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Capítulo Quatorze e meio

segunda-feira, 7 de maio de 2012

so so

Começou com um espumante barato no hotel – tudo bem, qualquer coisa servia.
Mais tarde, um casal perguntou se os assentos estavam livres.
Meia-idade, sem filhos.
Outro casal se sentou ao lado deles.
Chamaram uma dupla de amigos.
Os copos não ficaram vazios.
As histórias virando tranças.
Ela, no Rio.
Ele, Florianópolis.
Com uma filha de nove anos.
Sem filhos.
Mudar de vida.
Segundo casamento.
Uisque.
A seleção de futebol alta de maconha em plena Jamaica nos anos 80.
Teve aquela da festa na Locanda della Mimosa.
De repente, todos no salão.
New York, New York.
De lá até chegar ao Rap das Armas foram camisas amassadas, alguns cacos de vidro no chão.
Aquele casal de gringos não saiu da pista.
MC Hammer.
Docinhos caseiros.
Café.
Remédio para proteger o estômago.
Meu Louboutin fico preso no pier.
Lá se foram 800 dólares.
Espumante.
Uma lua absurda.
No dia seguinte, todos muito comportados na areia.
Abraços protocolares no aeroporto.
Como se o mundo não existisse fora do salão.
Florianópolis.
Rio.
Nova York.
São Paulo.

Backstage

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Onde há fumaça?

E uma água quente me deu boa noite na quarta.
Foi uma ruptura alta – ou seja: estou vazando feito conta-gotas.
Dormi bem, comi queijo com doce de leite, salada de frutas, chocolate, tudo o que não se deve.
Eu sou assim.
Enquantos isso, meus acompanhantes tomavam bordeaux, comiam queijo italiano e jogavam o líquido vermelho sobre 2 computadores, a parede, o iPad.
Eu, da cama, só ria pensando – eles ficam nervosos e eu que tenho o peso de um mamute fora de forma.

Tive uma quinta tranquilinha – até dei uma garibada de duas horas no salão para não ficar espandongada como é praxe.
De noite, quase 24 horas depois de gotejar e ainda não parar (e já acostumada a usar fralda geriátrica), começou uma dorzinha chata no baixo-ventre.
E ela vem e ela volta.
20, 9, 11, 18, 15, 7, 17, 9, 15, 8, 12, 7, 5, 10 minutos de intervalo.
Abro um pacote de Bis.
Dou tchau para a visita.

Fico danada porque estouraram um pacote de pó de gelatina na minha gaveta de facas francesas.
Vejo a tal da gelatina paracendo groselha de raspadinha em dia de verão dos anos 50.
Não quero gelatina e nada que seja vermelho.
Não quero fralda.
Detesto esperar.

E já são meses assim – aprendendo a ter paciência.
E concordando com a Carla Bruni: quando é vou poder – mais uma vez – mamar minha garrafa magnum?
De-tes-to conta-gotas.

Ela arrasta, eu sei!

sábado, 21 de agosto de 2010

Subprefeitura do 19ème

Eu tenho andado com a impressão que Paris arrasta uma asa para o meu lado.
Os lugares mais bacanas, as pessoas que se tornam todos os dias mais queridas.
Comprinhas de culto, passeios inesquecíveis.
O que é para dar errado e acaba dando muito certo…

Ontem, por exemplo, depois de gastar sola do sapato procurando encomendas, pausa para lavar os pés (sujos, jamais!) e corrida para o Parc des Buttes Chaumont.
A história: dentro do parque existe um bar badalado.
Até a hora de fecharem os portões, quem entrar, entrou.
Você passa a noite com drinks e o parque só para você.
Chegamos 21h30, fila, tudo lotado.

Onde houve um dia ciganos, tem Ana Pessoa!

Eu logo torci a cara.
De-tes-to pagar para esperar.
Resolvemos enfrentar a mata!
Atravessamos um morro de grama, passamos por uma cachoeirinha, uma ponte pênsil (pulamos, pulamos) e voilá!

Restaurante novo no pedaço!
Inauguramos os serviços (lentos, mas honestos) e tomamos mojitos, vinho, comemos felizes.

Saída pela mairie em direção a uma linha de metrô diferente da que nos trouxe ali e eu não acredito.
O parque fica do lado da minha casa: 4 quarteirões.
Eu sempre passo por lá a caminho da manicure, penso em entrar e deixo para outro dia.
Ah, Paris, você é bem danada!

