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Capítulo 18 – Maioridade

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Acordou virada.
A empregada veio com as mesmas perguntas: cardápio do almoço, dinheiro para tal coisa.
Nem respondeu.
Beijou o filho, vestiu aquela roupa que teimava em não caber – e que, milagrosamente, coube – e saiu.
Sem direção…
Rodou pelos arredores.
Pompéia, Lapa, Vila Romana.
Olhava as caras sem face dos trabalhadores que saem todos os dias a caminho de um escritório com divisórias de PVC, paredes brancas, porteiro de terno azul marinho.
Viu os pontos de ônibus cheios.
Gente carregando sacolas aposentadas de supermercado.
Parou no farol de uma rua movimentada.
O carro chamou atenção de um grupo de bolivianos que tomava chá do lado de fora de um botequim.
Entrou.
Pediu um café e uma branquinha.
Misturou tudo, tomou sem fazer cara feia.
O sinal abriu.
Deixou dois reais sobre o balcão.
Nervosos, motoristas buzinavam.
Nem olhou para as caras sem nariz, sem olhos, sem boca.
Rodou mais um pouco.
Uma loja improvisada em uma casa velha, quintal com pomar.
Pediu pão de mel.
Comeu com calma.
Fechou os olhos.

Animada com a fuga, escolheu um caminho.
Correu no parque até que os pés ficaram cheios de bolhas de sangue.
Voltou para casa sem fome.

Capítulo 14 – Ócio oculto

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Com os pés presos, uma carreira semi-acabada por ter ido nu ao escritório, resolveu soltar a última corda que prendia a alma.
Meio dia, frio de 9°C no país tropical.
Ameaça de chuva.
Parou num bar.

Começou com um chopp garoto.
Mas o corpo, gelado, pedia por algo mais forte.
Um uísque.
O garçon sugeriu um negroni.
Tomou também.
Trocou o almoço por mais um drinque colorido.
E voltou para o escritório com as idéias embaralhadas.

Conseguia andar em linha reta, mas sentia a cabeça pesada.
Respondeu emails com humor.
Decidiu deletar os provocativos – que eram tantos e sobre questões banais.

Pediu uma jarra de água para a secretária.
Chocolates.

Passou a tarde com a mente variando, rindo das bobagens que viravam grandes dramas corporativos discutidos com agressividade por email. Alguém, hoje, enfrentava problema cara a cara?
Comeu chocolates sem parar.
Lambuzou os dedos. Sujou o terno.
Encheu-se de água para curar o fogo.

Decidiu se levar menos a sério.

Figos e chocolate

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Sim, minhas dores lombares melhoraram e o investimento foi alto.
Medicina ayurvédica, eutonia e acupuntura.
Tudo ao mesmo tempo agora como um dia de fim de inverno em São Paulo.
Ayurveda e seus óleos quentes e poções mágicas canforadas.
Eutonia, uma novidade (para mim) que é suave e delicada. Uma forma de respeito pelo corpo (e uma alerta ao que você faz com ele).
Acupuntura – reconhecidamente eficaz pela ciência ocidental (pela oriental nunca precisou de reconhecimento) e que ainda briga por um lugar ao sol.

Aos poucos, fui limpando minha área.
Parei com a yoga, com a hidroginástica, com a minha correria maluca, com o meu refazer o que os outros deixam mal feito para trás.
Parei com meu excesso de informação.
Investi no que é necessário.

E, hoje, a dor sumiu.
Como é bom não sentir nada além da sua respiração.

(Sobre figos e chocolates?
Ah…
Comi um cinelândia para comemorar…)

A tal da internet

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Hoje estou com dor de garganta (fraca) e não paro de espirrar…
Gripe, virose?
Talvez seja falta de chocolate no sangue.
Ando com desejo de Nhá Benta, não pode?

Se não é isso, é excesso de cloro.
Eu agora me viciei nas velhinhas da hidro geriátrica.
Hoje uma explicava coisas sobre a água, a terra, o mar e o amor para nosso único mosqueteiro.
E uma moça bem idosa, tremendo e andando muito devagar fez sua aula primeira.
Completa.
Eu, esbaforida, tentando malhar e não perder as conversas paralelas, engoli água, deixei o coração disparar.
Essas mocinhas acabam comigo.
Adoro.

Sobre trabalho, ai minha gente, quanto mais eu rezo mais aparece.
Sobre a internet, minha fiel companheira, te agradeço por mais um dia.
Não ter que pegar o carro para resolver a vida é bom demais.
Não é que eu viva numa bolha.
Mas não ter que enfrentar o trânsito, o almoço em shopping, o elevador cheio da firma…
Isto é bom demais.

E justo por causa de tanto conforto me caíram dois ingressos do show do U2 no colo.
Não digo que quanto mais rezo…
Alguém se habilita?

Era uma vez…

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Saio de um avião.
A casa de pernas para o ar.
A vida prática foi feita para os outros – decido.
Durmo pouco, vôo de novo.
Confiro minha conta do cartão de crédito – Nova York tem seu preço.

Termino de ler o jornal.
Ofereço ao vizinho que olha pela janela o céu de brigadeiro.
O comandante avisa: menos 50 Celsius lá fora.
Tímido. Carente.
Fala do trabalho, da vida, pergunta sobre a terra, o telefone, a rotina.
Suave, escondo-me em meu mundo digital particular.

As crianças gritam.
Um copo de água.
O moço é todo chocolate, chicletes, praia e sol.

Eu troquei as cores por uma história em preto e branco.
Branca de neve paraguaia em Recife.
Sem férias.
Um filme B.

Só isso.