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Ignomínias, ignorâncias e outros igs

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A quem interessar possa, fui para o tronco e saí estropiada, porém livre.
Matemática financeira nunca mais.
Restou-me uma contabilidade.
Cada problema a seu tempo.

De volta ao mundo dos bons, entrei numa discussão com 500 estranhas.
Só para exercitar meu lado beligerante.
Homens, não me deixeis neste post de teor absolutamente feminino.

Eu venho de uma família às avessas.
A mãe, intelectual, foi quem colocou arroz na mesa.
O pai, operário, foi o que pirou na batatinha.
E, assim, no meio da confusão, fui criada.

Quando da maternidade, comprei cerca de 20 livros.
Parto normal ou cesárea?
O que é ser mãe balzaca?
Tive que estudar muito antes de me enfiarem na faca.
E, por fim, já cheia de argumentos, gritei como louca da casa a maternidade, tirei logo a roupa e não teve faca.

Recentemente uma amiga de infância – que não faz a mínima idéia do que a vida fez com essa que vos escreve – convidou-me para um grupo fechado só para mulheres.
É uma chatice danada: perguntam sobre chupetas, fraldas, colchões que reclinam e outras sandices.
Abro minha caixa de email e é aquela chuva de mensagens sem sentido e sem noção.
Daí que decidi apimentar nossa relação.
Fui logo para a pergunta que divide o mundo.
Pior do que Mouros e Cristãos, Flamengo ou Vasco, preto ou branco…

– Parto normal ou cesárea?!

A turma operada desceu logo a ripa.
Civilização, medicina, modernidade, fim da dor.
A turma de Adão e Eva se justificou: natural, feliz, sem pós-operatório.
E eu fui para o ataque.
Bati sem atender o pedido de anestesia.

Enquanto a OMS recomenda que 15% dos partos sejam cesárea, aqui são 52%.
Civilização é isso: quando colocam vacas em fila e mandam para o abate.

Não queira saber o que foi.
A chapa ferveu.
Para mais de 50 mensagens.
Quase todas a fim de me matar em defesa do fim da dor e em prol do subdesenvolvimento, do refluxo, dos meninos a base de leite em pó, da chupeta, do peito de silicone.
E eu, fora de esquadro, defendendo o direito de nascer na hora errada e no local inapropriado – em casa em pleno carnaval, por exemplo -,  tecendo loas ao peito caído, elogiando a meninada que comeu terra e areia da pracinha, decretando o fim das provas (inclusive do vestibular) e incentivando a bebedeira na faculdade.

Como dizia meu amigo Magoo, foi um dia de caos no galinheiro.

Faltou milho. 😉