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Semana 1

segunda-feira, 11 de junho de 2012

segunda com chuva?

E a semana começa com um belo pé d’água.
Para derreter o gelo, limpar a alma e te lembrar que um escritório pode ser um bom lugar.
Imagine ficar em casa de pijama e meia grossa, enquanto a turma da faxina conjetura sobre seus hábitos e obrigações.
No escritório, um bom café de máquina pode ser a salvação.
Uma conversa de corredor, um resolver tudo de uma vez porque hoje não tem sol lá fora (mesmo que você fique numa baia distante da janela).

E aí me lembro de correr na chuva com calor.
No início, você e alguns incautos.
Depois, você e você.
Ninguém.

O tênis, encharcado, fazendo barulhos estranhos.
A roupa, antes fria, agora ensopada com um líquido meio morno: chuva, suor e seu corpo trabalhando duro para manter a temperatura.
Alguns passarinhos escondidos nos galhos das árvores.
As avenidas engarrafadas.

Os pés mantém um ritmo bom para que o corpo não entre em choque.
A semana começa com um único objetivo: ducha quente.
Depois os carros, o caminho, o trabalho, o café de máquina.

Bom (re)começo.

Como posso caber dentro dessa carcaça?

segunda-feira, 2 de abril de 2012

idade

A vida de quem não nasceu dentro de uma tela de TV.

Com meu casaco de couro, confiante no futuro, saí do meu carro esporte e fui fazer hora.
Meia hora adiantada.

Visita a uma amiga e toca o telefone.
Não atendo.
E ele toca.

Sim, poderosa e confiante, você deixou a carteira com centos contos de réis, documentos, vários cartões de crédito, deixou a carteira cair no chão e foi passear.
O rapaz baixo, educado, descobriu um velho cartão de visitas, salvou a carteira e anunciou uma semana de mudanças.

Quase mais enta do que balzaca, temo por mim quando sinto que o corpo que carrrego não sou mais eu.
Tiro com pinça a touceira de cabelos brancos que insiste em crescer e se proliferar da franja para o cocuruto.
Voltei a correr e tenho melhorado a cada semana.
Pena que os habituais 10km agora sejam suados 5.

Hoje, segunda-feira, joguei para o alto a dieta macrobiótica, os conselhos da nutricionista e, num rompante, peguei minha velha caderneta de 20 anos atrás dos Vigilantes do Peso.
Sim, aquela coisa de senhoras rechonchudas que, uma vez a cada sete dias, são humilhadas em público quando alguém diz em voz alta seu peso.
E ainda grita:
– “Engordou de novo. Assim você vai descer a ladeira!”

Ah, quantas ladeiras subi e quantas desci.

Não – não é que queira (apenas) perder peso (embora seja mulher e todas queiram isso mais do que uma boa carreira ou um casamento, não é Matilde?).
Quero método.
Comer bem e moderadamente.
Beber mais e adequadamente.

Não ser aquela menina que agarra o mundo com unhas, dentes, pernas longas e fortes.
Ser aquela senhora que faz tudo isso e ainda rejeita a sobremesa.
Quero zen.
Quero menos.

ono irete
ka ni odoroku ya
fuyu kodachi

Cravando o machado
o perfume causa espanto –
Ah, bosque de inverno.

Yosa Buson (1716–1783)