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Moral e bons costumes

quarta-feira, 6 de março de 2019

Durante uma pá de anos, eu usei esse espaço para falar tudo e qualquer coisa.

O mundo mudou, o menino Mark (que, por ofício, conheci pessoalmente) parecia besta (e é)… Enfim, foram-se os anos. Mas continuo falando de tudo e qualquer coisa. Em frases, em posts cifrados, para poucos – onde fica meu conforto e meu prazer. Não que não haja efeitos colaterais e uns bloqueados pelo caminho…

Aqui, pelo menos (e com um visual demodê), quem manda nessa bagaça sou eu (e o Word Press, e o desenvolvedor e o designer – alô, designers, estou procurando um para renovar essa casa velha)…

Chega de preâmbulo.

“Eu não tenho escrúpulos. O que é bom a gente fatura; o que é ruim, esconde

Nunca antes, nesse país, uma conversa de bastidor definiu tanto. Ainda hoje, meus amigos economistas citam Ricupero como um grande pensador, elogiam a crítica do Henrique Meirelles à reforma da previdência, alguns, mais old school, se emocionam e tiram selfie com o Delfim.

Eu, que não tenho nada com isso (É a economia, sua boçal), não consigo, de verdade, separar o homem da obra. Tá certo: Woody Allen, Michael Jackson, Chico Buarque… Com esses sou mal resolvida. Decidi que não assistirei a nenhum filme novo do primeiro. Ainda vibro com as músicas do segundo – mas tenho sentimentos dúbios e penso no meu filho. O terceiro pagou em vida pelas escolhas políticas. Vou continuar ouvindo e vou continuar ignorando o que quer que ele tenha a dizer sobre o partido de estimação. Nossa “relação” está zerada, até por que

Seus filhos, erravam cegos pelo continente
Levavam pedras feito penitentes
Erguendo estranhas catedrais

Mas em se falando de economistas, não consigo processar. Não consigo passar um pano no passado do trio duralex e simplesmente me ater aos seus brilhantes pensamentos. Quando o sujo fala do mal lavado, em fevereiro é carnaval.

(EM – eternas – OBRAS)

Sapatos perdidos e coisas pequenas

sexta-feira, 22 de julho de 2011

pão australiano, manteiga goiana, bolo de milho de Gravatá, bolo de abacaxi da Carmen

Eu ando por aí e, vez ou outra, encontro um pé de sapato perdido pela rua.
O de hoje, de boneca tamanho 36, carmesim e em ótimas condições.
Procurei o outro par…
Nada.
O que terá acontecido a esta Cinderela?
Príncipe relapso… Nem para guardar e anunciar para o mundo que só se casará com a dona do rasteiro vermelhinho?

Enquanto pensava no pisante, passei o dia entre malas, confusões no cartão de crédito – essa viajação não me deixa tonta e detectei entre Apples, passeios e comidas uma rara contribuição para um site de relacionamento sueco.
Poxa, hacker bandido e descarado, eu jamais gastaria mi plata com louras suecas! Nem cervejas de falsas checas.

Minha mala verde que saiu de uma nevasca americana e aportou perdida em Dubai saiu do armário com livros, biquinis tamanho M-G, e uma saudade dessa casa que já não é a minha.
Numa rápida conversa com a empregada, novidades de lá.
Um técnico liga para avisar que mudou o ponto do telefone, da TV, da internet.
Um excesso de coisas ainda não guardadas.
E eu pensando em coisas mínimas sensacionais.
Cereja marrasquino, olhos azuis passeando no Leblon, minhas antigas moradas que hoje vivem na minha caixola.

Ouvindo o novo Chico, babando pela nova namorada. Ele é tão feliz com ela.
O dia voa – ela não acorda.
Nasci velha – o meu dia sempre voou – mesmo quando eu tinha cabelos vermelhos como o sapato da Cinderela.