Não vou nem dizer que recebi um convite para passar duas noites num Relais & Châteaux em Champagne porque vai ter gente dizendo que estou pagando uma por fora para o destino.
Também não vou dizer que estou pronta para voltar para casa.
Que os dois meses cumpriram seu papel com nota 10.
Que, agora, eu me viro em francês.
Que talvez já tenha emprego novo pintando.
Que vai fazer sol no dia da volta.
E que deve dar praia no posto 9.

Não vou dizer nada.

Mas que eu vi um passarinho verde, ah, isso eu vi.

Mots

sábado, 31 de julho de 2010

Poesia concreta

Os americanos reclamam…
E eu entendo.
Privacidade tem um conceito diferente aqui.
Fazemos as provas e nós mesmos corrigimos os erros dos colegas. Fica meio sem graça, sabe?
Em meu residencial, todo mundo desce com o computador para ficar nas mesas no hall que tem janelões que ficam sobre as águas do Sena.
Todos usam skype sem fone de ouvido e sem cerimônia.
É uma torre de Babel ou um confessionário público? Um espiacionário de culpas, um varal com detalhes de vida escancarados.
Agora mesmo estão fumando feito chaminés… Farofada geral!
Tive que sair com meu micro em protesto.
Risos.

Hoje foi um dia de papelarias no Marais.
Lá é assim: várias e tão charmosas.
Com papéis de Florença – lindos, lindos.
Papéis artesanais. Tem papel de arroz japonês… Só de encostar, rasga. E até os grandes magazines não fazem feio.
Não resisti: levei algumas coisinhas… Duas folhas de papel com ilustrações art deco, uma lata com postais antigos…
Essa história de estar longe de casa sem correr e sem um trabalho chato para atrapalhar…
É ótimo para escrever.
E aí mando postais, escrevo o que dá na telha e olha só o que encontro no chão.
Uma declaração feita com giz.
Tão bacana.
Tenho certeza que se eu estivesse vivendo meus dias (a)normais, eu não teria olhos para o amor fugaz que alguém deixou.
E não teria me sentado calmamente no sofá que estava a venda por 2500 euros para escrever para os queridos que não curtem o mundo eletrônico.
Aqui, as caixas de correio estão espalhadas pela cidade.
Eu, prevenida que sou, tinha em meu porta-moedas alguns selos. E já mandei 3 postais novinhos e cheios de conversa fiada direto para o Brasil.

Ah! Hoje choveu fininho. Depois de caminhar com a chuva quente na cabeça, comprei uma sombrinha. Não deu outra: saí da loja e sol brilhou forte.

E os pés? Estão pretos! A palmilha da sandália solta tinta… E não tem banho, sabão de Marseille ou escova que tirem o preto da sola do meu pé. Estou parecendo o Michael Jackson. Risos.

Agora, depois de uma sexta agitada, resolvi inventar um prato, tomar o resto da champagne, escrever e dormir cedinho. Afinal, esse blog não tem mais vinte anos. E o prato novo, anote aí porque vale a pena: quinoa, cebolas caramelizadas, pistaches. Uma delícia.

Sexta-feira, minha querida

sexta-feira, 20 de março de 2009

friday_night_feverc

Hoje é post-semanário.
Na segunda, tudo certo.
Minha chefe não pode vir.
Na terça, almoço com a chefe.
Reunião de tarde.
A chefe foi demitida.
Choveu canivete em SP.
O presidente me ligou de tarde.
Eu já estava no meu segundo emprego.
Na quarta, reunião com o presidente.
Entrevista de emprego com o vereador desmarcada.
Voltei para o marketing.
Continuo tendo que mudar de lugar.
Ainda fazendo serão no segundo emprego – fechamento da revista.
Revista ficou linda. Iguatemi tem foco no que faz.
Quinta. Completei 34 verões. A primavera é em setembro.
Reuniões a manhã toda.
Almoço com amigas queridas: Mariana, Maria, Fabiana. Nem tinha notado: nossos nomes se misturam. Que coisa incrível.
Não contei que era meu aniversário.
Não gosto de comemorar aniversário.
Liguei para meu querido Tio Drago na Argentina.
Ele também faz anos e não gosta de comemorar.
Por isso comemoramos juntos. Eu em SP, ele em Buenos Aires. Entre nós, muita fibra ótica.
De noite, ainda serão na revista.
Fui para casa.
Queijo holandês, queijo da Serra da Estrela.
Uma garrafa de champagne.
Desmaiei.

Sexta.
Minha vista dói.
Meu look tá um arraso.
Vou almoçar com uma super querida.
Tenho francês à noite.

Mas é sexta.
Dia lindo.
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