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A primeira vez

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Ir ao cinema quando ninguém mais pode.
Nosferatu sob o sol.

Malas sem nada – e duas viagens a cumprir.
Fim de ano fim.

Fechando pastas.
Abrindo arestas.

Saindo por aí atarefada.
Sem ter nada a dizer.

Ventania.
(com você)

Surfistinha e outros quetais

domingo, 13 de março de 2011

Sim, fiz um programa típico de paulistano-classe média que atenta contra minha natureza selvagem.
Fui a um desses “plex” da vida e, loucura das loucuras, disputei um assento para ver um blockbuster trash.
Fui ver os peitos bonitinhos e siliconados da Deborah Secco (ou seria seca?).
A moça faz o que sabe: caras, bocas, peitos e bundas.
A platéia, “classe-média-no-shopping-que-tem-como-hobbie-ver-vitrine-de-loja-de-carro-importado” suspirava, ria fora do tempo e não teve vergonha de dizer em alta voz que queria ser figurante no filme. Afinal, todos os figurantes do sexo masculino tiveram uma missão: tirar a roupa e se enroscar com a atriz principal devidamente pelada.
E eu esperava outra coisa?
Não!
Mas a realidade supera a expectativa.

Misandria

Saindo do óbvio, o filme é um libelo feminista.
O tempo todo, a moça é puta e quer ser puta.
Nem o coroa bacana, encarnado por um gordito Cassio Gabus Mendes, a convence, depois de uma overdose, a deixar o metier.
Bruna/ Raquel/ Deborah, escolheu a profissão e tem orgulho disso.
Os homens, nenhum no shape de Deborah, mostram-se crus e pequenos ao estarem nus: são gordos, bigodudos, peludos, flácidos, magros, carecas, sem graça, são os manés que pagam para serem usados e descartados.
Que o diga o colunista de O Globo, Joaquim Ferreira dos Santos, que escreveu uma coluna tipo diário de adolescente exaltando a “coragem” de Deborah Secco.

Bobos, babões, com taras pueris, eles topam pagar por que, ao que tudo indica, faltam-lhe culhões para a vida de fato.
Fora da tela, realizados depois de hora e meia de Secco pelada, eles comentam sobre a gostosura da atriz e sobre o sonho de viverem alguns minutos a fantasia de serem figurantes do filme.

Eu saio rindo e prestando atenção.
Os que não conseguem fazer duas coisas ao mesmo tempo.
Os que sonham e os que gastam os cobres com uma noitada de sexo pago.
Os que queriam ser figurantes ao lado da Deborah Secco.

Sexo frágil em pleno século XXI.
A vida não deve ser fácil

2,3,4

terça-feira, 28 de setembro de 2010

paint it black

Ontem, acordei.
Leituras, chacoalhada geral.
Entreguei um texto que estava atravessado na garganta, fiquei livre.
A casa se arrumou.

Essa história da Bienal em São Paulo.
Eu gostei da “invervenção” do urubu. Tem humor, nao estragou a original, até complementou.
E achei a segunda pichação de quinta categoria.
Invejosa, maldosa.
E assim é a vida.
Muita gente insiste na máxima de que o bem do outro é o seu mal.
Hello, periferia, vamos torcer para que todo mundo se dê bem (disse a fada Sininho).

A previsão hoje é de chuva o dia todo.
Ana Pessoa não sabe se vai de Hunter boot verde ou preta.
Programaço: Bienal, almocinho por aí, cineminha.
Casa.
Férias compulsórias – curtindo da melhor maneira possível depois de pagar a última conta européia no cartão de crédito.

Perguntas feitas para a esfinge:
– Por que os processos de contratação demoram tanto?
– Você já se sentiu como carne no açougue?

Ao que ela respondeu: –  Não chega muito perto que eu mordo!

(Para o James Bond tupiniquim)

Traduzindo a crítica

sexta-feira, 10 de abril de 2009

 

Faz sol em SP

Faz sol em SP

 

 

Acordei cedo.
Mesmo tendo tomado meia garrafa de vinho, tendo comido meia cumbuca de queijo. E um ovinho de Páscoa de nhá benta da Kopenhagen na noite anterior.
Era para eu estar desmaiada.

Coloquei meu vestido de onça.
Meu All Star que um dia foi lavanda.
Dei comida para Alice. Para os gatos.
Lavei os pratos e taças abandonados pela casa.
Botei o lixo para fora.
Peguei a Folha.

Na minha janela, uma cambacica toma néctar feliz da vida.
Alice não transformou a sala em banheiro essa noite.
Feliz, levo a cachorra para passear. 

Não lavei o rosto, não escovei dentes.E saio com a Folha.

Sento num banco da praça.
Alice, mané, brinca de correr atrás das flores.
As flores da paineira caem uma após a outra.
Eu leio a Folha.

E tenho um ataque com o crítico (?) Cássio Stariling Carlos. Com esse nome, deveria ser cantor de música brega. Cássio Carlos, sobre um filme sueco, manda o seguinte parágrafo:

Nesse pacote, a caricatura cumpre sua função enfática e ganha no cinema uma estranha dimensão, a meio caminho entre o desenho animado e o expressionismo pictural, com a qual nos identificamos no exagero e no absurdo. A estratégia de embalar esses micro-retratos da miséria humana numa forma encantadora, em vez de amenizar o lado trágico da nossa comédia, torna-a mais explícita. Nessa apropriação da linguagem domesticadora com que a publicidade embala nossos sonhos consumistas e embota nossa visão noite e dia, “Nós, os Vivos” deturpa o poder da farsa e nos permite experimentar um tanto de verdades.

Vamos decifrar o que o intelectual quis dizer:

Nesse pacote, a caricatura cumpre sua função enfática e ganha no cinema uma estranha dimensão, a meio caminho entre o desenho animado e o expressionismo pictural, com a qual nos identificamos no exagero e no absurdo. No filme, personagens são retratadas como caricaturas de pessoas reais.

 A estratégia de embalar esses micro-retratos da miséria humana numa forma encantadora, em vez de amenizar o lado trágico da nossa comédia, torna-a mais explícita.  A estratégia de transformar histórias tristes em contos felizes evidencia o drama humano.

Nessa apropriação da linguagem domesticadora com que a publicidade embala nossos sonhos consumistas e embota nossa visão noite e dia, “Nós, os Vivos” deturpa o poder da farsa e nos permite experimentar um tanto de verdades. Ao usar linguagem publicitária, o filme nos permite ver uma realidade crua.

Agora, vamos juntar as frases. 

No filme, personagens são retratadas como caricaturas de pessoas reais. A estratégia de transformar histórias tristes em contos felizes evidencia o drama humano. E, ao usar linguagem publicitária, o filme nos permite ver uma realidade crua.

Em resumo: três frases redundantes e pobres escritas num parágravo pomposo e confuso.

Agora entendi.