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Armando

sábado, 13 de abril de 2013

Em seus braços eu parecia uma dramática do Tango.
Em toda e qualquer gafieira.

Fui para dar um bote no filho, colega de faculdade, pedindo uma fita cassete dos Mutantes.
E ele roubou meu coração.
Veio com Lígia, uma carioca incrível, fora de qualquer padrão mineiro de montanha que consome.
Lígia carioca, mãe aos 40, prima do Ezequiel Neves – o cara que descobriu Cazuza.
Quantas vezes fiz um DDI só para ouvir a mensagem louca e escrachada do Ezequiel na secretária eletrônica…

As melhores festas.
Os melhores pós-Natal.
Tudo o que era ilicitamente de família.
Os namorados.
As fotos.
Os papos-cabeça de quem tem vinte.
As bebedeiras intermináveis.
Em casa de Armando nunca faltou bom uísque e um tiragosto para deixar qualquer boteco com inveja.

Armandinho nunca foi um namorado.
Um comparsa no crime.
Uisques enxugados.
Vodkas sem fim.
Armandão dando força para toda e qualquer maluquice.

Passaram-se 20 anos.
Vieram filhos, novos namorados, casamentos, separações.
Armando sempre com uma cabeleira bonita.
Um sorriso enorme.
Um novo boteco.
Causos.

Armando que foi a minha formatura, com quem dancei a noite toda.
Armando em meu casamento.
Em minha festa de despedida.
Armando em batizado.
Armando em separação.
Armando e meu Imposto de Renda.

Armando.
Só agora que me dói fundo a falta é que me dei conta.
Eu não sei dançar.

1996

Chutei tudo

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

secando um pouquinho

Depois de muito tempo, chutei os cachorros, corri das crianças e tomei uma(s) cerva(s) estupidamente gelada(s).
Cheguei agora em casa trocando as letras.
Ai que delícia não ter nada na cabeça e fazer tudo errado.
São Paulo vive alguns dias de fritar ovo no asfalto.
E eu não subi no meu salto.
Fiquei aqui na sandália rasteirinha de baby boomer.
Dura e cheia de projetos, resolvi trocar de apartamento.
Quero mais espaço, quero brisa, quero virar vento.
Então é isso aí: ficar maluca e dar um passo maior que as pernas.
Como diria a bruxa má: adoooooro!
E vamos que vamos.
Pois hoje é só segunda-feira…

Delírios

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Minha história começa na semana passada.
Sol nos trópicos, vento de levantar saias.
Feliz – simplesmente por ser sexta-feira – fui resolver minhas questões a pé.
Caminhar me dá um prazer daqueles.

E eis que uma das minhas tarefas era passar numa clínica de imunização.
Tão romântica…
Tal coisa é uma coqueluche na cidade.
Vai ver que é uma “coqueluche” porque a doença foi uma das principais causas de mortalidade até a década de 40 nos Estados Unidos.
Segundo dados da OMS, a incidência da doença triplicou no Brasil e América Latina entre 2006 e 2008.

E eu preocupada em não “aderir”…
Sempre correndo das multidões.
Tomei a vacina e fiquei maluca.

Os efeitos colaterais começaram horas depois.
Sono, cansaço, dor no corpo.
Como manda a tradição, tomei uma ducha e fui dormir.
Dormir?
Tremedeira, suor…
Ah! Logo cedo, peguei a estrada, sumi pela Praia de Carneiros.
E dá-lhe paracetamol em gotas.
E, no lugar do zumbido no ouvido, eu ouvia aquela música do Chico.

Encontrei uma pousada iluminada.
Entre pitangueiras carregadas de frutas, jambos cor de rosa shocking e dezenas de fruta-pão, um quarto arrumadinho, com algumas aranhas e barulhinhos de mato.
Insone, andei pela praia com o corpo todo moído.
Via cores fortes, sentia a areia sob os pés, a água quente e espumada do mar.
Cambaleei desde a hora em que o dia despertou.
Muita água de coco, delírios sob o sol.

Exausta e entregando os pontos, pedi uma cerveja.
Já que estou doida mesmo, que seja com uma bem gelada.
Aí a coisa desandou.

Voltei hoje para a cidade grande.
Passei a manhã de cama.
E já estou pronta para outra!

minha UTI

Pedrinha

terça-feira, 6 de setembro de 2011

o gato subiu no telhado

Quem sabe, sabe, quem não sabe vá ouvindo.
Em fase de nada podes, faço minhas micro rebeliões.
Dirijo para lugares distantes.
E vejo os jardins das casas ricas e as empregadas que saem apressadas pela calçada.
É tarde, é tarde.
E ninguém nota flores ou árvores frondosas.
Volto pelo sol.
Reunião, discussão – o de sempre com novos interlocutores.
Casa.
Passeio com cachorro.
O pinguim anda melhor, mais ereto, mais fagueiro.
Cachorro com bolinha, casa toda arrumadinha.
Animada, enfrentei a medicina, a família, os conselheiros.
Hoje abri uma latinha.
Interinha a latinha.
De trigo – minha -preferida.
Bebi devagar.
E minha barriga ficou quietinha, degustando.

É tarde, é tarde.
Atire a primeira pedra.