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Catavento

domingo, 23 de outubro de 2011

pêlos

As flores de lá duram menos.
Aqui, voam idéias.
Se não fosse Santos Dumont, seria outra esta história?

Haveria cartas como as de 1999?
Menos dores de estrada, mais chás, cafés, mais sono, rede, maisena?
As luzes, quem as acenderia?
Os passarinhos encontrariam a janela?

Descontrolo tudo através da pequena tela.
Reencontro as cores, telefone.
Futuro?

Avião.
Tão incerto.
Quase sempre acerto.
Perto.

Fim de domingo.
Sempre que não penso,
(In)tenso.

Pelas ruas

segunda-feira, 4 de julho de 2011


Carregando mais peso, os passos lentos, o tempo é outro.
Três horas cruzando o país, dois gatos na cabine – nem um miado e uma curiosidade amansada.
“Casa” – um apartamento modernete, dois quartos, dois banheiros, muitos equipamentos eletrônicos, um calor viscoso, janela.
Foram sentir maresia.
Para começar a aclimatar, Olinda.
Comer polvo com leite de coco, ver árvores, sentir o Brasil onde ele é mais português.
De azeites, ladrilhos, cerâmicas, rendas, bacalhau. (um desconhecido francês disse detestar o peixe salgado. Bom mesmo é ter Sarkozy e Dominique Strauss-Kahn no cardápio).

No fim da tarde, enfrentar a multidão na feira de artesanato do Centro de Convenções.
Madeiras, panos, sementes, palhas, literatura de cordel, comidas com nome estranho e gosto familiar – mungunzá; bolo de macaxeira; se der, arrumadinho, e se não der, escondidinho.
Vim para uma semana.
Penso em transformar em duas.
Deixar São Paulo, reuniões, médicos, aulas para a terceira idade, pó de obra, empregada nova – deixar tudo o que é realidade para trás.
Café da “Mére”?
Tapioca com queijo coalho, mungunzá, chá de manga, maracujá e laranja e meio mamão para rebater.

Às vezes penso que só mesmo complicando primeiro é que desembaraçamos os desvios por completo.

Chá com política

domingo, 15 de maio de 2011

 

amarelinho

Dia de jogo de futebol, almoço com amigas e meu bolo foi geral.
Frio e chuva, chá de hibiscus com chumbinho na cama. Gato e cachorro virando a casa do avesso e eu curtindo uma cama como há tempos não fazia.
Relendo livros de Rachel de Queiroz, zapeando sites de internet. Lendo jornais…
O dia inteiro curtindo não fazer nada.

Como pode um Palocci comprar um apartamento de 6,6 milhões de reais?
Como pode um senador maranhense pegar um avião da FAB para vir se sentir “mais confortável” em hospital paulistano?
Pelo menos o churrascão do metrô de Higienópolis foi um sucesso.
Nosso manifesto é por vias tortas, irônicas, não tem panelaço. E faz barulho também.
Eu gostaria muito de requisitar um avião da FAB para relaxar num Ashram na Índia.
Que papelada tenho que preencher para marcar a data?
Ou será que tenho que usurpar o trono?

Chá de hibiscus.
Em Cuba, colhíamos as flores, deixávamos as pétalas secando na janela e fazíamos um belo chá da tarde vendo o sol vermelho e grande como a água do chá.
Na Inglaterra, Lady Grey – tão suave, tão laranja.
Na França, thé du Hammam – com cheiro de sauna, de Egito, de Turquia.
No Brasil? Erva doce natural, camomila… Infusões que deixam a pele e a mente felizes.

Viajar dentro de casa num domingo.
Bom demais.

Pés cansados

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Vento que leva sacola de supermercado cheia de frutas…
Uma infusão de flores e folhas.
Tiro sapato, meia e saco meu creme de pé.
Massagem nos pés, água com gosto de hortelã e hibiscus.
Ninguém se incomoda com meu strip necessário.

Saí com meia fina, macaquinho de ginástica, camisa, vestido, casaco de couro, trench coat, luva, cachecol e chapéu.
Tremi de frio.

Carlos Saura me aqueceu com seu flamenco fora do padrão.

Dispensei o drink pós-espetáculo.
Cama quente e um domingo inteiro para viver…

Paladar

sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Mineira em São Paulo

Mineira em São Paulo (=queijo francês)

Desde segunda-feira meu computador resolveu parar de trabalhar.
Eu o entendo perfeitamente…
A Apple é que poderia ter um serviço de assistência remota mais eficiente.
O fato é que, em Paris, meu telefone tinha acesso limitadíssimo a internet.
Aqui, a hora e a vez do computador.

Adoro como a semana voa em São Paulo.
E nunca tive a real noção de como o trânsito consome nossas horas preciosas.
Ele é como um gadget em sua estréia: rápido, intrigante… e com bateria que dura pouco.
No primeiro dia útil da semana, reuniao às 10h.
Meu carro estava no rodízio e me esqueci. Pedi para chegar meia hora mais tarde.

Sao Paulo em qualquer lugar

Reunião remarcada para o dia seguinte…
Coisas de São Paulo.
No dia seguinte, saí com folga de casa. E cheguei à reunião uma hora mais cedo.
A sorte (paulista e de principiante) é que a reunião teve que ser adiantada.
E teve que ser interrompida também.
Parti para um café com um amigo que trabalha ali perto.
E praticamente fechei um novo trabalho.

