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Coco, cocada e quebra-queixo

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Les fleurs du mal

Acordo às cinco da manhã, faço uma hora e vou caminhar.

É calor logo cedo para os transparentes.
Em Boa Viagem, admirei-me com o que vi: cerca de cinco homens de uniforme azul royal no alto dos coqueiros.
Pensei logo: que bacana, a prefeitura poda as folhas secas dos coqueiros.
Poda?
Que nada, macacada…
Mutila.

A turma cortava, sem piedade, os brotos de coco, os cachos floridos, branquinhos e tão poéticos.
Eram dezenas, quase centenas, de cocos em produção sendo ceifados deste pobre verão.
Uns hão de dizer que é para proteger o povo que vai à praia.
Ora, bolas, quem passa debaixo de um coqueiro sabe que coco dá.
E a água vale o risco quando o sol é inclemente.

Pelo calçadão, a imagem do velório.
Algumas senhoras recolhiam galhos e flores para por eles orarem mais tarde.
E eu fiquei borocoxô.
Dia feio de gente má.

Nem Baudelaire aguentaria.

Anéis de saturno

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Parei na banca.
Água de coco (preferia um chopp – mas as 8h da manhã, melhor não me exibir).
A vista embaçada de calor.
A cabeça queimando.
Tirei o tênis.
O vendedor perguntou se eu era gringa.
Falei que sim: alienígena de Órion.
Ele não discutiu se a constelação do equador celeste era habitável.
Disse que nasci em Bellatrix.
Ele perguntou se nevava por lá.
Dei de ombros e expliquei ser tudo culpa de Apolo.
Pobre Artêmis, chorei.
– Mas, encerrei a conversa, a 240 anos-luz da Terra o azul espectral compensa.
Ele fez que sim com a cabeça, perguntou se queria outro coco.

Descalça.
Com areia nos cabelos, corri para dentro de casa.
Ar-condicionado: 24°C.
Em menos de dez minutos, saí do planeta.
Dizem que os anéis de Saturno são feitos de gelo, poeiras e material rochoso.
Eu desconfio que haja algo mais.
Se você estiver em Botswana, conte-me como é ver estrelas brilhando de noite.

Café com bolo?

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Um pedacinho?

Saído diretamente do maravilhoso mundo do bolo de caixinha, um dia e tanto.

Acordei tarde – dormi mais tarde ainda.
O calor escaldante fazia com que o banho gelado fosse obrigatório e repetido três vezes ao dia.
Um momento salão incluído no cardápio.
Flores e uma batida chatinha na minha roda – que bom é não ser homem e só falar: “ooops“.
No estacionamento, 20 minutos de explicação para a turma.
– Não, não estou mais na Berrini, trabalho em casa.
Desconforto básico ao ver que os dois ouviam uma explicação diferente:
– Virei madame, agora só faço bolo de coco e bato a roda liga leve do meu carrão no meio fio da Dr.Arnaldo.
Seu Creisson, não traduz, please!

No almoço, comida de sexta-feira. Macarrão com macarrão.
Nada de saladinha, frutinha, saudezinha e vitamininha.
Flores do campo.
Girassóis.
Minha Mafaldinha chega na latinha.
Roupa de cama florida para dar um ar caipira a São Paulo.
Banho na Alice.

Mais uma rodada de mil conversas com fornecedores.
– Pois é, cara, o cliente ainda não deu retorno e, se você não puder segurar o orçamento, paciência.

Bolo de caixinha.
Coco gelado.
Vai ficar perfeito com meu sorvete que veio por engano.
Crocante da La Basque.
Facebook.
Mais um momento de superexposição narcisística.
Flores, gatos, bolo e outros quitutes.

Calor.
Calor.
Calor.

Banho gelado.

Sexta-feira abre alas e me traz uma chuvinha de verão. Vontade de sair para a rua.

Chá com pão árabe, coalhada seca e azeitona preta.
Penso no bolo e digo: “até amanhã”.
Vejo a série francesa no GNT e falo francês, com biquinho, sozinha em casa.
O roteiro é sempre o mesmo:
– Je ne parle pas très bien le français, mais je comprends ce que vous dites. Si vous ne parlez pas trop vite …
Ah … J’ai étudié deux ans et j’ai passé près de trois mois à Paris. J’écris mal et ma grammaire est mauvaise.

Calor.
Mais um banho.
Bolo na geladeira.
Bolo de coco.
Sexta-feira balzaca.
Sem álcool e sem censura.