

Só quem volta é o pensamento.

E eu, por aqui, me basto.

No legacy is so rich as honesty.
William Shakespeare

Eu sou exatamente o que você não vê

Travesti

domingo, 26 de julho de 2015

para-raios

Porque hoje, não do nada, saquei quando a gente saiu da estrada.
Diferente do mundo, eu vivo a vida às claras.
Eu não tenho medo nem amarras.
O que eu faço, mato no peito. Sem programa que deleta o que eu escrevo.
Meu aplicativo replica, publica. Grita.
Eu sou 80 em estado puro.
Eu não minto. Nem tenho mais pinto.
E eu decidi que, a partir de agora, quero ser de mais de um. De dois. Ou três.
Vou colocar o dedo na tomada. Eu sempre fui 220.
Vou dar o que me der. Vou dar.
Vou, finalmente, criar, vou deixar quem eu sou ganhar. Eu vou me entregar.
Eu comecei a ir embora.
Eu sou de trás para frente.
Comigo tudo sempre começa do alto, do grande.
Agora eu quero o diminuto.
É hora de voltar ao meu espaço, à minha mesa de sinuca, à minha solidão destemida que vai puxando gente como ímã.
Eu estou chegando em casa.
Eu não tenho mistério.
Senha.

E é por isto que você me quer.

Sal, sol, chuva

terça-feira, 12 de julho de 2011

Sal com chuva, esqueci minha sombrinha.
Ar condicionado desligado, o gato derrubou água no computador, no celular, no iPad.
Acordar muito cedo pode resultar em horas demais.
Prometo todos os dias ganhar massagem, rir do que vier e não esquecer o telefone no carro.
Chuva com calor?
Casamento do Alaor? Ou Babilônia de Nabucodonosor?
Quando menos se procura, mais se acha e no final se perde tudo de novo?

Mistérios da caixinha de jóias – você não precisa responder nada.
Mas que essa sopa de letrinha diz muito… Diz.

Um mercado com pedido de cerveja gelada

Case, compre bicicleta, bolo de chocolate e fettuccine

segunda-feira, 13 de junho de 2011

 

Que seja eterno

Santo Antônio.
De pequena, freqüentei a casa dele em Minas.
Pe.Hélio comandava a patotinha que fazia catecismo aos sábados.
A festa, celebrada nesta data, era uma delícia.
Tinha procissão pelas ruas da Savassi ao anoitecer.
Eu tirava o copinho que protegia a vela e ficava queimando as mãos até elas virarem uma pasta endurecida de cera.
Arroz doce.
Coco caramelado.
Pipoca fria.
Pescaria com brindes simplórios.
Lírios brancos.
E pega-pega do lado de fora enquanto a missa não acabava.
As politicagens para levar oferendas. Para ler os salmos.
Minha avó frequentou por décadas (e ainda insiste) a turma “da costura”, que faz roupas e bordados para os mais pobres.
E olha que bordado até para rico hoje é luxo.
Antônio, dizem, atende prontamente pedidos relacionados à prosperidade e riqueza, além de recuperar objetos perdidos.
Para os místicos, é santo guerreiro, senhor da magia, da força e da coragem.
E foi numa sexta-feira, 13, dia dele, que me casei.
Nem Zagallo faria melhor.
No Estadão, a coisa vai longe:

“Isto porque se completam 780 anos de sua morte (ocorrida em 1231) e este é um número muito positivo, ligado às questões do coração”, explica Daniel Atalla, proprietário da Escola Esotérica Luz da Lua e um dos maiores especialistas no assunto. “De acordo com a numerologia, se somarmos 7 + 8 + 0, teremos um 15, e o 15 é justamente o número da paixão. E se formos além, a soma de 1 + 5 resulta em 6, o número da família, que traz a vibração do amor”, complementa.
(…)
Uma outra faceta não tão conhecida de Santo Antônio está relacionada à área de ensino. De acordo com Atalla, uma grande ocupação que Antônio teve em vida – e um de seus maiores dons – foi lecionar, atividade que iniciou por indicação pessoal de São Francisco de Assis. “Esse dom de ensinar rendeu-lhe o título de Doutor da Igreja, honra rara concedida apenas àqueles que contribuíram
notoriamente com a doutrina Cristã”, conta.