Depois tomei chá com a amiga querida.
E não consegui encontrar com a nova amiga.
Trânsito.
Sampa.
Eu resisto.
Eu gosto mesmo assim.

Ai ai ai.
Em dois meses uma pessoa sai de esquadro?

Ham’n eggs

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
tabasco em festa

tabasco em festa

Eu nao gosto de cachorro quente (18 anos de vegetarianismo), acho pretzel um horror… e nao sou fa de cafe (perceba que nao consegui resolver a questao dos acentos no teclado). Cafe gringo entao… Blergh!
Apesar do preco abusivo cobrado pelo cafe da manha neste hotel, tive que me render. Acordar, trocar de roupa, e enfrentar um vento gelado, a possibilidade de uma chuva com sensacao termica de 3 Celsius soh para economizar no cafe da manha…
Eu prefiro economizar no jantar – com uma daquelas maravilhosas sopas de copinho. A-do-ro!

Ontem, (imagino que) minha cara de estrangeira perdida e com frio comoveu o pessoal do Metro Cafe. Turcos, arabes e vizinhos me deram paozinho, ralharam com a caixa que me tratou com certo desdem, transformaram a pessoa Ana numa rainha da Lexington. E tudo por cinco dolares sem tip. Cheguei no hotel e fique me sentindo a ultima pipoca do saquinho.
Viu como eh facil me agradar?

Depois de um fim de semana intenso, percebi algumas coisas.
Uma frase ouvida na infancia me influencia profundamente. “Faca o que for mais dificil primeiro”.
Eu chego nos hoteis e jah desfaco a mala, jah dou um certo ar de lar para a assepsia dos quartos brancos com tudo branco. Tiro tudo, arrumo, peco mais cabides, mando roupa para a lavanderia, espalho Ana Pessoa.
O quarto de Miami, tenho certeza, eh maior do que minha casa – incluindo a garagem. Sala, cozinha modernete (o maximo que usei foi a geladeira que prepara sorbet e faz cheese cake sozinha – coloquei a garrafa d’agua para gelar), banheiro gigante, closet… Exagero totalmente a la Miami.
O de Manhattan eh aquele aperto tipico. Eh do tamanho do closet do de Miami – mas cheio de macetes para guardar as coisas. E tudo se acomoda bem. Fica fofo, charmoso. A minha amiga Mari veio aqui tomar uns free drinks comigo e logo falou: seu quarto tem astral de casa. Culpa de um mini-Mickey que comprei para a irma pequena.
Enfim, essa reflexao pula a primeira: como nos adaptamos em ambientes tao diferentes. Eu, pelo menos, tenho essa caracteristica… Faco da minha caverna uma Casa Vogue para ninguem botar defeito.
A segunda reflexao, sobre as coisas dificeis, diz respeito a tudo. Eu primeiro faco o que nao me da prazer (compras de eletronicos para os irmaos, creme para a vovo, etc, etc, etc) e, depois, relaxo.
A semana hoje comecou bem mais light depois que cumpri essas obrigacoes todas (jah a conta bancaria conta com a solida ajuda do bonus anual).

E a terceira coisa que ficou martelando em minha cabeca foi a vontade de escrever + timing ou time to market (esses estrangeirismos sao otimos algumas vezes). Escrever eh mesmo um touro indomavel.

Hitchcock
Hitchcock

Eu passo o dia pensando em “pautas” para o blog. Nao raras vezes eu vou construindo a historia na cabeca. Mas se nao escrevo logo, a ideia perde a forca. Quem me acompanha sabe que tudo eh sempre uma bobagem danada com molho de piada, mas sao bobagens necessarias para mim. Terapia de graca. E um narcisismo estranho – afinal eh uma leitura publica.
Escrevo e olho para a janela. Meu vizinho esta de frente para o vidro, consultando revistas, papeis, falando ao telefone. Provavelmente eh hospede (o predio do outro lado da rua eh um misto de hotel com residencial). Eu aqui, de camisola, postura ereta, sem a menor cerimonia. Ele la, brigando com alguem, rodando de um lado para outro – de camisa e gravata.

Duas coisas intrigantes.

Por que americano chama rico de “saudavel”. Saude e riqueza, miseria e doenca?  Geralmente o rico nao tem muito de saudavel… E o pobre tambem nao… Acho muito feio esse sinonimo inventado – alem de preconceituoso.

Por que americano compra tanto? Sera que falta alma? Ontem foi o ultimo dia de liquidacao na Saks e na Bloomingdales. Eu so vi sacolinha preto e branca e sacolao de papel pardo rodando pela cidade. Coisa de louco.

kit de sobrevivencia

kit de sobrevivencia na selva

Ah! E para fechar com uma ideia que esqueci de desenvolver. O cha! Adoro os chas que tomo aqui. Todos naturais, saborosos, alimentos para o corpo e a alma. Vc coloca agua quente e a vida muda completamente. Estou achando o cha do hotel tao gostoso e tao lindo que deixei de tomar os da tarde para guardar os saquinhos e levar para casa (eu sei, eu poderia comprar uma caixinha, mas a graca e outra). 

Guardo os saquinhos para tomar quando o furacao tiver passado e Manhattan ficar distante demais das minhas posses. Como a cena que vi ontem: um mendigo com dois sacos de plastico repletos de quinquilharias, sentado com modos muito finos em frente de um predio muito moderno comendo com muita elegancia um saquinho de M&Ms. (O cha da foto ao lado eh de menta com laranja)

Em tempo: como eh otimo acordar as 5 da matina!