(Leia na íntegra: http://www.dgabc.com.br/News/5892560/antonio-um-santo-milagreiro-de-muitas-utilidades.aspx)

Hoje, sem quadrilha nem procissão, comecei pela sobremesa (Jean et Marie, um primor!) e pretendo seguir até um ilegítimo Fettuccine Alfredo
feito em casa.

E você? Pensa em casar ou montar uma quadrilha?

 

Escrever, esquecer

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Aqui no Brasil, hora chove, hora faz calor.
Recebo notícias da casa materna.
Mãe filósofa dirigiu quase 600 km para conversar por meia hora com um doutor em Mircea Eliade.

Estradas.
Adoro as palavras correlatas.
Via, caminho, direção, rumo.
Destino.

Mamã que faz estrepolias só para falar sobre o que gosta e entende.
Eu e meus aviões.
E minha coibaice generalizada.

No teatro, é comum um exercício também usado por terapeutas.
Subir em um banco, fechar os olhos e se jogar de costas.
O grupo deve amparar a pessoa.
Dizem que, com crianças, é fácil e todos querem mais.
Com adultos, nem todos conseguem.
Há quem nem suba no banco.

O que aconteceu entre a época em que nos atirávamos e a que não subimos numa banqueta de 20cm?
Quem fomos, somos, seremos?
Quem escreve?
Quem lê?
Por quê?

Hoje vi dois corpinhos secos de sabiá.
Estavam num canto da rua, amassados pelos carros que passam apressados pelas vias paulistanas.
Pensei numa tragédia animal.
Um, gordinho e distraído.
Deu um pulinho, outro, mais um.
E acabou num pneu.
O outro, suicida.
Tomou coragem e foi também.

Doce morte a de passarinho de ficção.

Os nossos medos

terça-feira, 26 de abril de 2011

sobre os que têm coragem

O mundo anda dizendo que não está nem aí, mas, como dizia meu amigo Ely, “aqui em casa, só se fala em outra coisa”… Risos.
O filho de Diana vai casar.
A boda movimentou a economia inglesa.
Os americanos, dizem, não estão nem aí.
Um integrante da guarda britânica chamou a noiva de “vaca” numa rede social e está sendo investigado.
As festas e os convidados vips.
A sucessão real. Será que o Principe Charles escapa desse mico trabalhoso e passa a bola para o filho?

Sinceramente?
Minhas leituras sobre o tema ficam na periferia dos diários e não ligarei minha telinha para ver o enlace real.

O que me interessa mesmo é a celebração do amor monogâmico.
Ainda acho “modernos” e um tanto infantis aqueles que são inconstantes no amor.

Amor é um bicho trabalhoso.
Depois do fogo inicial, gera dúvidas, diferenças, desinteresses, interesses novos, embates (velhos e novos), insegurança, comodismo – tantas sensações.
O chamado amor livre sempre me pareceu um pouco covarde.
Fica na superfície, fica apenas no físico.
Você vivencia, prova um pedacinho e parte para outro.
Cruel e bobo – quer algo mais sem saber o que tinha em mãos.

Óbvio que a devoção, a constância, a fidelidade não são exercícios marciais.
Surge algo bom dentro da gente e, apesar dos dias de chuva, insistimos em ficar.
Não é como uma casa – pois podemos mudar a decoração, a disposição dos quartos, tudo.
Não é como um automóvel – pois não é leva e traz.
Ele traz muito, cobra muito, dá mais do que recebe. Muitas vezes, não recebe.

O amor é imaterial.
O amor novo é cego, atirado, corajoso. Inconseqüente e pleno.
O amor maduro é prudente, discreto, um pouco amuado. Acomodado.
O amor vivido… Não sei dizer, mas penso que começa com dor de dente.
Dor de descobrir que não somos um.
E que precisaremos reconstruir, rever, repensar, reinventar.
Dor de saber que, sim, temos medo da solidão, somos covardes para recomeçar.
Clarividência para saber que, se desistirmos, voltar para a estaca zero é cair no abismo.

Maduro ou vivido…
É sempre o melhor de todos.

O Pato pateta

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Estou numa fase de misandria…

+*+*+*+*+*

Hoje, uma juíza determinou: o jogador do Milan terá que pagar pensão de 50 mil reais para a ex-mulher por 24 meses.
Tudo muito explicadinho: ciumento, ele negociou esse valor com a moça para que ela fosse uma subalterna dona de casa. E nos nove meses em que estiveram casados, ela ganhou essa mesadinha.
Com a separação, a menina virou motivo de risada e não conseguiu mais trabalhar.
Corajosa (pois já sabia que a mídia iria fazer a festa), entrou com o pedido de pensão.
Como um legítimo representante do hommus patetus, o mocinho queria se safar com uma pensãozinha de 5 mil merrecas.
Dançou…
Essa garotada precoce e endinheirada leva susto com o peso da responsabilidade.
E Pato, o pateta, nem tomou o prejuízo e já anda se esfregando com a filha de Berlusconi, mãe de duas crianças.
A história deve acabar superbem também…
Aliás, ter o capo como sogro… Isso é que é imaturidade!

+*+*+*+*+*

Eu penso que os meus colegas que seguiram adiante com a profissão de antropólogos devem estar fazendo mil descobertas sobre o maravilhoso mundo humano moderno.
São casamentos e separações numa velocidade de cruzeiro.
São filhos e filhos com vários pais.
Em época de Chiquinho Scarpa faturar em cima de morte de ex-mulher decadentíssima, quem tem pressa e não pensa está em alta.
E tem muito filho criando pai por aí…
Hoje em dia, navalha na carne é coisa démodé.

+*+*+*+*+*

Eu vou colocar meu Valdick Soriano no último volume e não quero papo.

Pegue o bote porque São Paulo virou Atlântida…

Não desisti de ser piegas

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Eu adoro ver menino novo beijando na rua.
Sabe aquele fogo sem lugar e sem noção?
Não, não estou falando de prosa sexual.
Estou falando daqueles encontros em que você só quer ficar perto.
E que, sem pensar, rouba um beijo no asfalto.
Tem coisa mais pura, mais linda e mágica do que um amor novo?
Ver passarinho verde, escrever carta em plena era do email. Flor trazida de surpresa. Livro, chocolate, vela, banho de espuma. Planos, viagens, café da manhã.
Não fazer nada de especial e ter o melhor dia do ano.

Eu tenho a sorte de ter encontrado pessoas muito bacanas no meu caminho.
E de ter sabido – enquanto o filme passava – que os momentos eram especiais.
Mesmo não sendo eternos.

Hoje, presa na torre da Rua Madalena, joguei as tranças imaginárias.
Lá embaixo, na rua, um casal adolescente arrancava flores do meu jardim.
Ele colocava as flores no cabelo dela.
Ela ria, envergonhada.
Algumas vezes, ele beijou as pontas dos dedos brancos e finos da namorada.

A chuva quente de verão caiu e eles se esconderam sob a marquise.
Depois sairam molhados, felizes e de mãos dadas.

Daqui do alto da torre, ganhei meu dia.
É impossível não ser feliz pelo amor de outrem.

Nunca estamos contentes onde estamos.

De tudo, ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro.

“O Encontro Marcado” de Fernando Sabino

Meu mundo que você não vê

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Tempestade

Quando o pobre suicida chega às vias de fato.
A turba, em coro:
– Covarde.

Quando a famosa atriz afirma em importante entrevista:
– Matei, dei, traí, roubei.
Nos salões, madames desdenham:
– Atriz.

Quando a vida pesa e você não tem saída.
Pelos corredores, sussurros:
– Fracassado.

Quando a fé é cega e o passado, dourado.
Um flit paralisante qualquer
Te aprisiona ao ontem e te impede de ver o hoje.

Quando a carne é fraca e o andor, de barro.
Deus chega ao sexto dia.

Ao contemplar a criatura, profetiza:

– Coragem.

Meu mundo que você não vê
existe mesmo assim.

Hoje

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

crônica do cotidiano

No hotel, um grito de homem.
Era de manhã bem cedo.
Ele falava forte e bem alto.
Ela murmurava baixinho.
Eu, que tenho ouvido biônico, coloquei o colchão na cabeça.
Cúmplice involuntária de uma história de fim do amor.

Agoniada, nem percebi que o silêncio havia voltado.

Hoje, insone em São Paulo, um gemido.
Ela disse algumas palavras e foi interrompida pelas lágrimas.
Murmurou com um choro fino.
Silêncio às duas da manhã.
Meu coração apequenou-se.
O carro partiu.
A noite ficou escura.

Quando a coragem ou a covardia batem em sua face…
É mais do que um chamado, é uma ordem.

E dói mesmo.